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Ciência

O que está por trás da enorme mancha verde que apareceu perto da Nova Zelândia

Uma imagem de satélite revelou uma enorme formação verde e azul no meio do Pacífico. O fenômeno tinha centenas de quilômetros e uma origem muito mais natural do que parecia.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Vista do espaço, a cena parecia saída de um mapa de contaminação: uma enorme região verde-azulada se espalhava pelo oceano, formando espirais e longos filamentos. A escala era tão impressionante que seria fácil imaginar algum tipo de acidente ambiental. Mas as imagens registradas por satélites escondiam uma explicação completamente diferente. E, para encontrá-la, era preciso olhar não para a superfície, mas para aquilo que estava acontecendo dentro da água.

O oceano ganhou uma cor impossível de ignorar

Em 10 de janeiro de 2026, o satélite americano NOAA-20 registrou uma formação gigantesca ao redor das ilhas Chatham, um arquipélago remoto localizado no Pacífico, a cerca de 800 quilômetros a leste da Nova Zelândia.

A estrutura tinha aproximadamente 200 quilômetros de comprimento e 120 quilômetros de largura. Em meio ao azul do oceano, seus tons verdes e azulados formavam grandes redemoinhos e filamentos, criando uma aparência que poderia facilmente ser confundida com um enorme vazamento.

Só que não havia um derramamento de petróleo, produto químico ou outro tipo de poluição escondido naquela região.

O que os satélites estavam observando era um fenômeno biológico em uma escala impressionante.

A formação era dominada por fitoplâncton: organismos microscópicos capazes de realizar fotossíntese e que vivem suspensos nas camadas superficiais dos oceanos. Quando encontram uma combinação adequada de luz e nutrientes, essas populações podem crescer rapidamente.

A concentração de organismos altera a maneira como a luz é refletida pela água. É justamente isso que permite que uma florada de fitoplâncton suficientemente grande seja vista do espaço.

E havia ainda outro detalhe. As imagens não foram captadas por apenas um satélite.

O Sentinel-3, da Agência Espacial Europeia, identificou a mesma florada cerca de uma hora e meia antes do NOAA-20, permitindo acompanhar o fenômeno praticamente em tempo real.

O segredo estava na mistura de águas

Para entender por que aquela região ficou tomada de verde, é necessário olhar para o fundo do oceano.

As ilhas Chatham estão sobre uma grande plataforma submarina que interfere na circulação das águas. De um lado chegam águas subtropicais relativamente quentes. De outro, massas de água mais frias provenientes de regiões próximas à Antártida.

Essas águas carregam combinações diferentes de nutrientes e elementos essenciais ao crescimento do fitoplâncton.

O relevo submarino ajuda a misturá-las, criando condições particularmente favoráveis para uma explosão de vida microscópica. Durante o verão do hemisfério sul, o cenário fica ainda mais propício: os dias mais longos fornecem muitas horas de luz para alimentar a fotossíntese.

O resultado é uma espécie de “fertilização” natural do oceano.

As correntes, então, transportam as enormes concentrações de organismos pela superfície. É esse movimento que ajuda a criar as formas espiraladas e os filamentos registrados nas imagens de satélite.

Em janeiro de 2026, o processo atingiu uma intensidade excepcional. Dados do Sentinel-3 indicaram que aquela foi a florada mais intensa registrada na região em pelo menos uma década.

A fase mais forte durou aproximadamente três semanas. Depois, a formação começou a perder intensidade e se deslocou para o leste, sendo gradualmente remodelada pelas correntes oceânicas.

A mancha também revela algo importante sobre o oceano

O fitoplâncton pode ser microscópico, mas sua importância está longe de ser pequena.

Esses organismos formam uma das bases das cadeias alimentares marinhas. Servem de alimento para o zooplâncton, que por sua vez sustenta peixes e outros animais. Nas águas próximas às Chatham, essa produtividade ajuda a sustentar espécies como lagostas, bacalhau-azul e pāua.

O fitoplâncton também participa do ciclo global do carbono e produz uma parcela importante do oxigênio presente na atmosfera.

Isso explica por que uma imagem aparentemente estranha pode ser cientificamente tão valiosa. Ao observar a cor do oceano do espaço, os pesquisadores conseguem acompanhar onde essas comunidades estão crescendo, quanto tempo permanecem concentradas e para onde são levadas pelas correntes.

Mas existe uma ressalva importante.

Nem toda florada de fitoplâncton é necessariamente benigna. Algumas espécies podem produzir toxinas, enquanto grandes concentrações de organismos em decomposição podem consumir oxigênio e prejudicar outros seres marinhos.

Por isso, os satélites funcionam também como ferramentas de monitoramento ambiental.

A gigantesca mancha verde das ilhas Chatham não era um sinal de contaminação. Era algo muito mais fascinante: uma explosão de vida microscópica suficientemente grande para transformar a aparência do oceano e ser vista do espaço.

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