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Os números mostram: a TV aberta já não manda mais no sofá

Os dados de 2025 confirmam uma virada: a TV aberta perde tempo, público e centralidade, enquanto o streaming assume o controle do televisor e muda para sempre os hábitos audiovisuais.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Durante muito tempo, o impacto do streaming sobre a televisão tradicional foi tratado como previsão ou exagero. Hoje, não é mais. Os números consolidados de 2025 revelam um deslocamento profundo no modo como as pessoas usam a TV — e, sobretudo, no que elas deixam de ver. Não se trata do fim do aparelho, mas do colapso de um modelo que dominou por décadas. O que emerge é uma nova lógica de consumo, mais fragmentada, personalizada e irreversível.

A queda contínua da televisão linear em números reais

Os dados mais recentes mostram que a televisão tradicional atingiu, em 2025, o menor nível de consumo da história recente. O tempo médio diário diante da TV linear caiu para 162 minutos por pessoa, nove minutos a menos do que no ano anterior e um novo recorde negativo. A tendência não é pontual: trata-se de uma curva descendente que se mantém firme há anos.

Um dos indicadores mais simbólicos desse processo é o crescimento do grupo conhecido como “telefóbicos” — pessoas que passaram um ano inteiro sem assistir a um único minuto de televisão tradicional. Em 2025, esse número chegou a 209 mil indivíduos, um aumento significativo em relação a 2022. Em termos absolutos, pode parecer pouco. Em termos estruturais, é um sinal claro de mudança geracional e cultural.

Mesmo entre quem ainda liga a TV para ver canais abertos ou pagos, o vínculo está mais frágil. O hábito diário perde espaço, a permanência diminui e a TV deixa de ser o centro automático do lazer doméstico. A televisão linear passa a ser algo que se “consulta”, não algo que se acompanha.

O televisor não morreu — ele apenas mudou de dono

Apesar da queda da TV tradicional, o televisor segue mais presente do que nunca nos lares. A diferença é simples e profunda: ele já não pertence às emissoras. Em 2025, cerca de 13,7 milhões de pessoas utilizaram diariamente a TV para atividades que não envolvem canais tradicionais, como streaming, videogames ou aplicativos conectados.

Dentro desse grupo, 3,2 milhões de pessoas usaram o televisor exclusivamente para esses fins alternativos, sem qualquer contato com a TV linear. O tempo médio diário dedicado a esses usos chegou a 54 minutos por pessoa, representando um quarto de todo o tempo de uso do aparelho. E, desse total, quase 90% foi ocupado por plataformas de streaming.

O televisor deixou de ser uma janela para grades fixas e se tornou uma tela multifuncional. Ele continua no centro da sala, mas agora serve a escolhas individuais, algoritmos e catálogos sob demanda. O ritual coletivo dá lugar à lógica personalizada.

Eventos ao vivo resistem — mas já não sustentam o modelo

Curiosamente, 2025 também registrou um dado que parece contraditório: quase toda a população teve algum contato com a TV tradicional ao longo do ano. Isso mostra que ela não desapareceu, mas foi empurrada para nichos muito específicos.

Os conteúdos mais assistidos continuam sendo grandes eventos ao vivo: futebol, festivais musicais, transmissões especiais, informativos de grande alcance e datas simbólicas como o réveillon. Fora desses momentos, a TV linear perde relevância rapidamente.

Outro dado revelador é o envelhecimento do público. A idade média do telespectador tradicional já chega a 58 anos, reforçando a percepção de que a televisão aberta se tornou um meio predominantemente associado a gerações mais velhas. Em algumas regiões, como Astúrias, Andaluzia e Canárias, o consumo ainda é alto — mas justamente por concentrarem populações mais envelhecidas.

O streaming avança e consolida novos hábitos

Enquanto a TV tradicional encolhe, o streaming segue em expansão constante. Mais de 60% dos lares com acesso à internet já contam com ao menos uma plataforma paga. Entre elas, a liderança é clara, com serviços globais dominando a preferência do público, seguidos por plataformas ligadas a operadoras e emissoras nacionais.

Além disso, os serviços de streaming das próprias redes tradicionais também crescem, mostrando que até as emissoras reconhecem a necessidade de migrar para o ambiente sob demanda. Ainda assim, essa adaptação não compensa a perda de centralidade da programação linear.

O resultado é um cenário irreversível: a TV tradicional não foi “morta” pelo streaming, mas perdeu o monopólio do tempo, da atenção e da rotina. Em 2025, essa transformação deixou de ser uma sensação difusa para se tornar um fato estatístico incontestável.

O televisor continua ligado. Mas agora, quem decide o que aparece na tela não é mais a televisão.

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