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Uma faixa exibida pela Argentina após o jogo provocou repercussão muito além do futebol

Uma faixa exibida logo após a vitória sobre a Inglaterra transformou a classificação da Argentina para a final da Copa do Mundo em um novo foco de tensão. Agora, a decisão está nas mãos da FIFA.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A classificação da Argentina para a final da Copa do Mundo de 2026 parecia ter encerrado uma noite histórica dentro de campo. No entanto, o que aconteceu após o apito final passou a dominar o debate internacional. Uma celebração dos jogadores reacendeu uma antiga disputa diplomática, provocou reações de governos e levou a FIFA a analisar se haverá punições antes do duelo decisivo contra a Espanha.

Uma faixa após o apito final abriu uma nova frente de polêmica

A Argentina garantiu sua vaga na final da Copa do Mundo de 2026 depois de vencer a Inglaterra por 2 a 1 em uma emocionante virada, disputada em Atlanta. Atual campeã mundial, a seleção agora enfrentará a Espanha na decisão do torneio.

Mas o resultado esportivo rapidamente ficou em segundo plano.

Uma faixa exibida pela Argentina após o jogo provocou repercussão muito além do futebol
© YouTube

Assim que a partida terminou, jogadores argentinos comemoraram diante da torcida segurando uma faixa com a frase “Las Malvinas son Argentinas”. A mensagem fez referência à histórica disputa de soberania entre Argentina e Reino Unido pelas Ilhas Malvinas, conhecidas pelos britânicos como Falkland Islands.

O gesto repercutiu imediatamente fora dos gramados e motivou pedidos para que a FIFA investigasse o episódio. Pouco depois, a entidade confirmou que seu Comitê Disciplinar está analisando os relatórios oficiais da partida antes de decidir se alguma medida será adotada.

Segundo um porta-voz da FIFA, o procedimento segue o protocolo habitual da organização. Os documentos enviados pelos árbitros e delegados do jogo serão avaliados juntamente com as circunstâncias do caso para determinar se houve violação do Código Disciplinar da entidade.

Embora a investigação esteja em andamento, uma possibilidade já está descartada: a Argentina não corre risco de perder sua vaga na final.

O episódio também não é inédito. Em 2014, a Associação do Futebol Argentino (AFA) recebeu uma multa de aproximadamente US$ 27 mil após exibir uma faixa com a mesma mensagem antes de um amistoso contra a Eslovênia. Na ocasião, a FIFA considerou que a manifestação contrariava suas regras sobre mensagens de caráter político durante eventos esportivos.

Reino Unido cobra providências enquanto Milei separa futebol e diplomacia

A repercussão ultrapassou rapidamente o universo esportivo e chegou ao campo diplomático.

O governo britânico apoiou os pedidos para que a FIFA investigue o caso. Um porta-voz oficial do primeiro-ministro declarou que o Reino Unido mantém seu compromisso com as Ilhas Malvinas e defendeu que a entidade esportiva examine a atitude dos jogadores argentinos.

Dentro da Argentina, a reação foi diferente. O presidente Javier Milei afirmou que considera compreensível a manifestação dos atletas, mas destacou que o episódio não deve ser confundido com a política externa do país. Segundo ele, a reivindicação argentina sobre as ilhas continuará sendo conduzida exclusivamente pela via diplomática.

A disputa pelas Malvinas permanece uma das questões mais sensíveis entre os dois países. Em 1982, a junta militar argentina liderada por Leopoldo Galtieri ocupou o arquipélago, desencadeando uma guerra de 74 dias contra o Reino Unido.

O conflito terminou com a retomada do controle britânico sobre as ilhas e deixou 649 militares argentinos e 255 britânicos mortos, além de três civis das Malvinas.

Em 2013, os moradores do arquipélago participaram de um referendo para decidir seu futuro político. Mais de 99% dos votos foram favoráveis à permanência como território ultramarino britânico, resultado que continua sendo citado pelo Reino Unido como argumento contra a reivindicação argentina.

Há precedentes que podem influenciar a decisão da FIFA

Embora a entidade ainda não tenha anunciado qualquer punição, existem casos anteriores que ajudam a entender quais caminhos podem ser seguidos.

O líder do Partido Liberal Democrata britânico, Ed Davey, pediu que os jogadores responsáveis por exibir a faixa sejam suspensos da final contra a Espanha. Como exemplo, citou a punição aplicada pela UEFA aos espanhóis Álvaro Morata e Rodri após ambos cantarem “Gibraltar é espanhol” durante as comemorações do título da Eurocopa de 2024. Os dois acabaram suspensos por uma partida.

Outro precedente frequentemente lembrado ocorreu nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012.

Depois da conquista da medalha de bronze, o sul-coreano Park Jong-woo exibiu um cartaz afirmando que Dokdo — território disputado entre Coreia do Sul e Japão — pertencia ao seu país. A FIFA abriu um processo disciplinar e, meses depois, aplicou uma suspensão de duas partidas ao jogador, que ficou fora de compromissos das Eliminatórias da Copa do Mundo.

Especialistas apontam que esse histórico demonstra que a entidade costuma agir quando mensagens relacionadas a disputas territoriais aparecem em competições oficiais.

O episódio também gerou críticas e reações nas redes sociais

Uma faixa exibida pela Argentina após o jogo provocou repercussão muito além do futebol
© Unsplash

O governo das Ilhas Malvinas declarou estar decepcionado com a atitude da seleção argentina e afirmou esperar que a FIFA aplique suas regras de maneira rigorosa. Em nota, representantes do arquipélago defenderam que o esporte permaneça livre de disputas políticas.

No Reino Unido, integrantes do governo e da oposição adotaram um discurso semelhante. O secretário britânico de Comércio e Indústria, Peter Kyle, elogiou o comportamento da seleção inglesa durante o torneio e afirmou esperar uma investigação completa por parte da FIFA.

A líder do Partido Conservador, Kemi Badenoch, também declarou que a entidade máxima do futebol deveria analisar cuidadosamente o caso.

Enquanto isso, a expectativa permanece sobre a decisão do Comitê Disciplinar.

Caso a FIFA conclua que houve violação de suas normas sobre manifestações políticas, a Argentina poderá receber sanções administrativas ou esportivas. Ainda assim, tudo indica que qualquer eventual punição dificilmente afetará a realização da grande final da Copa do Mundo, marcada para domingo, quando argentinos e espanhóis disputarão o título mais importante do futebol.

[Fonte: BBC]

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