Dois terremotos podem apresentar magnitudes semelhantes e deixar cenários muito diferentes. Enquanto algumas comunidades enfrentam danos extensos, outras registram consequências mais limitadas. A explicação envolve o percurso das ondas sísmicas e as condições que elas encontram na superfície. Para compreender o impacto, especialistas analisam também a profundidade do abalo, o terreno e os edifícios expostos, além da quantidade de pessoas que vivem nas áreas atingidas.
Magnitude e intensidade medem coisas diferentes

A reportagem do Infobae compara terremotos na Venezuela, com magnitudes informadas de 7,2 e 7,5, ao abalo registrado no Panamá em 9 de outubro. O texto destaca que os eventos venezuelanos atingiram áreas densamente povoadas, ampliando a exposição de moradias aos movimentos do solo.
Para interpretar essa diferença, é fundamental separar magnitude de intensidade. Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, a magnitude caracteriza o tamanho do terremoto. Já a intensidade descreve a força da sacudida em determinado lugar.
Assim, um mesmo evento produz diferentes intensidades ao longo do território. A energia se espalha em ondas, que atravessam materiais distintos antes de alcançar casas, ruas e outras estruturas.
A distância até a ruptura e a profundidade do foco ajudam a explicar essas variações. Por isso, comparar apenas o número divulgado após um terremoto oferece uma visão incompleta do que aconteceu na superfície.
O terreno pode ampliar a sacudida
As características do subsolo têm um papel decisivo. Camadas de sedimentos pouco consolidados podem amplificar o movimento, fazendo uma área sofrer mais do que outra durante o mesmo abalo.
Uma publicação técnica do USGS sobre os efeitos locais do solo explica que a amplitude das ondas pode aumentar significativamente ao atravessar camadas superficiais de solo macio. Esse comportamento precisa entrar nos cálculos das construções.
O terreno também pode perder estabilidade. Em solos arenosos saturados de água, a sacudida pode provocar liquefação: o material perde resistência e passa a se comportar de maneira semelhante a um líquido. Isso compromete o suporte de fundações e pode produzir deslocamentos.
Esses mecanismos mostram por que bairros próximos podem apresentar danos diferentes. A avaliação exige conhecer as condições geológicas de cada local, incluindo a possibilidade de deslizamentos e falhas do terreno.
A resistência das construções muda o resultado

A vulnerabilidade dos edifícios é outro componente central. No fórum sobre risco sísmico realizado em setembro pela Universidade Tecnológica do Panamá, pesquisadores discutiram como reduzir os riscos nas moradias e na infraestrutura pública.
O engenheiro Ramiro Vargas destacou a importância dos reforços e das ligações entre vigas, colunas e paredes. Também alertou para construção informal, terrenos instáveis, corrosão e falta de manutenção.
Já Óscar Ramírez enfatizou a necessidade de reduzir a vulnerabilidade de hospitais, escolas, quartéis de bombeiros e pontes. Essas estruturas precisam continuar atendendo a população quando ocorre uma emergência.
A universidade também apresentou seu trabalho de monitoramento da resposta dos edifícios aos terremotos. Os registros ajudam a melhorar critérios de projeto e compreender o comportamento das estruturas.
O contraste entre países, portanto, precisa considerar o conjunto dessas condições. Conhecer a ameaça sísmica, estudar o terreno e manter construções adequadas são medidas que permitem reduzir perdas antes do próximo abalo.
O contraste entre países, portanto, precisa considerar o conjunto dessas condições. Conhecer a ameaça sísmica, estudar o terreno e manter construções adequadas são medidas que permitem reduzir perdas antes do próximo abalo.