A guerra entre Rússia e Ucrânia voltou a colocar uma arma pouco conhecida sob os holofotes internacionais: o míssil Oreshnik.
Apresentado pelo Kremlin como um sistema balístico hipersônico de última geração, o armamento ganhou destaque após Moscou confirmar seu uso em ataques recentes contra território ucraniano. O episódio provocou forte reação de líderes europeus, incluindo o presidente francês Emmanuel Macron.
Segundo autoridades russas, o Oreshnik é capaz de atingir alvos em praticamente toda a Europa e atravessar sistemas modernos de defesa aérea graças à sua velocidade extrema.
O que é o Oreshnik
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A Rússia atingiu Kiev com 600 drones e 90 mísseis.Um dos bombardeios mais intensos à capital ucraniana desde o início da guerra, incluindo o Oreshnik, míssil balístico hipersônico russo capaz de transportar uma ogiva nuclear.
Quatro mortos. Mais de 80…
— Vox Liberdade (@VoxLiberdade) May 24, 2026
O Oreshnik — nome derivado da palavra russa para “avelã” — é classificado pela Rússia como um míssil balístico de alcance intermediário.
Isso significa que ele pode atingir alvos localizados entre 3 mil e 5,5 mil quilômetros de distância.
Na prática, o alcance permitiria que o sistema atacasse uma grande parte do continente europeu a partir do território russo ou de países aliados, como Belarus.
O líder bielorrusso Alexander Lukashenko afirmou inclusive que o míssil já teria sido posicionado em território bielorrusso.
A principal característica: velocidade hipersônica
O elemento que mais preocupa especialistas militares é a velocidade do Oreshnik.
Segundo o Kremlin, o míssil pode atingir cerca de Mach 10 — aproximadamente dez vezes a velocidade do som.
Em velocidades assim, interceptar o projétil se torna extremamente difícil.
Além disso, mísseis balísticos hipersônicos percorrem trajetórias complexas e podem liberar múltiplas ogivas ou veículos de reentrada, dificultando ainda mais a atuação de sistemas antimísseis.
Por que ele preocupa tanto a Europa
A principal preocupação europeia envolve justamente a combinação entre velocidade, alcance e capacidade de evasão.
Defesas aéreas modernas da OTAN foram projetadas principalmente para lidar com aviões, drones e certos tipos de mísseis convencionais.
Armas hipersônicas representam um desafio muito mais complexo porque reduzem drasticamente o tempo disponível para detecção, cálculo de trajetória e resposta defensiva.
Segundo o projeto Center for Strategic and International Studies (CSIS), veículos balísticos de reentrada frequentemente alcançam velocidades hipersônicas durante parte do voo. Mas Moscou afirma que o Oreshnik foi especificamente projetado para operar nesse regime extremo de forma avançada.
O míssil pode carregar armas nucleares?

Autoridades russas afirmam que sim.
Embora o primeiro ataque conhecido com o Oreshnik, realizado contra a cidade ucraniana de Dnipro em 2024, aparentemente tenha utilizado ogivas convencionais ou até mesmo dispositivos de distração, analistas acreditam que o sistema possui potencial para transportar cargas nucleares.
O presidente russo Vladimir Putin descreveu o Oreshnik como uma arma capaz de gerar calor extremo e destruir estruturas fortemente protegidas.
Apesar disso, imagens do ataque em Dnipro mostraram danos considerados relativamente limitados por autoridades ucranianas, o que levou especialistas a questionar parte das alegações russas sobre o poder destrutivo do sistema.
Origem misteriosa e desenvolvimento acelerado
Segundo o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, o Oreshnik seria baseado no RS-26 Rubezh, um míssil balístico intercontinental móvel desenvolvido anteriormente pela Rússia.
Mas Putin insiste que o sistema não é apenas uma modernização de projetos soviéticos antigos.
De acordo com o Kremlin, o míssil teria sido desenvolvido como uma plataforma completamente nova após ordens emitidas em 2023, acelerando programas russos ligados à guerra hipersônica.
A corrida hipersônica virou prioridade global
Nos últimos anos, armas hipersônicas se tornaram uma das áreas mais estratégicas da disputa militar entre grandes potências.
Russia, China e United States investem bilhões de dólares em sistemas capazes de superar escudos antimísseis tradicionais.
O objetivo é criar armas tão rápidas e imprevisíveis que praticamente impossibilitem uma reação defensiva eficiente.
Para muitos analistas, essa corrida representa uma transformação comparável à corrida nuclear da Guerra Fria.
Um símbolo da nova guerra tecnológica
Mesmo que ainda existam dúvidas sobre as capacidades reais do Oreshnik, o míssil já se tornou um símbolo importante da estratégia militar russa atual.
Mais do que apenas destruir alvos, armas hipersônicas possuem forte efeito psicológico e geopolítico.
Elas funcionam como demonstrações de poder tecnológico, pressão diplomática e dissuasão militar.
E em um momento de tensão crescente entre Rússia e OTAN, sistemas como o Oreshnik mostram que o futuro dos conflitos talvez dependa menos do tamanho dos exércitos — e cada vez mais da velocidade com que novas armas conseguem cruzar os céus antes que alguém tenha tempo de reagir.
[ Fonte: Euronews ]