Quando pensamos em jogos, a imagem que surge costuma ser a de uma tela, um joystick ou, mais recentemente, um óculos de realidade virtual. Mas uma nova revolução está acontecendo em silêncio: experiências que misturam objetos físicos e mundos digitais estão surgindo em diferentes áreas, do entretenimento à educação. É a era dos jogos phygital — ou “figitais” — que pode transformar a maneira como interagimos com a tecnologia e até mesmo com outras pessoas.
O que são os jogos figitais?
O termo “phygital” nasce da fusão entre physical (físico) e digital. A ideia é simples, mas poderosa: unir elementos tangíveis com experiências virtuais interativas. Imagine cartas físicas que liberam missões no celular, peças reais que se movimentam em uma mesa e alteram cenários na tela, ou sensores que transformam os seus movimentos em desafios digitais.
Essa convergência só se tornou possível graças ao avanço da realidade aumentada, de dispositivos como RFID e da popularização dos aplicativos móveis. O resultado é um formato que desperta sentidos, prende a atenção e oferece algo que nem os videogames clássicos nem as telas sozinhas conseguiam entregar.
Exemplos que já estão mudando as regras
Embora muita gente ainda não perceba, os jogos figitais já estão entre nós. O título Chronicles of Crime, por exemplo, permite que jogadores investiguem crimes escaneando cartas físicas que revelam pistas digitais. A franquia Skylanders levou bonecos de brinquedo diretamente para batalhas em universos virtuais.
E não se trata apenas de lazer. No universo do fitness, aplicativos que sincronizam exercícios reais com disputas online estão crescendo rapidamente, incentivando uma geração inteira a se movimentar de forma divertida e competitiva.
Educação em modo phygital
O poder dessa tendência vai além da diversão. Projetos como Phygital School Games mostram como o conceito pode transformar a sala de aula. Nessas iniciativas, os alunos participam de desafios que combinam tarefas físicas com missões virtuais, estimulando não apenas o aprendizado de conteúdos, mas também habilidades motoras, criatividade, concentração e trabalho em equipe.
De acordo com estudos recentes, a melhora na coordenação e na resolução de problemas em crianças pode chegar a 40%. Em outras palavras, o phygital tem o potencial de revolucionar a forma como ensinamos e aprendemos.
O futuro já começou
O entretenimento figital não é uma moda passageira. Relatórios de mercado indicam que esse setor deve crescer mais de 25% ao ano até 2030. Grandes marcas como LEGO e Nike já investem em produtos híbridos, misturando o toque físico com a magia digital.
Eventos esportivos também dão sinais dessa transformação. Em 2023, a cidade de Kazan, na Rússia, recebeu partidas internacionais de Futebol Phygital, combinando movimentos reais e desafios virtuais em tempo real.
A questão, portanto, não é se essa tendência vai dominar o mercado, mas quanto tempo levaremos para perceber que já estamos vivendo nela.