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Ciência

O James Webb voltou seus olhos para o espaço profundo e encontrou exoplanetas tão leves e “fofos” que lembram algodão-doce

Dois gigantes gasosos localizados a mais de 1.100 anos-luz da Terra surpreenderam os astrônomos por sua densidade extremamente baixa. Conhecidos como planetas “superfofos”, eles podem ajudar a revelar como alguns dos mundos mais incomuns da galáxia se formam e evoluem.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Imagine segurar um algodão-doce. Ele parece quase feito de ar, tão leve que mal pesa nas mãos. Agora imagine dois planetas gigantes ainda menos densos do que essa guloseima. Embora isso não signifique que eles sejam macios ou possam ser “comidos”, a comparação ilustra o quão extraordinários são esses mundos recém-estudados. Localizados a cerca de 1.110 anos-luz da Terra, eles figuram entre os exoplanetas mais curiosos já descobertos e agora serão investigados em detalhes pelo telescópio espacial James Webb.

Dois “irmãos” unidos pela gravidade

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© NASA

Astrônomos da Universidade de Oxford, da Universidade Côte d’Azur e da Universidade de Birmingham identificaram dois dos planetas gigantes menos densos conhecidos até hoje. Batizados de TOI-791 b e TOI-791 c, eles pertencem à rara categoria dos chamados planetas “superfofos” (super-puff planets), um grupo com apenas alguns representantes conhecidos pela ciência.

O estudo, publicado na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, oferece novas pistas sobre a formação dos gigantes gasosos e pode ajudar a explicar como esses mundos conseguem manter atmosferas tão extensas.

Os pesquisadores acreditam que os dois planetas nasceram ao mesmo tempo, a partir do mesmo disco de gás e poeira que cercava sua jovem estrela. Por isso, são considerados verdadeiros “planetas irmãos”.

Além disso, eles mantêm uma relação gravitacional bastante peculiar, chamada de ressonância de movimento médio. Enquanto o planeta mais interno completa cinco voltas ao redor da estrela, o mais distante realiza quase três órbitas. Essa sincronização faz com que ambos exerçam influência gravitacional constante um sobre o outro.

“Conhecemos apenas alguns desses planetas superfofos, e encontrar dois no mesmo sistema é ainda mais raro. Suas densidades extremamente baixas fazem deles excelentes alvos para entendermos como os sistemas planetários se formam e evoluem”, afirmou George Dransfield, pesquisadora da Universidade de Oxford e autora principal do estudo.

Até agora, apenas outros quatro sistemas planetários com múltiplos planetas superfofos haviam sido identificados, tornando o sistema TOI-791 um verdadeiro laboratório natural para testar modelos de formação planetária.

Oito anos de observações — incluindo a Antártida

A descoberta começou graças ao Planet Hunters TESS, um projeto de ciência cidadã no qual voluntários analisam dados coletados pelo satélite TESS, da NASA, em busca de possíveis exoplanetas.

Depois da identificação inicial, uma equipe internacional confirmou as características dos dois mundos por meio de oito anos de observações realizadas com telescópios espalhados por diferentes continentes.

Uma das contribuições mais importantes veio de um dos lugares mais extremos da Terra: a estação Concordia, na Antártida. Lá, o telescópio ASTEP aproveitou os longos meses de escuridão contínua do inverno antártico para acompanhar trânsitos planetários com mais de 11 horas de duração — os mais longos já registrados de forma contínua a partir da superfície terrestre, segundo os pesquisadores.

O James Webb tentará desvendar o mistério

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© NASA Hubble Space Telescope -Unsplash

Apesar do avanço, os cientistas ainda não sabem exatamente como planetas com densidade tão baixa conseguem se formar.

A hipótese mais aceita sugere que eles nasceram muito longe de sua estrela, em regiões extremamente frias do sistema planetário. Nessas condições, puderam acumular enormes quantidades de hidrogênio e hélio ao redor de um núcleo sólido, formando atmosferas gigantescas que hoje fazem esses mundos parecerem quase “vazios”.

O próximo passo será observar essas atmosferas com o telescópio espacial James Webb.

Os pesquisadores esperam identificar compostos ricos em carbono, nitrogênio e oxigênio, elementos que poderão revelar onde esses planetas se formaram e como evoluíram ao longo de bilhões de anos.

Se as observações confirmarem as previsões, TOI-791 b e TOI-791 c poderão oferecer uma das melhores oportunidades já encontradas para compreender um dos tipos mais misteriosos de exoplanetas conhecidos pela astronomia.

 

[ Fonte: National Geographic ]

 

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