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Projeto aprovado no Senado prevê mais dias de licença-paternidade

Uma proposta aprovada no Congresso prevê mudanças graduais na licença-paternidade nos próximos anos. A medida pode alterar a rotina de milhares de famílias e empresas em todo o país.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Nos últimos anos, o debate sobre equilíbrio entre trabalho e família ganhou força no Brasil e em várias partes do mundo. A participação mais ativa dos pais nos primeiros momentos de vida dos filhos passou a ser vista como um fator importante para o desenvolvimento das crianças e para a organização familiar. Agora, uma nova proposta aprovada no Congresso Nacional pode transformar esse cenário ao ampliar gradualmente o tempo de licença-paternidade no país.

A proposta que pretende ampliar a licença-paternidade no Brasil

O Senado aprovou um projeto que prevê mudanças significativas nas regras da licença-paternidade para trabalhadores brasileiros.

A proposta estabelece uma expansão progressiva do benefício, que atualmente é de apenas cinco dias para trabalhadores com carteira assinada.

Caso a medida seja sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a nova regra passará a valer a partir de 2027.

A implementação acontecerá de forma gradual ao longo de três anos:

  • 10 dias de licença em 2027

  • 15 dias em 2028

  • 20 dias a partir de 2029

Além do aumento no tempo de afastamento, o projeto determina que o trabalhador deverá continuar recebendo salário integral durante todo o período da licença.

Isso significa que a empresa não poderá reduzir o pagamento nem aplicar descontos enquanto o pai estiver afastado para acompanhar os primeiros dias de vida do filho.

Outra medida importante prevista no texto envolve a proteção no emprego.

De acordo com a proposta, o trabalhador não poderá ser demitido sem justa causa por até 30 dias após retornar da licença-paternidade.

O objetivo da medida é garantir maior estabilidade nesse período considerado delicado para as famílias.

Como funcionará o uso da licença após a mudança

O projeto também prevê mais flexibilidade na forma como o benefício poderá ser utilizado.

Em vez de precisar usar todos os dias consecutivamente logo após o nascimento ou adoção da criança, o pai poderá dividir o período em duas etapas.

Nesse modelo, pelo menos metade da licença deverá ser utilizada imediatamente após o nascimento ou adoção.

Os dias restantes poderão ser utilizados posteriormente, desde que dentro de um prazo máximo de seis meses.

Essa flexibilidade busca adaptar o benefício às necessidades reais das famílias.

Outro ponto importante envolve empresas que fazem parte do Programa Empresa Cidadã.

Nesse caso, os trabalhadores poderão receber 15 dias adicionais de licença-paternidade.

Com isso, o período total de afastamento pode chegar a até 35 dias, dependendo da empresa e das regras aplicáveis.

Atualmente, o direito padrão para trabalhadores com carteira assinada no Brasil é de cinco dias corridos, contados a partir do primeiro dia útil após o nascimento do filho ou da formalização de uma adoção.

Servidores públicos federais já contam com regras específicas que ampliam esse prazo em alguns casos.

O impacto financeiro da proposta para o governo

A ampliação da licença-paternidade também terá efeitos nas contas públicas.

Segundo estimativas apresentadas durante a tramitação do projeto, o custo da medida deverá aumentar gradualmente ao longo dos primeiros anos de implementação.

As projeções indicam os seguintes valores:

  • R$ 3,3 bilhões em 2027

  • R$ 4,35 bilhões em 2028

  • R$ 5,44 bilhões em 2029

Apesar dos números elevados, os responsáveis pela proposta afirmam que o impacto fiscal poderá ser compensado por outras receitas previstas em políticas de regularização patrimonial.

Entre elas está o Regime Especial de Atualização e Regularização Patrimonial (Rearp), aprovado anteriormente pela Câmara dos Deputados.

Na prática, a ideia é equilibrar os custos do novo benefício com recursos provenientes de programas de regularização econômica.

Especialistas também destacam que políticas de apoio à família podem gerar efeitos sociais positivos a longo prazo.

Entre os possíveis benefícios apontados estão:

  • maior participação paterna no cuidado com os filhos

  • melhor adaptação familiar após o nascimento

  • fortalecimento do vínculo entre pais e crianças nos primeiros meses de vida

Caso seja sancionada, a proposta representará uma das mudanças mais significativas nas regras de licença-paternidade no Brasil desde a criação do benefício.

Fonte: Metrópoles

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