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Ciência

O surpreendente segredo por trás dos enxames de mosquitos revelado por modelo matemático

Pesquisadores brasileiros desvendaram como os mosquitos conseguem formar enxames sem precisar de informações complexas ou sinais de longa distância. A resposta está em um modelo simples e poderoso que também pode inspirar avanços na robótica e inteligência artificial.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Ao entardecer, nuvens de mosquitos surgem de forma quase mágica. Mas o que parecia um comportamento caótico, agora tem explicação científica. Um estudo brasileiro revelou que esses insetos se organizam a partir de interações extremamente locais. Essa descoberta não apenas revela o segredo dos mosquitos, como também abre caminho para novas aplicações em robótica e sistemas inteligentes.

Um modelo simples para um fenômeno complexo

O estudo foi conduzido pelo Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão em Neuromatemática (NeuroMat), da Universidade de São Paulo, e publicado na Revista Brasileira de Física. Os pesquisadores utilizaram simulações computacionais tridimensionais para investigar como os mosquitos se organizam em enxames.

A base do modelo é a vizinhança de Moore, usada frequentemente em simulações. Ela divide o espaço em grades de 3x3x3 pontos, onde cada mosquito ajusta sua posição com base nos 26 vizinhos mais próximos. Sem precisar de um ponto central ou coordenadas globais, o enxame se forma naturalmente.

Essa organização local é suficiente para reproduzir o comportamento real dos mosquitos observado na natureza, inclusive sua movimentação e dispersão.

Outras teorias sobre os enxames

 Um estudo brasileiro revelou que esses insetos se organizam a partir de interações extremamente locais.
© Unsplash

Apesar da eficácia do modelo de vizinhança local, outras hipóteses ainda circulam sobre a formação dos enxames. Uma delas sugere que os mosquitos são atraídos por um ponto central, como se estivessem ligados por um fio elástico invisível. Isso explicaria, por exemplo, quando eles se agrupam em torno de lâmpadas.

Outra possibilidade é que os mosquitos calculem a distância até o centro do grupo. Há ainda quem defenda que o comportamento coletivo depende da densidade dos insetos, com mais ou menos coesão conforme a quantidade reunida.

Transições de fase: uma ponte entre física e biologia

Um dos achados mais notáveis do estudo foi a identificação de duas fases distintas no comportamento dos enxames simulados: uma fase compacta e rígida, e outra mais dispersa. Na transição entre essas fases — chamada de transição de fase de segunda ordem — o modelo consegue representar com mais precisão os enxames naturais.

Esse conceito é comum na física, como em mudanças de estado da matéria. Agora, ele também ajuda a explicar como organismos vivos tomam decisões em grupo, sem necessidade de controle centralizado ou comunicação extensa.

Decisões coletivas na natureza e na tecnologia

O comportamento coletivo dos mosquitos é apenas um entre muitos exemplos na natureza. Colônias de formigas, enxames de abelhas e até grupos de mamíferos tomam decisões em conjunto para sobreviver e se reproduzir melhor.

Segundo a revista Springer Nature, esses sistemas biológicos inspiraram o desenvolvimento de tecnologias como a robótica em enxame e algoritmos de otimização. Diferente das redes neurais, que contam com inibição explícita entre sinais, os sistemas naturais geralmente operam com reforço positivo.

Enxames robóticos e soluções inteligentes

A compreensão do comportamento coletivo ajudou a criar robôs que operam em grupo, mesmo com capacidades individuais limitadas. Um desafio comum é o chamado “problema do melhor entre n”: como o grupo escolhe a melhor alternativa entre várias opções?

Esse problema é especialmente relevante em ambientes imprevisíveis, como zonas de desastre ou locais com recursos escassos. Para enfrentá-los, foram desenvolvidos mecanismos de adaptação como os “agentes teimosos”, que mantêm sua posição, e mudanças espontâneas de opinião, que tornam o sistema mais flexível.

 

Fonte: Infobae

 

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