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Tecnologia

O trabalho está mudando: quais habilidades ajudam a acompanhar essa transformação?

Conhecimento técnico continua importante, mas divide espaço com domínio digital, capacidade de aprender e colaboração. A expansão da inteligência artificial também exige rever processos dentro das empresas. Relatórios internacionais apontam mudanças nas competências profissionais, enquanto especialistas destacam a necessidade de preparar trabalhadores para atividades e trajetórias menos previsíveis.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Aprender uma profissão e repetir os mesmos métodos durante décadas já não descreve todas as carreiras. Novas ferramentas alteram tarefas, reorganizam equipes e exigem atualização. Nesse cenário, conhecer bem uma área permanece essencial, mas precisa vir acompanhado da capacidade de trabalhar com tecnologia e outras pessoas. O desafio envolve tanto quem procura emprego quanto as organizações responsáveis por oferecer condições para essa adaptação.

Domínio digital vai além de conhecer aplicativos

Os benefícios do trabalho estão entrando em uma nova era e não se trata apenas de digitalização
© Imagem gerada com IA

Em entrevista à Cadena 3, a especialista em gestão e cultura organizacional Sandra Olive afirmou que a formação técnica precisa ser complementada por familiaridade com tecnologia, abertura ao aprendizado e capacidade de lidar com a incerteza.

Ela utiliza a expressão “coeficiente digital” para descrever a desenvoltura com ferramentas tecnológicas. A ideia envolve compreender como esses recursos participam do trabalho, acompanhando mudanças nas atividades e na circulação das informações.

Para Olive, incorporar tecnologia também exige repensar a organização. Automatizar uma tarefa isolada pode fazer parte desse processo, mas a transformação alcança a maneira como equipes compartilham informações e executam suas responsabilidades.

Um exemplo prático seria adotar uma ferramenta que produz relatórios automaticamente. Além de aprender a utilizá-la, a equipe precisa definir quem confere os resultados e como eles entram nas decisões.

Aprender continuamente ganha importância

As expectativas dos empregadores ajudam a dimensionar essa mudança. No Future of Jobs Report 2025, o Fórum Econômico Mundial informa que as empresas consultadas esperam mudanças em 39% das habilidades centrais dos trabalhadores até 2030.

O levantamento reúne previsões empresariais. Portanto, o percentual expressa uma expectativa sobre a evolução das competências, e não uma certeza sobre o destino de cada profissão.

Pensamento analítico continua entre as capacidades mais valorizadas. Conhecimentos de inteligência artificial e dados também ganham espaço, assim como criatividade, flexibilidade e disposição para aprender. A combinação indica que a preparação profissional envolve competências técnicas e humanas.

Na prática, atualizar-se pode começar por uma necessidade concreta: entender uma ferramenta usada pela equipe, melhorar a análise de informações ou aprender um procedimento que mudou. Isso dá uma finalidade clara ao aprendizado.

A exposição à IA não equivale à perda do emprego

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© Shutterstock

Uma pesquisa da Organização Internacional do Trabalho e do instituto NASK estima que um em cada quatro trabalhadores está em uma ocupação com algum grau de exposição à inteligência artificial generativa.

Essa exposição mede o potencial de transformação das tarefas. Como muitas ocupações continuam exigindo participação humana, o estudo considera a mudança dos empregos o resultado mais provável para a maioria dos casos expostos.

Isso desloca parte da discussão para a reorganização das atividades. Uma profissão reúne tarefas diferentes, e a possibilidade de automatizar algumas delas não significa que todas possam ser executadas da mesma maneira.

A adaptação também depende das empresas

Olive avalia que trajetórias profissionais poderão incluir mais trabalhos por projeto e serviços especializados. Trata-se de sua leitura sobre o futuro das organizações, sem excluir a continuidade de carreiras longas dentro de uma mesma empresa.

Para os trabalhadores, esse cenário reforça a utilidade de comunicar resultados, colaborar e reconhecer quais conhecimentos precisam ser atualizados.

Entretanto, o acesso à preparação também importa. A OIT destaca a necessidade de conduzir a transição com diálogo social, buscando melhorar produtividade e condições de trabalho. A responsabilidade pela adaptação, assim, envolve decisões sobre formação e organização das atividades.

O preparo para essas mudanças começa por identificar o que está se transformando no trabalho real. A partir daí, trabalhadores e empresas podem escolher quais competências desenvolver e como aplicá-las.

 

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