Enquanto os preços dos combustíveis variam amplamente na América Latina, um país em especial vem chamando atenção pelos seus altos custos: a Argentina. O diesel por lá já é o mais caro da região e, apesar de oscilações internacionais favoráveis, a tendência pode continuar em alta. Fatores internos e externos se misturam, criando um cenário delicado para consumidores, empresas e o próprio governo.
O diesel mais caro da América Latina
Segundo um relatório da consultoria Economía y Energía, o preço do litro de diesel na Argentina chegou a US$ 1,26, valor que empata com o do México, mas supera amplamente outros países vizinhos como Chile (US$ 0,98) e Brasil (US$ 1,07).
Já a gasolina “comum” custa cerca de US$ 1,20, ficando atrás apenas de Uruguai, Chile e México. A versão premium pode chegar a quase 1.500 pesos argentinos por litro, um peso enorme para o bolso dos consumidores.
Impostos congelados prestes a voltar e pressão dos biocombustíveis
Dois fatores principais explicam os preços elevados — e a possibilidade de novos aumentos. O primeiro é o reajuste dos impostos sobre combustíveis, que estavam congelados e podem voltar a ser cobrados a partir de maio. Especialistas estimam que essa medida pode elevar o preço da gasolina em até 17%.
O segundo fator é o aumento do custo dos biocombustíveis, componentes essenciais na mistura da gasolina e do diesel vendidos ao público. Com a alta nos preços desses insumos, o valor final ao consumidor sobe automaticamente.
A queda do petróleo pode aliviar o cenário
Apesar das pressões locais, o preço do barril Brent caiu para US$ 67,93, o menor valor desde 2021. Isso abre uma janela de alívio. Horacio Marín, presidente da estatal YPF, afirmou que a empresa consegue operar mesmo com o barril a US$ 40, e que, se a queda continuar, o consumidor “vai sentir no bolso”.

Sinais tímidos de recuperação nas vendas
Mesmo com os preços elevados, as vendas de combustíveis aumentaram 0,89% em março, após mais de um ano de queda. A gasolina teve alta de 3,51%, enquanto o diesel caiu 2,34%. Os combustíveis premium tiveram desempenho melhor, com aumentos acima de 10% em ambos os casos.
Diferenças regionais e desempenho das empresas
Entre as distribuidoras, DAPSA liderou o crescimento (21,55%), seguida por Delta Patagonia, Puma Energy, Shell e Axion. A exceção foi a YPF, que mesmo mantendo mais de 50% do mercado, registrou queda de 3,15%.
Regionalmente, Chubut, Tierra del Fuego e Buenos Aires tiveram aumento no consumo, enquanto Tucumán, CABA e La Rioja apresentaram queda.
Com tantos fatores em jogo, o futuro dos combustíveis na Argentina permanece incerto — mas tudo indica que o consumidor ainda enfrentará turbulências à frente.