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Tecnologia

O novo truque digital da China que preocupa empresas dos EUA

A pirataria digital deixou de ser apenas um problema local para se tornar uma estratégia global sofisticada. Enquanto consumidores em vários países recebem acesso ilegal a filmes, séries e jogos, grandes corporações dos Estados Unidos pressionam Pequim por respostas mais firmes. A prática, apelidada de “pirataria exclusiva de exportação”, expõe falhas na aplicação da lei e gera tensão internacional.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Antes de mergulhar nos detalhes da denúncia, é importante entender como a China se tornou o centro dessa operação e por que Hollywood, o setor de games e outras indústrias de entretenimento exigem medidas urgentes.

Pirataria que não afeta o mercado doméstico

Segundo a Aliança Internacional de Propriedade Intelectual (IIPA), os piratas digitais chineses criaram um modelo de negócios curioso: bloqueiam o acesso dentro da China e miram apenas o público estrangeiro. Assim, conseguem evitar as ações da lei local, mas lucram em mercados como América Latina, Sudeste Asiático e Taiwan.

Em um relatório apresentado à Representação de Comércio dos Estados Unidos, a entidade destacou que, mesmo com a pirataria ainda presente dentro da China, o verdadeiro foco de preocupação hoje é a exportação ilegal de conteúdo.

Plataformas e aplicativos sob suspeita

O documento cita nomes que já se tornaram conhecidos: a plataforma de TV por internet FlujoTV (antiga MagisTV), voltada para a América Latina; o aplicativo LokLok, popular no Sudeste Asiático; e o site GIMY, bastante acessado em Taiwan.

Essas operações oferecem desde transmissões de TV e filmes pirateados até dispositivos físicos que simulam serviços de streaming. A cada bloqueio ou denúncia, novos canais reaparecem com pequenas mudanças.

Reskinning: a nova face da pirataria de games

A IIPA também alertou sobre uma prática cada vez mais comum no setor de jogos: o reskinning. Em vez de simplesmente copiar um game por completo, os piratas fazem ajustes mínimos no código ou alteram elementos gráficos superficiais. O resultado é um produto quase idêntico, distribuído sem pagar direitos autorais, mas difícil de enquadrar legalmente como cópia direta.

Essa técnica garante maior longevidade às operações e torna o combate jurídico ainda mais lento e complexo.

Falhas na aplicação da lei chinesa

De acordo com a denúncia, o sistema chinês de proteção à propriedade intelectual é visto como lento, burocrático e inconsistente. Após uma primeira punição, os detentores dos direitos precisam apresentar novas reclamações caso o infrator reincida. Além disso, plataformas de e-commerce são obrigadas apenas a retirar itens específicos denunciados, sem necessidade de fechar lojas inteiras.

Outro ponto é o uso do geobloqueio: muitos serviços ilegais funcionam normalmente fora da China, mas bloqueiam o acesso interno para escapar de fiscalizações locais.

O que as empresas pedem a Pequim

A IIPA exige que a China invista mais recursos na Administração Nacional de Direitos Autorais, simplifique os procedimentos de denúncia e crie regras mais claras para plataformas que permitem conteúdo de usuários.

O grupo também cobra que o governo chinês aplique a lei contra operações piratas mesmo que não ofereçam serviços no país e aumente a cooperação internacional para impedir que essas plataformas explorem brechas em diferentes mercados.

Com Hollywood, gigantes do entretenimento digital e editoras pressionando em bloco, a questão pode ganhar contornos diplomáticos. Afinal, a pirataria “exclusiva de exportação” já não é apenas um problema comercial — é também um desafio geopolítico no cenário digital global.

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