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Por que os EUA escondem 600 milhões de quilos de queijo em cavernas?

Sim, é verdade: os Estados Unidos têm mais de 600 milhões de quilos de queijo guardados em cavernas subterrâneas. O estoque — digno de uma distopia láctea — fica armazenado em antigas minas de calcário e é mantido sob temperatura controlada, longe da luz do sol e da curiosidade pública. Mas como o país chegou a acumular uma “montanha de queijo”?
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Tempo de leitura: 2 minutos

A origem: uma crise de leite que virou um exagero

Tudo começou nos anos 1970, durante uma crise de inflação e escassez de laticínios. O então presidente Jimmy Carter decidiu injetar dinheiro na indústria leiteira para salvar os produtores. A medida funcionou — até demais. A produção explodiu, e o governo passou a comprar o excedente, acumulando cerca de 227 milhões de quilos de queijo em pouco tempo.

Esses blocos foram espalhados por mais de 150 armazéns nos EUA. Só que o plano saiu do controle: o queijo começou a estragar, e em plena recessão, muitas famílias famintas ficaram revoltadas ao ver toneladas de alimento apodrecendo. Quando Ronald Reagan assumiu a presidência, decidiu resolver o problema de vez: distribuiu o “cheese surplus” em programas sociais, o famoso government cheese que marcou a década de 1980.

Por que os EUA escondem 600 milhões de quilos de queijo em cavernas?
© Pexels

As cavernas que guardam o excesso

Décadas depois, o ciclo se repetiu — só que em escala ainda maior. A indústria americana continua produzindo mais laticínios do que o mercado consome, e o governo voltou a estocar o excesso. A solução foi reaproveitar antigas minas de calcário, cuja temperatura fria e constante é ideal para preservar os queijos sem que se deteriorem.

Hoje, o país mantém 635 milhões de quilos de queijo em depósitos subterrâneos, monitorados como se fossem cofres do Tesouro. Essas “cavernas de queijo” — localizadas principalmente em Missouri — servem como uma espécie de estoque estratégico de alimentos, garantindo reservas em tempos de crise econômica ou escassez.

O problema por trás do queijo

Mas nem tudo é tão saboroso quanto parece. A manutenção dessas cavernas custa caro e levanta críticas ambientais: a pecuária leiteira é uma das maiores emissoras de gases do efeito estufa, e muitos especialistas questionam se faz sentido continuar estimulando uma produção tão alta de laticínios num mundo que precisa reduzir emissões e combater o desperdício.

Para uns, o estoque é um símbolo de segurança alimentar; para outros, uma metáfora perfeita do excesso americano — guardar queijo enquanto o planeta aquece.

[Fonte: Olhar digital]

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