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Ciência

O telescópio James Webb encontrou uma substância desconhecida em Titã e Plutão — e ela pode revelar uma química jamais vista no Sistema Solar

O telescópio espacial James Webb detectou uma misteriosa assinatura química na superfície de Titã, a maior lua de Saturno, e de Plutão. A absorção de luz não corresponde a nenhum composto conhecido e pode indicar a existência de moléculas orgânicas ainda desconhecidas, ampliando o entendimento sobre a evolução química desses mundos gelados.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O telescópio espacial James Webb voltou a surpreender a comunidade científica. Desta vez, ele identificou uma assinatura espectral desconhecida na superfície de dois dos corpos mais intrigantes do Sistema Solar: Titã, a maior lua de Saturno, e Plutão. A descoberta pode representar a primeira evidência de compostos químicos ainda não catalogados, formados em ambientes extremamente frios e ricos em metano e nitrogênio.

Os resultados serão publicados na revista científica Astronomy & Astrophysics e reforçam o papel do James Webb como a ferramenta mais poderosa já construída para investigar a composição química de objetos distantes.

Um sinal que não corresponde a nenhuma substância conhecida

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© NASA Hubble Space Telescope

A equipe liderada pelo pesquisador B. Bézard analisou observações realizadas pelos instrumentos NIRSpec e MIRI, dois dos principais espectrômetros do James Webb.

Durante o estudo, os cientistas encontraram uma inesperada absorção de luz concentrada no comprimento de onda de 5,113 micrômetros. Em Titã, essa assinatura apresenta intensidade entre 6% e 7%, enquanto em Plutão varia entre 4% e 5%.

O mais intrigante é que nenhum dos gases, gelos ou compostos químicos atualmente conhecidos nesses dois corpos consegue explicar essa absorção.

Os pesquisadores compararam os dados obtidos pelo telescópio com modelos extremamente detalhados que simulam todos os componentes já identificados na atmosfera de Titã, incluindo metano, nitrogênio e partículas da espessa névoa que envolve a lua. Ainda assim, o sinal permaneceu sem explicação.

Como os cientistas descobriram que a origem está na superfície

Uma das maiores dúvidas era saber se a absorção vinha da atmosfera de Titã ou de sua superfície.

Para resolver essa questão, os pesquisadores compararam o espectro obtido no centro do disco visível da lua com as regiões próximas às bordas.

Se a origem estivesse na atmosfera, a absorção deveria ser mais intensa nas extremidades, onde a luz percorre uma camada maior de gases antes de chegar ao telescópio.

O resultado foi exatamente o contrário.

A assinatura apareceu mais fraca nas bordas, indicando fortemente que sua origem está na superfície congelada de Titã, e não em sua atmosfera.

Esse comportamento praticamente descarta a possibilidade de que o fenômeno seja provocado pelo metano ou por outro gás já conhecido.

Titã continua sendo um dos mundos mais fascinantes do Sistema Solar

Titã desperta enorme interesse científico porque é o único satélite natural do Sistema Solar com uma atmosfera densa.

Sua pressão atmosférica chega a aproximadamente 1,5 bar, cerca de 50% superior à da Terra. Essa atmosfera é composta principalmente por nitrogênio e metano, elementos capazes de desencadear uma complexa química orgânica quando expostos à radiação solar.

No entanto, a espessa camada de névoa dificulta a observação direta da superfície.

Graças à alta sensibilidade do James Webb, os pesquisadores conseguiram explorar uma janela espectral entre 4,9 e 5,4 micrômetros, uma faixa em que a atmosfera interfere muito menos nas observações.

Foi justamente nessa região que surgiu a misteriosa assinatura química.

Plutão apresentou o mesmo fenômeno

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© NASA

Ao analisar dados coletados pelo James Webb durante observações de Plutão realizadas em maio de 2023, os pesquisadores fizeram uma descoberta ainda mais surpreendente.

A mesma absorção em 5,113 micrômetros também apareceu na superfície do planeta anão.

Embora a intensidade seja semelhante à registrada em Titã, a assinatura em Plutão é aproximadamente três vezes mais larga.

Essa diferença pode fornecer pistas importantes sobre a natureza do composto responsável ou sobre as diferentes condições físicas presentes nas superfícies desses dois mundos gelados.

Segundo os autores, caso a mesma molécula seja responsável pelo fenômeno nos dois corpos celestes, fatores como temperatura, estrutura do gelo ou interação entre diferentes materiais podem explicar a variação observada.

Uma nova peça no quebra-cabeça da química do Sistema Solar

Os cientistas acreditam que a substância responsável pela absorção pode fazer parte de uma família de compostos orgânicos complexos ainda desconhecidos, produzidos por reações envolvendo nitrogênio, metano e radiação solar ao longo de milhões de anos.

Embora ainda seja cedo para identificar exatamente qual molécula está presente, a descoberta abre uma nova frente de pesquisa sobre a evolução química de mundos gelados e ricos em carbono.

À medida que o James Webb continua observando Titã, Plutão e outros objetos distantes do Sistema Solar, os pesquisadores esperam reunir dados suficientes para finalmente revelar a identidade dessa misteriosa substância — uma descoberta que pode ampliar significativamente nosso conhecimento sobre a diversidade química existente além da Terra.

 

[ Fonte: La Brujula Verde ]

 

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