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Ciência

Os melhores medicamentos contra a obesidade ainda estão por vir

Uma nova revisão científica destaca o futuro dos tratamentos para obesidade, com medicamentos experimentais que prometem superar os já populares Ozempic e Wegovy.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Ozempic é só o começo

Um estudo publicado nesta semana aponta para uma nova geração de medicamentos para obesidade que pode ser ainda mais eficaz do que os atuais campeões de vendas, como Ozempic.

Pesquisadores da Universidade McGill, no Canadá, revisaram os dados de ensaios clínicos envolvendo medicamentos GLP-1, como a semaglutida (princípio ativo do Ozempic e do Wegovy). O estudo confirmou a eficácia e segurança das terapias atuais, mas destacou o potencial superior de novos compostos em desenvolvimento, como o retatrutide, que já mostrou ajudar pessoas a perder mais de 20% do peso corporal em testes clínicos.

Como funcionam os medicamentos GLP-1?

A semaglutida é uma versão sintética e de longa duração do hormônio GLP-1, que regula a fome e a produção de insulina. Desenvolvida pela Novo Nordisk, foi aprovada inicialmente para tratar diabetes tipo 2 em 2017 (como Ozempic) e, em 2021, para obesidade (como Wegovy).

A semaglutida marcou um avanço significativo:
– Perda média de 10% a 15% do peso corporal em estudos clínicos.

– Resultados superiores aos obtidos com dieta e exercício sozinhos.
– Desempenho melhor que os antigos medicamentos GLP-1.

Tirzepatida: o novo concorrente poderoso

Outro medicamento que já está roubando a cena é a tirzepatida, da Eli Lilly. Ela combina a ação do GLP-1 com outro hormônio relacionado à fome, o GIP. Essa dupla ação fez a tirzepatida superar a semaglutida:
– Perda de até 20% do peso corporal em ensaios clínicos.
– Já aprovada para tratamento da obesidade com o nome comercial Mounjaro.

Retatrutide: o trunfo triplo da Eli Lilly

Entre as novas promessas destacadas pela pesquisa da McGill está o retatrutide, um medicamento triplo agonista que combina:

  • GLP-1: Controla fome e glicose.
  • GIP: Potencializa a ação do GLP-1.
  • Glucagon: Aumenta o gasto energético.

Os resultados são impressionantes:
– Perda de até 22% do peso corporal em apenas 48 semanas, superando a tirzepatida.

O retatrutide, em desenvolvimento pela Eli Lilly, já está em ensaios clínicos de fase 3, com conclusão prevista para 2026.

“Entre os 12 medicamentos GLP-1 analisados, os que apresentaram maior perda de peso em média foram o retatrutide, tirzepatida e semaglutida,” destacaram os pesquisadores no estudo, publicado no Annals of Internal Medicine.

Mais novidades à vista:

Além do retatrutide, outras grandes farmacêuticas também estão na corrida:

  • Amycretin (Novo Nordisk): Em testes preliminares, apresentou perda de peso superior à semaglutida e à tirzepatida.
  • Survodutide (Boehringer Ingelheim + Zealand Pharma): Um agonista duplo promissor.
  • CagriSema (Novo Nordisk): Combina semaglutida com o experimental cagrilintide, mas decepcionou em testes iniciais, com perda de “apenas” 22% do peso, abaixo da expectativa de 25%.

Desafios e efeitos colaterais:

Mesmo com avanços impressionantes, esses medicamentos não estão isentos de problemas:
Efeitos colaterais comuns: Náuseas, vômitos, diarreia.

Complicações raras, mas graves: Como gastroparesia (paralisia do estômago).

Custo proibitivo: Sem cobertura de seguro, semaglutida e tirzepatida podem custar cerca de US$ 1.000 por mês.

A alta demanda e os preços elevados já impulsionaram:
– Mercado negro de versões falsificadas.
– Uso de fórmulas manipuladas, de segurança duvidosa.

O futuro: Mais opções, preços mais baixos?

Alguns especialistas esperam que, com mais medicamentos semelhantes ao GLP-1 disponíveis, o mercado traga:
– Redução nos preços.
– Maior cobertura por planos de saúde.

Mas se isso ocorrerá, só o tempo dirá.

A corrida pelos melhores medicamentos contra a obesidade está esquentando. Embora semaglutida e tirzepatida ainda sejam os líderes, retatrutide e outras novidades podem redefinir o padrão de tratamento nos próximos anos.

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