Ter “mamas masculinas” é uma queixa frequente em consultórios. Para alguns, trata-se de acúmulo de gordura; para outros, é ginecomastia, o crescimento real do tecido mamário. Em certos casos, ambos coexistem. Embora na maioria das vezes seja um fenômeno benigno, é importante compreender suas origens e quando buscar avaliação profissional.
O que acontece no corpo masculino
Homens e mulheres possuem basicamente a mesma estrutura mamária: gordura, tecido glandular, ductos e mamilos. A diferença é que, nos homens, o hormônio testosterona mantém esse tecido pequeno e inativo, enquanto o estrogênio — predominante nas mulheres — estimula o crescimento das glândulas mamárias.
Quando há desequilíbrio entre esses hormônios, o tecido mamário masculino pode se desenvolver. Isso ocorre naturalmente durante a puberdade, mas também em outras fases da vida, como na velhice, quando os níveis de testosterona caem.
Curiosamente, os mamilos masculinos são uma herança evolutiva: eles se formam antes de o cromossomo Y definir o sexo biológico, o que explica por que homens mantêm essas estruturas — e, em condições específicas, podem até produzir leite, um fenômeno raro chamado galactorreia.
Tipos de aumento no peito masculino
Pseudoginecomastia: o acúmulo de gordura
A causa mais comum de peitos mais volumosos em homens é o excesso de gordura. Essa pseudoginecomastia ocorre especialmente em casos de sobrepeso e obesidade. O aumento é difuso, macio e indolor, e tende a melhorar com perda de peso, alimentação equilibrada e exercícios físicos.
Ginecomastia: crescimento real do tecido mamário
Já a ginecomastia é o aumento do tecido glandular, geralmente concentrado sob o mamilo e a aréola. Pode causar sensibilidade ou dor e não desaparece apenas com dieta ou treino. Estima-se que entre 30% e 50% dos homens apresentem algum grau de ginecomastia ao longo da vida.
Durante a adolescência, a condição é comum e temporária, desaparecendo com o reequilíbrio hormonal. Em homens mais velhos, o quadro pode se relacionar à queda natural da testosterona, uso de certos medicamentos ou doenças metabólicas.
O que pode causar a ginecomastia
Além das variações hormonais, o crescimento do tecido mamário masculino pode ser provocado por:
- Medicamentos, como finasterida (queda de cabelo) e bicalutamida (câncer de próstata);
- Esteroides anabolizantes, comuns entre fisiculturistas;
- Consumo excessivo de álcool ou maconha, que alteram o metabolismo hormonal;
- Doenças da tireoide, fígado ou rins, que interferem nos hormônios sexuais.
Em alguns casos, o aumento no peito pode ser o primeiro sinal de um problema sistêmico. Por isso, qualquer mudança perceptível — especialmente se for rápida, dolorosa ou ocorrer apenas de um lado — merece avaliação médica.
Impactos físicos e emocionais
Embora raramente perigosa, a ginecomastia pode causar grande desconforto psicológico. Muitos homens relatam vergonha, evitam praias, academias e situações de intimidade. Médicos destacam que buscar ajuda não é vaidade, mas um passo importante para o bem-estar físico e mental.
Quando consultar um médico
Cerca de 1% dos casos de câncer de mama ocorrem em homens, e o diagnóstico precoce é fundamental. Procure atendimento se houver caroço firme, secreção no mamilo, aumento de um lado só ou crescimento rápido. Mesmo quando não há risco oncológico, a persistência ou dor justificam avaliação.
Como é o tratamento
O tratamento depende da causa. Quando relacionado a medicamentos, a simples troca pode resolver. Reduzir o consumo de álcool e substâncias hormonais também ajuda. Para casos leves de pseudoginecomastia, perda de peso e treino de força são eficazes.
Nos casos de ginecomastia verdadeira, o tecido glandular não desaparece sozinho. A cirurgia de redução mamária é uma solução comum e segura, com bons resultados estéticos e psicológicos. Outra opção temporária são as cintas de compressão, que ajudam a disfarçar o volume.
Homens com baixa testosterona podem se beneficiar de terapia de reposição hormonal, mas o uso indevido desse tratamento pode agravar o problema, pois o excesso de testosterona pode ser convertido em estrogênio. Por isso, o acompanhamento médico é essencial.
[ Fonte: CNN Brasil ]