A aposta da Meta: dividir para acelerar
A divisão da empresa, agora chamada de Meta Superintelligence Labs (MSL), foi reorganizada em quatro equipes principais:
- Pesquisa básica: criar novos métodos de aprendizado de máquina.
- Desenvolvimento de superinteligência: foco total na IA mais avançada possível.
- Integração de produtos: levar a tecnologia para Instagram, WhatsApp, Threads e Oculus.
- Infraestrutura: construir data centers e supercomputadores dedicados.
Segundo o The New York Times, a Meta vê essa estratégia como essencial para alcançar a chamada AGI (Artificial General Intelligence), ou inteligência artificial geral — um estágio intermediário antes da superinteligência artificial.
Afinal, o que é superinteligência artificial?

A superinteligência artificial (ASI, na sigla em inglês) ainda é um conceito teórico, mas altamente disputado no Vale do Silício. Trata-se de um sistema com capacidades cognitivas muito superiores às humanas, capaz de aprender, raciocinar, criar e tomar decisões sem limitações biológicas.
Para chegar lá, é preciso passar pela AGI: uma IA capaz de aprender sozinha e se adaptar a diferentes contextos, como um ser humano. Isso exige avanços em várias frentes:
- Redes neurais complexas
- Computação neuromórfica (imitando o cérebro humano)
- IA multissensorial
- Processamento de linguagem natural avançado
- Autoprogramação
Hoje, sistemas como IA generativa, carros autônomos e assistentes virtuais já dão sinais de como esse futuro pode ser.
Zuckerberg quer dominar a corrida pela AGI

A Meta não está sozinha nessa disputa. OpenAI, Google DeepMind e Anthropic também investem bilhões na busca pela AGI. Mas Zuckerberg quer ganhar escala rápido.
Em junho de 2025, ele criou um laboratório exclusivo para superinteligência e contratou Alexandr Wang, fundador da Scale AI, como chief AI officer. Para atrair talentos, a empresa oferece salários milionários e ações generosas, desencadeando uma guerra de contratações no Vale do Silício.
O investimento é gigantesco: só em 2025, a Meta deve gastar US$ 72 bilhões (R$ 394 bilhões), boa parte para data centers e supercomputadores dedicados à IA.
Mas nem tudo saiu como planejado: o modelo “Behemoth”, considerado a principal aposta, foi descartado após resultados decepcionantes. Agora, a Meta foca em um novo modelo fechado, abandonando a antiga política de código aberto.
Os impactos — e riscos — da superinteligência
Defensores da ASI acreditam que ela pode revolucionar o mundo. Com capacidade de processar volumes imensos de dados, ela poderia:
- Acelerar descobertas científicas
- Criar novos tratamentos de saúde
- Resolver problemas climáticos complexos
- Otimizar sistemas econômicos e energéticos
Por outro lado, os riscos são enormes. Pesquisadores alertam para cenários de IA incontrolável, onde máquinas superinteligentes poderiam agir fora do controle humano. Isso levanta questões éticas profundas:
- Desemprego tecnológico em larga escala
- Manipulação de informações
- Concentração de poder nas big techs
- Potenciais ameaças à segurança global
A Meta quer liderar a próxima revolução
Com essa reorganização, Zuckerberg deixa claro que quer a Meta como protagonista na próxima grande revolução tecnológica. Se conseguir chegar à superinteligência artificial antes dos concorrentes, a empresa pode definir padrões globais para o futuro da tecnologia — e, talvez, para o futuro da humanidade.
A Meta reorganizou sua divisão de IA pela quarta vez em seis meses para acelerar o desenvolvimento de superinteligência artificial. O objetivo de Zuckerberg é criar sistemas mais poderosos que o cérebro humano e assumir a liderança na corrida contra OpenAI e Google — um futuro com potencial transformador, mas também cheio de riscos.
[ Fonte: Época Negocios ]