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Tecnologia

Por que adolescentes sentem vontade de experimentar comidas que acabaram de ver no TikTok

Vídeos de receitas, influenciadores e tendências gastronômicas parecem fazer mais do que distrair os jovens: um estudo encontrou um efeito que merece atenção.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Para muitos adolescentes, o TikTok é apenas uma sucessão interminável de vídeos. Mas, entre danças, memes e desafios, existe outro tipo de conteúdo que aparece com frequência: comida. Uma receita que parece irresistível, um produto viral ou o corpo de um influenciador associado a determinada dieta podem despertar desejos quase instantâneos. Agora, pesquisadores estão tentando entender até onde essa influência realmente chega — e o resultado é mais interessante do que parece.

Quando um vídeo transforma comida em desejo

Um estudo publicado no Journal of Nutrition Education and Behavior analisou como adolescentes reagem ao conteúdo relacionado à alimentação encontrado no TikTok. A pesquisa envolveu quatro grupos focais, formados por 25 estudantes de 15 e 16 anos de uma escola secundária do Meio-Oeste dos Estados Unidos.

Os relatos mostram que a comida ocupa um espaço particularmente poderoso na experiência desses jovens dentro da plataforma. Receitas, restaurantes, produtos anunciados, desafios gastronômicos e vídeos de influenciadores mostrando suas refeições aparecem constantemente no feed.

Segundo os pesquisadores, esse tipo de conteúdo pode chamar a atenção rapidamente e despertar vontade de experimentar determinados alimentos. O efeito parece ser ainda mais forte quando a apresentação é visualmente atraente ou quando o produto é recomendado por alguém que o adolescente admira.

A influência, porém, não se limita necessariamente a uma sobremesa ou a um hambúrguer que aparece na tela. Alguns participantes disseram ter pesquisado dietas seguidas por influenciadores que consideravam ter corpos desejáveis e demonstraram interesse em reproduzir seus hábitos alimentares.

Isso torna a questão mais complexa. Durante a adolescência, preferências alimentares, percepção corporal e hábitos ainda estão sendo construídos. Um conteúdo aparentemente inofensivo pode, portanto, ganhar um peso diferente quando é repetido diariamente e apresentado dentro de um ambiente desenhado para prender a atenção.

Nem tudo é aceito sem questionamento

Os adolescentes entrevistados também demonstraram que sabem desconfiar do que encontram nas redes. Alguns reconheceram que determinadas recomendações podem estar relacionadas a publicidade ou patrocínios, especialmente quando um influenciador recebe dinheiro para promover uma marca.

Essa capacidade de questionamento, entretanto, convive com outro efeito curioso. Quando um produto viralizado não está disponível, é caro demais ou simplesmente não pode ser encontrado onde o adolescente mora, a exposição constante pode provocar frustração e aumentar ainda mais a sensação de que aquela comida é desejável.

O próprio funcionamento das redes pode contribuir para isso. Quanto mais determinado conteúdo desperta atenção, mais oportunidades existem para que materiais semelhantes apareçam novamente. Assim, um alimento que inicialmente chamou a atenção por acaso pode acabar se transformando em uma presença recorrente no feed.

Os pesquisadores relacionam esse processo aos mecanismos de recompensa e ao controle dos impulsos, mas deixam claro que o estudo não prova que assistir a vídeos de comida fará um adolescente mudar permanentemente sua alimentação.

Há, portanto, uma diferença importante entre sentir vontade de experimentar algo depois de assistir a um vídeo e realmente incorporar aquele alimento ou comportamento à rotina.

As conversas em casa podem fazer diferença

Um dos aspectos mais interessantes da pesquisa apareceu justamente longe da tela. Alguns adolescentes relataram que conversas com os pais ajudaram a questionar informações encontradas nas redes sociais.

Discussões sobre dietas, padrões de beleza e promessas de emagrecimento podem funcionar como uma espécie de filtro. Em vez de simplesmente aceitar a imagem apresentada por um influenciador, o jovem passa a considerar que aquela pessoa possui um organismo, uma rotina e necessidades diferentes.

Refeições em família e atividades compartilhadas também podem ajudar a criar referências fora das redes. Para os pesquisadores, esse contexto pode reduzir parte da pressão exercida por conteúdos que associam determinados alimentos ou dietas a aparência, popularidade e sucesso.

Mas ainda existe uma pergunta fundamental sem resposta: essa influência realmente altera aquilo que os adolescentes comem a longo prazo?

O estudo envolveu apenas 25 participantes e foi baseado principalmente nos relatos deles. Por isso, os autores defendem pesquisas maiores e capazes de acompanhar mudanças concretas nos hábitos alimentares.

Ainda assim, a descoberta é relevante. O TikTok não precisa dizer diretamente a um adolescente o que ele deve comer para influenciar suas escolhas. Basta colocar determinados alimentos, corpos e dietas diante dele repetidamente, no momento certo.

É justamente aí que está a questão levantada pela pesquisa: o que parece apenas entretenimento pode estar participando silenciosamente da formação da relação dos jovens com a comida. E, à medida que publicidade, recomendação de influenciadores e conteúdo espontâneo ficam cada vez mais misturados, separar uma coisa da outra se torna cada vez mais difícil.

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