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Tecnologia

O ouro entrou na era blockchain e agora é possível comprar apenas um grama sem tocar no metal

Uma das formas mais tradicionais de proteger patrimônio ganhou uma versão digital na Argentina, combinando ouro físico, blockchain e uma maneira diferente de investir pequenas quantias no metal.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Durante séculos, investir em ouro significou comprar moedas, barras ou recorrer a instrumentos financeiros ligados ao metal. Agora, uma tecnologia conhecida principalmente pelo universo das criptomoedas está mudando essa lógica. Uma nova plataforma permitirá que investidores argentinos adquiram pequenas frações de ouro físico representadas digitalmente, sem precisar guardar o metal em casa. A proposta promete facilitar o acesso, mas existem custos e características importantes antes de decidir se vale a pena.

Uma das formas mais antigas de investimento acaba de ganhar uma versão digital

O ouro entrou na era blockchain e agora é possível comprar apenas um grama sem tocar no metal
© Unsplash

O ouro costuma ganhar protagonismo em períodos de instabilidade econômica e financeira. Considerado por muitos investidores uma reserva de valor, o metal precioso agora começa a dividir espaço com uma alternativa que combina sua existência física com a infraestrutura digital da blockchain.

A novidade é o chamado ouro tokenizado.

Nesse modelo, o investidor não recebe uma barra ou moeda. Em seu lugar, compra um token digital que representa uma determinada quantidade de ouro real armazenada em instalações especializadas.

A Prosegur Crypto, divisão de ativos digitais da Prosegur, prepara a chegada desse serviço ao mercado argentino. A proposta reúne em uma única estrutura a compra, custódia, tokenização, comercialização e liquidez do metal.

Na primeira etapa, serão disponibilizados 2.000 tokens. Cada unidade corresponderá a um grama de ouro físico certificado e de alta pureza, mantido em instalações de segurança.

Os tokens acompanham a cotação internacional do ouro e podem ser transferidos ou vendidos pela plataforma.

A blockchain entra justamente como a infraestrutura responsável por registrar as operações, permitindo verificar a existência, movimentação e rastreabilidade dos ativos digitais.

Como é possível comprar apenas um grama pelo preço internacional do ouro

Um dos principais atrativos do sistema está na possibilidade de fracionamento.

Tradicionalmente, pequenos investidores podem encontrar condições menos favoráveis ao adquirir quantidades reduzidas de ouro físico. A tokenização permite dividir grandes barras em pequenas representações digitais.

Segundo a empresa, cada lingote utilizado na operação dará origem a 1.000 tokens. Assim, um investidor consegue adquirir somente um grama sem precisar comprar ou armazenar fisicamente uma barra inteira.

A cotação utilizada será baseada no mercado de Londres, com atualização a cada seis horas.

Para investir, será necessário realizar um cadastro na plataforma, informar os dados exigidos e vincular meios de pagamento e uma conta bancária.

Outro diferencial anunciado é a liquidez. Os tokens poderão ser vendidos 24 horas por dia e os recursos transferidos para a conta cadastrada.

Existe, entretanto, um detalhe importante: as comissões.

A operação prevê uma taxa de 4% na compra e 6% na venda. Isso significa que o produto não foi desenhado prioritariamente para investidores interessados em comprar e vender repetidamente em busca de pequenas oscilações do mercado.

As taxas fazem do ouro tokenizado uma aposta diferente de um ETF

Os custos de entrada e saída ajudam a entender melhor o perfil desse investimento.

Quem pretende negociar ouro com frequência pode encontrar em instrumentos como ETFs uma estrutura mais adequada. Já a proposta do ouro tokenizado é diferente porque existe metal físico diretamente associado aos tokens emitidos.

Por isso, a própria estrutura favorece uma estratégia de médio ou longo prazo.

A Prosegur argumenta que outra vantagem está na cadeia de custódia. A mesma companhia fica responsável pela aquisição dos lingotes, armazenamento e emissão dos ativos digitais correspondentes, reduzindo a quantidade de intermediários envolvidos no processo.

A empresa também se registrou na Argentina como Provedor de Serviços de Ativos Virtuais, categoria supervisionada pela Comissão Nacional de Valores do país.

A iniciativa surge em meio às mudanças regulatórias destinadas a organizar e ampliar as operações relacionadas ao ecossistema de ativos digitais argentino.

Um bunker combina cofres físicos com segurança digital

A estratégia vai além da comercialização direta dos tokens.

A Prosegur Crypto pretende oferecer sua infraestrutura para bancos, carteiras digitais e agentes do mercado financeiro interessados em incluir ouro tokenizado entre os investimentos disponíveis aos clientes.

A empresa afirma já manter conversas com diferentes instituições.

O projeto também faz parte de uma tendência maior conhecida como Real World Assets (RWA). O conceito consiste em representar ativos do mundo real, como imóveis, títulos financeiros ou metais preciosos, por meio de tokens registrados em blockchain.

Para sustentar essa operação, a companhia inaugurou na Argentina uma infraestrutura especializada na custódia de criptoativos.

O sistema funciona em um ambiente isolado da internet e combina armazenamento a frio, proteção física, sistemas criptográficos e mecanismos avançados de gerenciamento de chaves digitais.

É justamente essa união entre dois mundos que torna o projeto peculiar. De um lado, lingotes permanecem protegidos fisicamente em instalações de alta segurança. Do outro, tokens permitem movimentar pequenas frações desse patrimônio digitalmente.

A tecnologia não muda aquilo que tornou o ouro atraente durante séculos. O que muda é a maneira de acessá-lo. Agora, pelo menos na proposta apresentada para o mercado argentino, um investidor poderá possuir o equivalente a apenas um grama do metal, acompanhar seu preço internacional e negociá-lo sem jamais precisar ter uma barra de ouro nas mãos.

[Fonte: Reconquista radios]

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