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O novo escudo aéreo baseado em IA da Leonardo será testado na Ucrânia e busca responder à nova era de drones, mísseis hipersônicos e ameaças híbridas

A empresa italiana Leonardo apresentou o Michelangelo Dome, um sistema de defesa multidomínio que combina inteligência artificial, fusão de dados e computação de alto desempenho para interceptar ameaças modernas. Parte da plataforma será enviada à Ucrânia para testes operacionais em 2026.
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Tempo de leitura: 4 minutos

O avanço de drones militares, mísseis hipersônicos e ataques híbridos está transformando rapidamente o campo de batalha moderno. Diante desse cenário, empresas de defesa e governos buscam novas soluções tecnológicas capazes de detectar e neutralizar ameaças com mais rapidez e precisão. Uma das respostas mais recentes vem da Leonardo, gigante italiana do setor aeroespacial e de defesa, que apresentou uma plataforma baseada em inteligência artificial projetada para criar uma espécie de “cúpula” de proteção multidomínio.

Um escudo de defesa pensado para o campo de batalha moderno

O sistema, chamado Michelangelo Dome, não é um único equipamento, mas sim uma arquitetura tecnológica que integra diferentes sistemas de defesa.

A plataforma reúne capacidades nos domínios aéreo, terrestre, marítimo, espacial e cibernético. Para isso, utiliza inteligência artificial, computação de alto desempenho e técnicas avançadas de fusão de dados.

O objetivo é criar uma rede capaz de identificar, rastrear e neutralizar ameaças emergentes em tempo real. Entre os alvos potenciais estão enxames de drones, mísseis de alta velocidade, ataques cibernéticos e outras formas de guerra híbrida.

Segundo a empresa, a arquitetura foi concebida como um sistema modular e aberto, o que permite integração com equipamentos de diferentes países e compatibilidade com estruturas de defesa da OTAN.

Testes operacionais previstos para a Ucrânia

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Durante a apresentação do plano industrial da empresa para o período 2026–2030, realizada em Roma, o CEO da Leonardo, Roberto Cingolani, confirmou que parte da plataforma será enviada à Ucrânia para testes operacionais.

De acordo com o executivo, as atividades preliminares do projeto devem ser concluídas em 2025. Com o sistema em fase mais avançada de desenvolvimento, alguns componentes poderão ser testados em condições reais de combate até o final de 2026.

Cingolani não revelou detalhes sobre quais tecnologias específicas serão utilizadas nos testes, citando razões de confidencialidade.

O executivo destacou que o contexto internacional se tornou extremamente instável. Atualmente existem mais de 60 conflitos armados no mundo, e a demanda por sistemas avançados de defesa aérea cresce rapidamente.

Segundo ele, a guerra na Ucrânia acelerou o desenvolvimento de novas tecnologias militares, especialmente no campo da defesa contra drones e ataques aéreos.

Nenhum sistema de defesa é completamente impenetrável

Apesar do avanço tecnológico, Cingolani ressaltou que nenhum sistema antiaéreo pode garantir proteção total.

Mesmo as plataformas mais sofisticadas operam com taxas de interceptação próximas de 96%. Isso significa que, em um cenário de ataques massivos, uma pequena porcentagem de projéteis ainda pode atingir o alvo.

Em outras palavras, se milhares de drones ou mísseis forem lançados simultaneamente, alguns inevitavelmente ultrapassarão as defesas.

Por isso, o foco do desenvolvimento tecnológico não é apenas interceptar ameaças, mas também melhorar a capacidade de previsão e identificação antecipada dos alvos.

Nesse contexto, a inteligência artificial desempenha um papel fundamental. Ela pode analisar grandes volumes de dados, identificar padrões de ataque e auxiliar na tomada de decisões mais rápidas.

Cingolani enfatizou, no entanto, que o objetivo não é criar sistemas de IA que tomem decisões autônomas sobre alvos, mas sim ferramentas que auxiliem operadores humanos a agir com maior precisão.

Potencial para aplicações civis e comerciais

Além do uso militar, a plataforma Michelangelo Dome também pode gerar aplicações de uso dual, ou seja, tecnologias que podem ser utilizadas tanto na defesa quanto em setores civis.

Entre as possibilidades mencionadas estão a proteção de infraestruturas críticas, sistemas de monitoramento ambiental e aplicações na agricultura de precisão.

A Leonardo estima que esse mercado potencial possa alcançar cerca de 21 bilhões de euros nos próximos dez anos. Desse total, aproximadamente 6 bilhões já poderiam surgir entre 2026 e 2030.

Crescimento estratégico e investimentos em tecnologia

O novo projeto faz parte de uma estratégia mais ampla da Leonardo para consolidar sua posição como uma multinacional de tecnologia avançada.

Segundo Cingolani, a empresa passou por uma transformação para operar como uma organização integrada, com capacidades nos principais domínios estratégicos: terrestre, aéreo, naval, espacial e digital.

Nos últimos anos, o grupo ampliou seus investimentos em inteligência artificial, digitalização e cibersegurança.

A empresa projeta um crescimento significativo até 2030. A previsão é alcançar cerca de 32 bilhões de euros em novos pedidos, 30 bilhões em receitas e um aumento substancial no fluxo de caixa operacional.

Capital humano e inovação tecnológica

A expansão também inclui investimentos em capital humano. A Leonardo planeja aumentar seu quadro de funcionários de cerca de 62.700 empregados em 2025 para aproximadamente 75.500 em 2030.

A empresa pretende realizar 28 mil novas contratações, com forte foco em profissionais jovens e áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

Dentro do plano estratégico, cerca de 70% dos novos contratados terão formação em áreas STEM e aproximadamente 30% serão mulheres.

O grupo também afirma que sua estratégia de crescimento inclui metas de sustentabilidade, com iniciativas voltadas para descarbonização, eficiência energética e uso mais circular de materiais na cadeia produtiva.

Em um cenário global marcado por conflitos cada vez mais complexos e interconectados, a Leonardo aposta que a integração entre inteligência artificial, defesa e computação avançada será decisiva para o futuro da segurança internacional.

 

[ Fonte: Euronews ]

 

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