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Ciência

O peixe que respira fora d’água e anda na terra: o invasor que está alarmando os EUA

Com capacidade de caminhar em terra firme e sobreviver dias sem água, esse peixe asiático está se espalhando pelos rios dos EUA e desequilibrando ecossistemas inteiros. A ameaça é tão séria que autoridades pedem sua eliminação imediata. Entenda o motivo do alerta crescente.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Em tempos de crescente preocupação ambiental, uma nova ameaça silenciosa vem tirando o sono de autoridades e especialistas nos Estados Unidos. Trata-se de um peixe exótico e resistente, capaz de respirar fora d’água e caminhar pela terra em busca de novos ambientes. O avanço desse predador invasor, vindo da Ásia, já compromete a biodiversidade em diversas regiões e exige medidas urgentes para conter sua expansão.

 

Um peixe que desafia as leis da natureza

Peixe Espada 1
© RWK007 – Vía Gizmodo ES

Originário do continente asiático, o peixe conhecido como cabeça-de-cobra-do-norte (Channa argus) apresenta características incomuns que o tornam um perigo ecológico. Com até um metro de comprimento, ele respira ar atmosférico e consegue se deslocar sobre o solo por vários dias, o que lhe permite alcançar novos corpos d’água com facilidade.

Segundo a Smithsonian Magazine, o grande risco está na sua resiliência a condições extremas e na sua capacidade de adaptação, superando com facilidade as espécies nativas dos ecossistemas que invade.

 

Como começou a invasão

O primeiro registro desse peixe nos Estados Unidos ocorreu em 2002, em Crofton, Maryland. Acredita-se que sua chegada tenha sido provocada por liberações acidentais ou intencionais, vindas do comércio de aquarismo ou de peixes vivos.

Desde então, o cabeça-de-cobra se espalhou por estados como Nova York, Nova Jersey, Pensilvânia, Arkansas e Missouri, onde foi encontrado em um canal de drenagem em 2019. Sua capacidade de reprodução rápida e adaptação a diferentes ambientes preocupa especialistas e dificulta o controle da espécie.

 

Um predador voraz com impacto devastador

Além do comportamento peculiar, esse peixe se destaca pela agressividade como predador. Ele se alimenta de peixes menores, crustáceos e outros organismos aquáticos, colocando em risco o equilíbrio ecológico e ameaçando espécies nativas.

Seu sistema respiratório especializado lhe permite sobreviver em ambientes pobres em oxigênio, o que amplia ainda mais sua capacidade de dominar novos territórios e transforma sua presença em um desafio ecológico complexo.

 

Reprodução acelerada e defesa feroz

A reprodução do cabeça-de-cobra é um dos fatores que mais preocupam os especialistas. Cada fêmea pode produzir até 50 mil ovos por vez, que eclodem em apenas um ou dois dias.

Durante o período de incubação, o casal torna-se extremamente territorial e agressivo, defendendo os filhotes com ataques a qualquer ameaça próxima. Esse comportamento, raro entre peixes invasores, torna o controle da espécie ainda mais difícil.

 

Medidas emergenciais e incentivo à captura

Diante da ameaça, os órgãos ambientais dos EUA adotaram medidas drásticas. De acordo com a Smithsonian Magazine, qualquer pescador que capturar um cabeça-de-cobra deve matá-lo imediatamente, seja decapitando, eviscerando ou selando o animal em um saco plástico.

Angela Sokolowski, do Departamento de Conservação do Missouri, explicou ao New York Times que o método de eliminação fica a critério do pescador. O transporte interestadual e o comércio da espécie são proibidos, mas o consumo é permitido — inclusive incentivado, já que sua carne é considerada macia e saborosa.

 

O papel da população e como identificar o invasor

Uma das dificuldades no combate à espécie é a identificação correta, já que o cabeça-de-cobra pode ser confundido com peixes nativos, como o bowfin. A principal diferença está na nadadeira anal longa e na ausência de uma mancha escura na cauda, característica presente no bowfin.

O Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA pede que qualquer avistamento seja imediatamente reportado, com foto e localização. Embora a erradicação total seja improvável, a colaboração da população tem sido essencial para conter o avanço da espécie em algumas regiões.

Como concluem os especialistas, enfrentar essa ameaça depende da ação conjunta entre governo, cientistas e cidadãos. O tempo para conter o “peixe que anda” está se esgotando — e o futuro da biodiversidade aquática pode depender disso.

 

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