Depois de tropeços recentes e de um certo cansaço do público com adaptações em ação real, parecia que a Disney pisaria no freio. Mas bastou um sucesso inesperado nas bilheterias para mudar o cenário. Um projeto que estava praticamente esquecido voltou à ativa — e agora, com protagonistas definidos, promete reacender a chama de um dos filmes mais queridos da era moderna do estúdio.
Um retorno impulsionado por números, não por nostalgia
Durante meses, a sensação era de que os remakes da Disney tinham entrado em modo de contenção. O desempenho morno de algumas produções levantou dúvidas sobre até que ponto o público ainda estaria disposto a revisitar clássicos recentes em versões de carne e osso. Só que o mercado falou mais alto.
O ótimo desempenho de Lilo & Stitch nos cinemas, encerrando 2025 entre os títulos mais vistos do ano, funcionou como um sinal claro: ainda há espaço — e dinheiro — para esse tipo de aposta. Com isso, projetos que pareciam engavetados ganharam nova vida. Entre eles, o remake de Enrolados, animação lançada em 2010 e considerada um dos maiores acertos da Disney moderna.
A decisão não veio acompanhada de grandes anúncios épicos, mas de movimentos concretos. O principal deles: a escolha do novo casal protagonista, um passo decisivo que tira o filme do campo das intenções e o coloca, de vez, em rota de produção.
Rostos novos para personagens muito conhecidos
A Disney optou por nomes jovens, mas longe de serem apostas completamente desconhecidas. A escolhida para viver Rapunzel é Teagan Croft, atriz que ganhou destaque ao interpretar Raven na série Titans. No papel, ela mostrou facilidade para transitar entre fragilidade emocional e força interior — características centrais da personagem.
Nos últimos anos, Croft também buscou diversificar sua carreira fora do universo fantástico, o que pesa a favor em uma produção que exige mais do que apenas carisma visual. A nova Rapunzel, ao que tudo indica, não será apenas uma cópia da animação, mas uma releitura pensada para outro tipo de linguagem.
Ao seu lado estará Milo Manheim, escalado como Flynn Rider. Bastante conhecido pelo público jovem graças à franquia Zombies, do Disney Channel, Manheim vem tentando expandir seu repertório com projetos fora da “bolha Disney”. Trabalhos recentes no cinema de terror e comédia ajudaram a construir uma imagem mais versátil, algo essencial para um personagem que mistura humor, charme e ambiguidade moral.
Um diretor que aposta no espetáculo
Outro sinal de que a Disney quer algo além do básico está na escolha do diretor. Michael Gracey, responsável por O Rei do Show, assume o comando do projeto. Seu histórico aponta para uma condução visualmente grandiosa e, principalmente, para um cuidado especial com números musicais.
Isso não é detalhe. Enrolados se destacou justamente pela força de suas canções e pela forma como a música impulsionava a narrativa. Manter — ou até elevar — esse elemento é uma das chaves para justificar a existência do remake. A expectativa é que Gracey traga uma abordagem mais autoral, evitando a simples reprodução cena a cena do filme original.
Um projeto que quase não aconteceu
O caminho até aqui não foi simples. O remake de Enrolados chegou a ser anunciado, depois discretamente cancelado, e passou anos em silêncio absoluto. Para muitos, estava morto. O sucesso recente de outros live-actions, porém, mudou o humor interno do estúdio.
Ainda assim, a Disney avança com cautela. Não há data oficial de estreia, embora tudo indique uma janela em 2027. O cronograma dependerá tanto das filmagens quanto da recepção de outros remakes que ainda estão por vir.
A reação dos fãs, como era esperado, já é dividida. Comparações, críticas e debates começaram assim que os nomes vieram a público. Resta saber se essa nova versão conseguirá se libertar da sombra da animação original — ou se ficará presa a ela, como um cabelo longo demais para ser cortado.