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Ciência

O mundo pode começar a perder população em poucas décadas

Um novo relatório internacional prevê uma transformação histórica na população global e aponta quais países poderão enfrentar quedas dramáticas até o fim do século.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Durante décadas, o planeta viveu sob o temor da superpopulação. Cidades cresceram sem parar, países enfrentaram explosões demográficas e especialistas discutiram os limites da capacidade humana sobre a Terra. Mas um novo estudo internacional sugere que o maior desafio do futuro pode ser exatamente o oposto. Segundo pesquisadores, a população mundial está caminhando para um ponto de virada histórico que poderá alterar economias, mercados de trabalho e o equilíbrio global nas próximas gerações.

O estudo que prevê uma mudança inédita na história moderna

O mundo pode começar a perder população em poucas décadas
© Unsplash

A projeção foi publicada na revista científica The Lancet por pesquisadores do Instituto para Métrica e Avaliação da Saúde, um dos principais centros globais de estudos populacionais.

Segundo o relatório, a população mundial continuará crescendo nas próximas décadas até atingir cerca de 9,7 bilhões de pessoas em 2064. Depois disso, começará um processo de queda contínua que poderá reduzir o total global para aproximadamente 8,79 bilhões até o final do século.

O mais impressionante para os cientistas é o motivo dessa mudança.

Diferente de períodos históricos marcados por guerras, pandemias ou fome extrema, o futuro declínio populacional seria provocado principalmente pela queda persistente das taxas de natalidade em praticamente todo o planeta.

O diretor do estudo, Stein Emil Vollset, destacou que a última grande redução populacional global aconteceu no século XIV, durante a Peste Negra.

Agora, pela primeira vez, o mundo poderá entrar em retração populacional não por tragédias imediatas, mas porque as pessoas simplesmente terão menos filhos.

Os países que podem perder metade da população

O relatório aponta que pelo menos 23 países deverão enfrentar reduções populacionais superiores a 50% até 2100.

O Japão aparece entre os casos mais dramáticos. A população japonesa, atualmente próxima de 128 milhões de habitantes, pode cair para cerca de 60 milhões até o fim do século.

A Itália seguiria trajetória semelhante, recuando de aproximadamente 61 milhões para apenas 28 milhões de habitantes.

Outros países que enfrentariam forte contração incluem Espanha, Portugal, Coreia do Sul e Tailândia.

Mas uma das mudanças mais simbólicas envolve a China.

O país, que por décadas foi o mais populoso do planeta, poderá cair de cerca de 1,4 bilhão de habitantes para aproximadamente 732 milhões até 2100, perdendo protagonismo demográfico global.

Segundo os pesquisadores, a principal causa desse fenômeno é a combinação entre envelhecimento acelerado e taxas de fecundidade abaixo do nível necessário para reposição populacional.

Em muitos países, as políticas de incentivo à natalidade não conseguiram reverter a tendência de longo prazo.

O impacto que isso pode causar na economia global

As consequências projetadas vão muito além da simples redução no número de habitantes.

O estudo prevê uma queda acentuada no número de crianças pequenas em todo o planeta. A população global com menos de cinco anos poderá cair de 681 milhões para apenas 401 milhões até o final do século.

Enquanto isso, o número de pessoas acima dos 80 anos deverá explodir, passando de 141 milhões para impressionantes 866 milhões.

Esse desequilíbrio etário preocupa economistas e governos.

Com menos jovens entrando no mercado de trabalho, países poderão enfrentar escassez de mão de obra em setores essenciais da economia. Ao mesmo tempo, haverá pressão crescente sobre sistemas de aposentadoria, saúde pública e assistência social.

Especialistas alertam que muitos países desenvolvidos poderão enfrentar dificuldades para sustentar economicamente populações cada vez mais envelhecidas.

O estudo também sugere que as disputas globais por trabalhadores qualificados podem aumentar nas próximas décadas, intensificando políticas migratórias e transformando o cenário geopolítico mundial.

A região que deve crescer enquanto o resto do mundo encolhe

Enquanto boa parte do planeta caminha para o declínio populacional, uma região deverá seguir na direção oposta: a África Subsaariana.

Segundo as projeções, países africanos manterão taxas de crescimento populacional positivas durante grande parte da segunda metade do século.

A Nigéria surge como principal destaque.

O país poderá quadruplicar sua população e atingir cerca de 791 milhões de habitantes até 2100, tornando-se o segundo maior polo populacional do planeta, atrás apenas da Índia.

Os pesquisadores atribuem essa diferença principalmente ao perfil etário mais jovem da população africana e às taxas de fecundidade ainda elevadas em parte da região.

O relatório também aponta que fatores como acesso à educação feminina e métodos contraceptivos tiveram papel decisivo na redução global da natalidade ao longo das últimas décadas.

Para muitos especialistas, o mundo está entrando silenciosamente em uma transformação demográfica sem precedentes — uma mudança lenta, mas capaz de redefinir economia, política e sociedade ao longo do século 21.

[Fonte: Perfil]

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