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Ciência

Robô espacial da NASA salva telescópio de uma reentrada destrutiva — missão inédita pode mudar a forma como satélites são mantidos em órbita

Após anos prestando serviços à ciência, o observatório espacial Neil Gehrels Swift estava prestes a ser destruído ao reentrar na atmosfera terrestre. Agora, uma missão inédita da NASA utilizou um robô equipado com três braços para elevar sua órbita, demonstrando que satélites antigos também podem ganhar uma nova vida no espaço.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A NASA realizou com sucesso uma operação que pode inaugurar uma nova era na manutenção de satélites em órbita. A agência espacial lançou um robô capaz de resgatar o observatório Neil Gehrels Swift, telescópio que estava perdendo altitude e corria o risco de ser destruído ao reentrar na atmosfera da Terra nos próximos meses.

A missão representa a primeira tentativa da NASA de reposicionar um satélite científico que nunca foi projetado para receber manutenção em órbita. Mais do que prolongar a vida útil do Swift, o projeto serve como demonstração de uma tecnologia que poderá reduzir custos e evitar que equipamentos ainda funcionais sejam descartados prematuramente.

O telescópio estava condenado a cair na Terra

Lançado em 2004, o observatório Neil Gehrels Swift foi criado para detectar explosões de raios gama, alguns dos fenômenos mais energéticos do universo, normalmente associados ao nascimento de buracos negros e à morte de estrelas massivas.

Ao longo de mais de duas décadas de operação, porém, sua utilidade foi muito além da missão original.

O telescópio ajudou a estudar explosões de raios X, mapear galáxias distantes, acompanhar a passagem de asteroides próximos da Terra e observar buracos negros consumindo matéria de estrelas vizinhas.

Depois de aproximadamente 21 anos em órbita, o satélite começou a perder altitude gradualmente devido ao atrito extremamente sutil provocado pela atmosfera terrestre nas regiões mais altas.

Em fevereiro deste ano, a NASA suspendeu todas as atividades científicas do observatório para reduzir seu consumo de energia e ganhar tempo enquanto preparava uma missão de resgate.

Um robô com três braços foi enviado para salvá-lo

Para realizar a operação, a NASA contratou a empresa norte-americana Katalyst Space, que desenvolveu uma espaçonave robótica chamada LINK.

Pesando cerca de 400 quilos e medindo aproximadamente 1,5 metro de altura, o veículo é equipado com três braços robóticos capazes de se aproximar cuidadosamente do telescópio sem danificá-lo.

Depois do acoplamento, o LINK utilizará propulsores iônicos alimentados por energia solar para elevar lentamente a órbita do Swift ao longo de vários meses, afastando o risco de reentrada na atmosfera.

Segundo a NASA, esse processo será realizado de forma extremamente gradual para evitar qualquer impacto sobre os delicados instrumentos científicos do observatório.

O lançamento aconteceu de forma pouco convencional

A missão também chamou atenção pelo método de lançamento.

Em vez de partir diretamente de uma base espacial, o LINK foi transportado por um avião modificado Lockheed L-1011, que decolou do Atol de Kwajalein, nas Ilhas Marshall.

Quando a aeronave atingiu aproximadamente 12 quilômetros de altitude, um foguete Pegasus XL, da Northrop Grumman, foi liberado em pleno voo.

O foguete então levou o robô espacial até uma órbita paralela à do telescópio Swift, permitindo que a missão de aproximação fosse iniciada.

Após alguns adiamentos causados por condições climáticas desfavoráveis e por um problema técnico no veículo lançador, a operação finalmente foi concluída com sucesso.

Um teste para o futuro da exploração espacial

Para a NASA, o objetivo vai muito além de salvar um único satélite.

O diretor da divisão de Astrofísica da agência, Shawn Domagal-Goldman, afirmou que substituir o Swift custaria muito mais caro do que prolongar sua vida útil por meio de uma missão robótica.

Já a Katalyst Space destaca outro aspecto importante: o Swift jamais foi projetado para receber manutenção no espaço.

Segundo o CEO da empresa, Ghonhee Lee, demonstrar que é possível reparar ou reposicionar satélites antigos abre caminho para um novo mercado de serviços orbitais.

No futuro, robôs semelhantes poderão reabastecer espaçonaves, substituir componentes defeituosos, corrigir órbitas e até prolongar por vários anos a vida útil de equipamentos científicos e comerciais.

Se a missão atingir todos os seus objetivos, ela poderá marcar o início de uma nova fase da exploração espacial, em que satélites deixam de ser equipamentos descartáveis e passam a receber manutenção em órbita, reduzindo custos, diminuindo a quantidade de lixo espacial e tornando as futuras missões muito mais sustentáveis.

 

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