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Ciência

Pesquisadores descobrem possível relação entre maratonas e risco maior de câncer de cólon

Um estudo preliminar identificou uma taxa inesperadamente alta de pólipos potencialmente perigosos em corredores de longa distância. A pesquisa sugere que maratonistas e ultramaratonistas podem ter um risco maior de desenvolver câncer colorretal, mas os cientistas alertam: os resultados ainda não são conclusivos e mais investigações são necessárias para entender a possível relação.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Um estudo recente realizado por oncologistas do Inova Schar Cancer Institute, na Virgínia (EUA), levanta um alerta sobre uma possível ligação entre corridas de longa distância e câncer colorretal. A pesquisa analisou maratonistas e ultramaratonistas entre 35 e 50 anos e encontrou uma incidência muito maior de pólipos avançados do que a esperada para essa faixa etária. Embora os dados sejam preliminares, os resultados chamam atenção e indicam necessidade de novos estudos.

Um sinal inesperado

O estudo foi conduzido pelo oncologista Timothy Cannon, que decidiu investigar a possível relação após tratar três pacientes jovens com câncer colorretal — todos ultramaratonistas, e o mais velho com apenas 40 anos. Intrigado, ele e sua equipe iniciaram uma pesquisa com atletas de alta performance sem histórico familiar da doença.

A análise incluiu 100 voluntários que haviam completado ao menos dois ultramaratonas ou cinco maratonas regulares. Todos foram submetidos a colonoscopias para identificar adenomas avançados, um tipo de pólipo com maior potencial de evolução para câncer.

Os números que surpreenderam os cientistas

Segundo dados de referência, apenas 1,2% das pessoas na faixa dos 40 anos, com risco médio, costumam apresentar esses adenomas avançados. Entre os corredores analisados, esse índice chegou a 15% — mais de dez vezes acima do esperado. Além disso, quase metade dos participantes apresentou algum tipo de pólipo.

“Não esperávamos taxas tão altas de lesões precursoras de câncer nesse grupo”, afirmou David Lieberman, gastroenterologista da Oregon Health and Science University, ao New York Times. Para os pesquisadores, os resultados sugerem a necessidade de pensar em estratégias de rastreamento mais específicas para atletas de resistência.

Possíveis causas em estudo

Apesar dos números chamarem atenção, os cientistas ressaltam que o estudo não prova que correr maratonas ou ultramaratonas cause câncer colorretal. A pesquisa foi apresentada na conferência anual da American Society of Clinical Oncology, mas ainda não passou pelo processo de revisão por pares.

Uma hipótese é que o esforço extremo possa provocar redução temporária do fluxo sanguíneo nos intestinos, o que pode causar pequenas lesões nas células. Esse processo, repetido por longos períodos, poderia gerar inflamações crônicas, aumentando o risco de alterações pré-cancerígenas. Por enquanto, porém, essa teoria ainda carece de comprovação.

Ainda é seguro correr?

Apesar da descoberta, especialistas alertam que o estudo não deve afastar ninguém da prática de exercícios físicos. Pelo contrário: atividades aeróbicas regulares reduzem o risco de pelo menos oito tipos diferentes de câncer e trazem inúmeros benefícios cardiovasculares e metabólicos.

A recomendação, por enquanto, é que corredores de alta performance conversem com seus médicos sobre possíveis avaliações preventivas. Para o público geral, a mensagem é clara: os benefícios do exercício ainda superam amplamente os riscos.

O que vem pela frente

Os pesquisadores planejam expandir o estudo para incluir um número maior de atletas e explorar outros fatores que podem influenciar o risco, como alimentação, hidratação, intensidade dos treinos e genética.

Com mais dados, será possível determinar se há realmente uma relação direta entre a prática de ultramaratonas e o aumento do risco de câncer colorretal — ou se os números encontrados são apenas uma coincidência estatística.

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