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O peso da Selic no bolso dos brasileiros: por que os financiamentos caíram no DF

Com a taxa básica de juros em alta, o número de financiamentos imobiliários no Distrito Federal despencou. Em apenas sete meses, a queda ultrapassou 14% no volume de unidades financiadas. Enquanto isso, cresce a busca por alternativas como o consórcio para manter vivo o sonho da casa própria.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Comprar um imóvel sempre foi um dos maiores desejos da população do Distrito Federal. Porém, o aumento da Selic nos últimos meses tem adiado esse objetivo. Dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) mostram queda tanto no número de unidades financiadas quanto no valor total liberado. Com financiamentos bancários mais caros, muitas pessoas buscam outras soluções de crédito para não deixar o sonho da casa própria de lado.

Queda nos financiamentos

Entre janeiro e julho de 2024, foram 7.681 imóveis financiados no DF. No mesmo período de 2025, o número caiu para 6.569 — uma redução de 14,5%. O valor total financiado também diminuiu: de R$ 3,27 bilhões para R$ 2,98 bilhões, queda de 8,75%.

Segundo especialistas, a alta da Selic encarece o crédito imobiliário e restringe o acesso à modalidade. As parcelas ficam mais pesadas e os bancos exigem comprovação de renda maior, o que reduz a base de clientes aptos a obter financiamento.

Juros altos e crédito restrito

Para o planejador financeiro Wesley Macan, o aumento da Selic impactou diretamente as linhas de crédito. “As instituições financeiras precisam repassar esse custo para os consumidores, tornando os financiamentos mais caros”, explica.

Além do valor mais elevado das prestações, os bancos exigem comprovação de renda compatível com pelo menos três vezes o valor da parcela, o que dificulta ainda mais a concessão de crédito com alienação fiduciária.

Mercado imobiliário mantém resiliência

Apesar da queda nos financiamentos bancários, o presidente do Sinduscon-DF, Adalberto Cleber Valadão Júnior, afirma que as vendas em geral têm se mantido estáveis. Construtoras têm oferecido financiamento direto e compradores à vista têm compensado parte da retração.

Já o presidente da Ademi-DF, Celestino Fracon Júnior, acredita que o mercado segue saudável e preparado para atender a demanda. Ele lembra que a redução recente das taxas pelo BRB, para 10,5% ao ano, pode impulsionar novas negociações no segundo semestre.

Casa Propria
© Proxima Studio

O avanço dos consórcios

Com os juros em alta, o consórcio imobiliário vem se destacando como alternativa. Dados da Abac mostram que, no primeiro semestre de 2025, as cotas vendidas no DF cresceram 36,4% em relação ao mesmo período de 2024, chegando a 10,4 mil. O número de participantes ativos também aumentou quase 24%.

Segundo Wesley Macan, o consórcio oferece custo financeiro menor que o financiamento tradicional e exige comprovação de renda menos rigorosa. As parcelas mais baixas tornam o produto mais acessível, ampliando o número de pessoas que conseguem aderir.

Perspectivas para o setor

Mesmo com juros altos e cenário econômico incerto, especialistas avaliam que o mercado imobiliário do DF segue maduro. O desafio está em equilibrar crédito caro com novas alternativas para que a demanda não perca força. A expectativa é de que movimentos como a redução de taxas do BRB ajudem a manter o setor em crescimento no segundo semestre.

Fonte: Metrópoles

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