A disputa pela Presidência do Brasil entrou em uma fase decisiva, e uma pergunta começa a ganhar importância nos bastidores do mercado financeiro: quem comandaria a economia em um eventual novo governo Bolsonaro? Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, banqueiros, empresários e economistas acompanham as movimentações da campanha. Quatro nomes ganharam destaque, mas as negociações ainda estão longe de uma definição oficial.
Quem são os quatro nomes cotados para comandar a economia brasileira?
O senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, disputa o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo informações publicadas pela Bloomberg, quatro profissionais com experiência no mercado financeiro passaram a ser considerados possíveis candidatos ao Ministério da Fazenda em caso de vitória de Flávio.
São eles Marcelo Kayath, Mansueto Almeida, Roberto Campos Neto e Alexandre Bettamio.
A informação foi obtida com pessoas próximas à campanha e representantes do setor financeiro, que solicitaram anonimato por se tratar de conversas reservadas.
Até o momento, nenhum dos quatro foi anunciado oficialmente para integrar um eventual governo.
A movimentação representa uma mudança em relação aos primeiros meses da campanha, quando Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, era a principal referência econômica do candidato.
Marques continua sendo considerada para ocupar uma posição importante, mas a ampliação das alternativas abriu espaço para outros profissionais.
O interesse do mercado pela composição da equipe reflete a importância das decisões fiscais e monetárias para os próximos anos.
Marcelo Kayath e Mansueto Almeida: duas trajetórias ligadas às finanças

Marcelo Kayath, de 62 anos, construiu uma carreira no setor bancário e foi responsável pela área de banco de investimento do Credit Suisse no Brasil.
Atualmente, é sócio da gestora QMS e mantém relações com representantes do setor empresarial.
Kayath defende medidas voltadas à redução de despesas obrigatórias e à estabilização da dívida pública.
Um detalhe de sua trajetória chama a atenção: ele apoiou publicamente Lula nas eleições de 2022 e chegou a ser considerado para uma posição no Banco Central durante o governo petista.
Essa aproximação anterior pode representar um obstáculo político dentro de uma eventual administração de Flávio Bolsonaro.
Mansueto Almeida, de 59 anos, possui uma experiência diferente.
Ex-secretário do Tesouro Nacional, participou da equipe econômica do governo Jair Bolsonaro e esteve envolvido nas discussões sobre controle de gastos e reforma da Previdência.
Atualmente, ocupa o cargo de economista-chefe do BTG Pactual.
Sua experiência em contas públicas é considerada relevante diante dos desafios fiscais brasileiros.
Embora ambos tenham trajetórias reconhecidas, não existem confirmações de que tenham recebido convites formais para assumir o ministério.
Roberto Campos Neto e Alexandre Bettamio também aparecem nas discussões

Outro nome citado é Roberto Campos Neto, de 57 anos, que presidiu o Banco Central entre 2019 e 2024.
Indicado durante o governo Jair Bolsonaro, Campos Neto esteve à frente da autoridade monetária durante a implementação do Pix, sistema de pagamentos instantâneos que transformou as transações financeiras no país.
Antes de assumir o Banco Central, trabalhou por aproximadamente duas décadas no Santander.
Atualmente, ocupa uma posição de liderança em políticas públicas globais no Nubank.
Sua experiência está mais relacionada à política monetária e ao funcionamento do sistema bancário do que à administração direta do orçamento federal.
Alexandre Bettamio, por sua vez, construiu uma carreira no Bank of America, onde atua como copresidente global de banco corporativo e de investimento.
O executivo possui experiência em operações financeiras, transações empresariais e mercados de capitais.
Entretanto, diferentemente de outros nomes mencionados, nunca ocupou um cargo na administração pública.
Essa característica poderia representar uma mudança de perfil no comando da Fazenda, aproximando a pasta de um profissional com trajetória predominantemente privada.
O que está em jogo na escolha do próximo ministro da Fazenda?
A definição do responsável pela política econômica será uma das decisões importantes do próximo presidente brasileiro, independentemente do resultado eleitoral.
O país enfrenta discussões sobre crescimento da dívida pública, controle das despesas obrigatórias, investimentos e sustentabilidade das contas governamentais.
No campo político, a campanha de Flávio Bolsonaro discute propostas de contenção de gastos e mudanças nas regras fiscais.
Uma reportagem da Folha de S.Paulo revelou que integrantes ligados à campanha analisam alternativas envolvendo despesas previdenciárias e vinculações orçamentárias de saúde e educação.
A campanha, entretanto, afirmou que essas medidas não fazem parte de seu programa oficial de governo.
Do outro lado, o ministro da Fazenda do governo Lula, Dario Durigan, questionou a viabilidade das propostas de ajuste fiscal atribuídas à candidatura de Flávio, argumentando que faltam detalhes sobre sua implementação.
O debate também envolve a continuidade da reforma tributária sobre o consumo e os efeitos de diferentes estratégias econômicas sobre empresas, trabalhadores e serviços públicos.
Segundo o calendário eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral, o segundo turno está previsto para 25 de outubro.
Por que a definição pode ficar para depois das eleições?

Apesar da circulação de nomes conhecidos, a campanha de Flávio Bolsonaro ainda não apresentou uma decisão definitiva sobre quem assumiria o Ministério da Fazenda.
O senador Rogério Marinho, coordenador da campanha, sinalizou que grandes anúncios relacionados à formação da equipe não devem ocorrer imediatamente.
A indefinição também abre espaço para outros possíveis candidatos.
Uma reportagem do UOL mencionou Gustavo Montezano, ex-presidente do BNDES, entre os profissionais considerados para funções econômicas relevantes.
Daniella Marques também permanece nas discussões, inclusive para uma eventual posição ligada à área social.
Outro ponto em análise é a própria estrutura administrativa de um possível governo, incluindo propostas para reduzir o número de ministérios.
Por enquanto, as informações representam especulações fundamentadas em conversas de bastidores, e não nomeações confirmadas.
A escolha dependerá tanto do resultado das urnas quanto das negociações políticas posteriores.
Para investidores e empresas, conhecer o futuro responsável pela Fazenda ajudaria a compreender quais prioridades econômicas poderão orientar o Brasil a partir de 2027.