A NASA realizou com sucesso uma operação que pode inaugurar uma nova era na manutenção de satélites em órbita. A agência espacial lançou um robô capaz de resgatar o observatório Neil Gehrels Swift, telescópio que estava perdendo altitude e corria o risco de ser destruído ao reentrar na atmosfera da Terra nos próximos meses.
A missão representa a primeira tentativa da NASA de reposicionar um satélite científico que nunca foi projetado para receber manutenção em órbita. Mais do que prolongar a vida útil do Swift, o projeto serve como demonstração de uma tecnologia que poderá reduzir custos e evitar que equipamentos ainda funcionais sejam descartados prematuramente.
O telescópio estava condenado a cair na Terra
Lançado em 2004, o observatório Neil Gehrels Swift foi criado para detectar explosões de raios gama, alguns dos fenômenos mais energéticos do universo, normalmente associados ao nascimento de buracos negros e à morte de estrelas massivas.
Ao longo de mais de duas décadas de operação, porém, sua utilidade foi muito além da missão original.
O telescópio ajudou a estudar explosões de raios X, mapear galáxias distantes, acompanhar a passagem de asteroides próximos da Terra e observar buracos negros consumindo matéria de estrelas vizinhas.
Depois de aproximadamente 21 anos em órbita, o satélite começou a perder altitude gradualmente devido ao atrito extremamente sutil provocado pela atmosfera terrestre nas regiões mais altas.
Em fevereiro deste ano, a NASA suspendeu todas as atividades científicas do observatório para reduzir seu consumo de energia e ganhar tempo enquanto preparava uma missão de resgate.
Um robô com três braços foi enviado para salvá-lo
Para realizar a operação, a NASA contratou a empresa norte-americana Katalyst Space, que desenvolveu uma espaçonave robótica chamada LINK.
Pesando cerca de 400 quilos e medindo aproximadamente 1,5 metro de altura, o veículo é equipado com três braços robóticos capazes de se aproximar cuidadosamente do telescópio sem danificá-lo.
Depois do acoplamento, o LINK utilizará propulsores iônicos alimentados por energia solar para elevar lentamente a órbita do Swift ao longo de vários meses, afastando o risco de reentrada na atmosfera.
Segundo a NASA, esse processo será realizado de forma extremamente gradual para evitar qualquer impacto sobre os delicados instrumentos científicos do observatório.
O lançamento aconteceu de forma pouco convencional
A missão também chamou atenção pelo método de lançamento.
Em vez de partir diretamente de uma base espacial, o LINK foi transportado por um avião modificado Lockheed L-1011, que decolou do Atol de Kwajalein, nas Ilhas Marshall.
Quando a aeronave atingiu aproximadamente 12 quilômetros de altitude, um foguete Pegasus XL, da Northrop Grumman, foi liberado em pleno voo.
O foguete então levou o robô espacial até uma órbita paralela à do telescópio Swift, permitindo que a missão de aproximação fosse iniciada.
Após alguns adiamentos causados por condições climáticas desfavoráveis e por um problema técnico no veículo lançador, a operação finalmente foi concluída com sucesso.
Um teste para o futuro da exploração espacial
Para a NASA, o objetivo vai muito além de salvar um único satélite.
O diretor da divisão de Astrofísica da agência, Shawn Domagal-Goldman, afirmou que substituir o Swift custaria muito mais caro do que prolongar sua vida útil por meio de uma missão robótica.
Já a Katalyst Space destaca outro aspecto importante: o Swift jamais foi projetado para receber manutenção no espaço.
Segundo o CEO da empresa, Ghonhee Lee, demonstrar que é possível reparar ou reposicionar satélites antigos abre caminho para um novo mercado de serviços orbitais.
No futuro, robôs semelhantes poderão reabastecer espaçonaves, substituir componentes defeituosos, corrigir órbitas e até prolongar por vários anos a vida útil de equipamentos científicos e comerciais.
Se a missão atingir todos os seus objetivos, ela poderá marcar o início de uma nova fase da exploração espacial, em que satélites deixam de ser equipamentos descartáveis e passam a receber manutenção em órbita, reduzindo custos, diminuindo a quantidade de lixo espacial e tornando as futuras missões muito mais sustentáveis.