Os mercados financeiros começaram a reagir poucas horas depois da divulgação dos resultados do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras. A surpresa veio principalmente do desempenho do senador Flávio Bolsonaro (PL), que terminou à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e avançou para o segundo turno.
A reação apareceu primeiro nos ativos brasileiros negociados no exterior. O EWZ, principal ETF de ações brasileiras nos Estados Unidos, chegou a registrar alta próxima de dois dígitos. Na manhã desta segunda-feira (5), ADRs de grandes empresas brasileiras também dispararam no pré-mercado de Nova York.
Petrobras, bancos e outras ações brasileiras sobem forte

Os movimentos ficaram ainda mais evidentes antes da abertura oficial de Wall Street.
Os ADRs da Petrobras chegaram a subir cerca de 10%, enquanto os papéis do Itaú Unibanco avançavam mais de 12%. Bradesco registrava valorização próxima de 11%, enquanto a Embraer subia cerca de 6%.
Nubank e Mercado Livre também apareceram entre os ativos beneficiados pela reação dos investidores.
Já o iShares MSCI Brazil ETF (EWZ), um dos principais instrumentos utilizados por investidores internacionais para obter exposição ao mercado brasileiro, chegou a avançar aproximadamente 12% no pré-mercado.
O movimento ocorre depois de uma surpresa nas urnas. De acordo com os resultados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio Bolsonaro e Lula foram os dois candidatos mais votados e disputarão o segundo turno da eleição presidencial.
Por que o mercado reagiu tão bem?
A explicação está menos no resultado imediato da eleição e mais nas expectativas dos investidores sobre os próximos anos.
O desempenho de Bolsonaro ficou acima do que indicavam diversas pesquisas antes da votação. Além disso, candidatos de direita e centro-direita tiveram resultados relevantes nas disputas estaduais e legislativas.
Para parte do mercado, esse cenário aumenta a possibilidade de uma política econômica mais voltada ao controle das contas públicas, redução de gastos e reformas estruturais.
Segundo analistas ouvidos pela Reuters, o resultado pode provocar uma valorização mais ampla dos ativos brasileiros, incluindo ações, títulos públicos e o real.
A expectativa de maior disciplina fiscal também influencia diretamente os juros. Caso investidores enxerguem menor risco para as contas públicas, os juros futuros podem cair, beneficiando principalmente empresas mais endividadas e setores dependentes de crédito.
O real também pode ganhar força

A reação não deve ficar limitada à Bolsa.
Uma eventual melhora na percepção de risco do Brasil pode aumentar a entrada de capital estrangeiro e fortalecer o real diante do dólar.
Gestores internacionais consultados pela Reuters estimam que o câmbio poderia apresentar uma valorização significativa caso as expectativas de maior responsabilidade fiscal se consolidem. O mesmo movimento ajudaria a reduzir pressões inflacionárias e poderia criar condições mais favoráveis para cortes de juros.
Ainda assim, a reação inicial do mercado não significa que o cenário esteja definido.
O Brasil terá um segundo turno em 25 de outubro. Até lá, propostas econômicas, alianças políticas e pesquisas eleitorais continuarão influenciando os preços dos ativos.
Além disso, investidores devem procurar sinais mais concretos sobre quais medidas econômicas seriam adotadas pelo próximo governo. Uma coisa é a expectativa criada por uma eleição; outra é a capacidade de transformar promessas de ajuste fiscal em políticas efetivas.
Por enquanto, porém, o primeiro sinal vindo dos mercados internacionais é claro: o resultado do primeiro turno surpreendeu investidores e colocou os ativos brasileiros novamente no centro das atenções em Wall Street.