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Ciência

O Sol está dançando: cientistas detectam pela primeira vez ondas magnéticas torsionais em sua atmosfera

Após mais de 80 anos de mistério, os astrônomos finalmente observaram as ondas magnéticas torsionais que agitam a coroa solar. O fenômeno, previsto desde 1942, ajuda a explicar por que a atmosfera do Sol é milhões de graus mais quente que sua superfície — e pode mudar o modo como compreendemos o astro.
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Durante décadas, o comportamento extremo da atmosfera solar intrigou os cientistas. Como poderia o Sol ser mais quente por fora do que por dentro? Agora, uma descoberta inédita fornece uma das respostas mais esperadas da física solar moderna. Um grupo internacional de astrônomos captou pela primeira vez as ondas magnéticas torsionais que percorrem a coroa solar, revelando o “balé invisível” que alimenta a energia do astro rei.

Um enigma de 80 anos resolvido

O achado, publicado na revista Nature Astronomy, foi possível graças ao Telescópio Solar Daniel K. Inouye, o mais poderoso do mundo, localizado no Havaí. O instrumento registrou de forma inédita as chamadas ondas de Alfvén torsionais, previstas em 1942 pelo físico sueco Hannes Alfvén.

Essas ondas são perturbações magnéticas que se propagam pelo plasma do Sol, girando e se retorcendo como se o astro estivesse dançando. Sua existência explica um dos maiores mistérios da astronomia: por que a coroa solar — a camada mais externa — atinge temperaturas de milhões de graus, enquanto a superfície visível mal ultrapassa 5.500 °C.

As ondas que alimentam o Sol

As ondas de Alfvén funcionam como condutoras de energia, transportando calor e movimento através do plasma. São elas que, segundo os cientistas, sustentam o vento solar — o fluxo constante de partículas que o Sol libera no espaço e que pode afetar comunicações, satélites e redes elétricas na Terra.

Até agora, apenas grandes padrões dessas ondas haviam sido detectados durante erupções solares. O telescópio Inouye, com sua resolução sem precedentes, permitiu observar movimentos muito menores, mas contínuos, espalhados por toda a superfície solar.

Balé Solar1
© NoticieroSLV – X

A técnica que revelou o “balé solar”

A pesquisa foi liderada pelo professor Richard Morton, da Universidade de Northumbria, no Reino Unido. Ele desenvolveu uma técnica inovadora para separar o movimento torsional das oscilações mais amplas do plasma.

“O movimento do plasma costuma mascarar as torções”, explicou Morton. “Com nossa análise, conseguimos isolar e visualizar o giro puro dessas ondas — algo que nunca havia sido feito antes.” O grupo também colaborou na construção do sistema óptico de alta precisão do telescópio.

Um Sol mais vivo do que nunca

A confirmação dessas ondas representa um salto na compreensão do clima espacial e da dinâmica energética solar. “Agora podemos comparar nossos modelos teóricos com observações reais”, afirmou Morton.

As imagens revelam que o Sol não é um corpo estático, mas uma estrutura viva e pulsante, onde campos magnéticos e plasma dançam em perfeita harmonia. E é esse movimento invisível, detectado pela primeira vez, que pode guardar o segredo de sua energia eterna.

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