O Sol é essencial para a vida na Terra, mas está longe de ser uma estrela tranquila. Erupções solares lançam enormes quantidades de energia e podem provocar tempestades capazes de interferir em satélites, comunicações, GPS e redes elétricas.
Agora, um novo estudo encontrou evidências de que nossa estrela pode ser capaz de algo ainda mais extremo: as chamadas supererupções solares, explosões com energias muito superiores às maiores erupções já observadas diretamente no Sol.
A descoberta não significa que uma supererupção esteja prestes a acontecer. O trabalho mostra que o Sol possui, ao menos em princípio, as condições físicas necessárias para produzir uma.
Cientistas analisaram as 300 maiores erupções solares
O estudo, publicado na revista Philosophical Transactions of the Royal Society A, foi liderado por Natalie Krivova, do Instituto Max Planck para Pesquisa do Sistema Solar.
Os pesquisadores analisaram observações feitas entre 2010 e 2016 pelo Solar Dynamics Observatory, da NASA.
Entre os dados disponíveis, selecionaram as 300 erupções solares mais fortes registradas nesse período.
Em seguida, compararam a energia liberada por cada evento com o tamanho da região ativa onde ele havia surgido.
Essas regiões aparecem associadas às manchas solares e possuem campos magnéticos particularmente fortes e complexos. Quando essa estrutura magnética se reorganiza de maneira repentina, grandes quantidades de energia podem ser liberadas na forma de uma erupção solar.
Os pesquisadores encontraram uma relação estatística entre o tamanho dessas regiões e a energia produzida pelas explosões.
As maiores manchas solares poderiam produzir supererupções
A equipe então aplicou essa relação às maiores manchas solares já documentadas na história.
A partir do tamanho delas, os cientistas estimaram as dimensões das regiões ativas associadas e calcularam quanta energia poderia ter sido liberada em condições extremas.
O resultado mostrou que algumas das maiores regiões registradas seriam, teoricamente, grandes o suficiente para produzir uma supererupção.
“Nosso Sol tem potencial para supererupções”, afirmou Krivova ao divulgar os resultados.
Isso não significa que os eventos históricos analisados tenham produzido explosões desse tamanho. O estudo também não estimou com que frequência uma supererupção poderia acontecer.
Ele demonstra apenas que as dimensões das estruturas magnéticas já observadas no Sol são compatíveis com a energia necessária para eventos muito mais extremos.
Outras estrelas semelhantes ao Sol já fizeram isso
A possibilidade ganha força quando os astrônomos observam outras estrelas.
Pesquisas anteriores descobriram que estrelas semelhantes ao Sol em tamanho e temperatura podem produzir supererupções extremamente energéticas. Algumas estimativas sugerem uma ocorrência média da ordem de uma vez por século entre estrelas parecidas com a nossa.
Mas isso não significa que o Sol necessariamente produza uma supererupção a cada 100 anos. O número é uma média estatística obtida a partir de milhares de estrelas diferentes.
A humanidade também observa detalhadamente o Sol há pouquíssimo tempo quando comparado aos seus 4,6 bilhões de anos de existência.
Existem registros indiretos de eventos solares extremamente intensos no passado. Picos de determinados isótopos radioativos foram encontrados em anéis de árvores, núcleos de gelo e até meteoritos.
Ainda não está claro, porém, se esses eventos foram provocados especificamente por supererupções.
Uma explosão extrema poderia atingir nossa tecnologia
Mesmo sem chegar ao nível de uma supererupção, tempestades solares já mostraram seu potencial destrutivo.
Em 2003, as chamadas tempestades solares de Halloween afetaram mais da metade dos satélites em órbita da Terra, interferiram em GPS e comunicações de rádio e obrigaram missões espaciais a adotar medidas de segurança.
Uma supererupção direcionada à Terra poderia representar um desafio muito maior, dependendo também de outros fenômenos associados e da orientação da atividade solar.
Redes elétricas, satélites, sistemas de navegação e comunicações poderiam enfrentar impactos severos.
O novo estudo não diz quando — ou sequer com que frequência — um evento dessa magnitude poderia acontecer.
Mas acrescenta uma peça importante ao quebra-cabeça: fisicamente, o Sol parece possuir o potencial necessário para produzir explosões muito maiores do que qualquer uma que a humanidade já tenha observado diretamente.
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