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Tecnologia

Quase metade das crianças tem ansiedade ligada ao uso de telas, diz estudo

Uma rotina dominada por celulares, tablets e TVs pode estar cobrando um preço alto das crianças. Um levantamento recente acendeu um alerta ao mostrar que sinais de ansiedade e outros sofrimentos emocionais já fazem parte do dia a dia de milhões de famílias brasileiras.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Ansiedade e irritação aparecem com mais frequência

Quase metade das crianças brasileiras apresenta algum tipo de comportamento negativo associado ao uso de telas. É o que aponta uma pesquisa inédita do Projeto Brief, que investigou a adultização e o uso precoce das redes sociais no país. Ao todo, 1.800 pais e responsáveis foram ouvidos.

Segundo o estudo, 46% das crianças demonstram ansiedade, irritabilidade ou inquietação relacionadas ao tempo de exposição digital. A ansiedade lidera a lista, citada por 27% dos responsáveis. Em seguida aparecem irritabilidade (25%), dificuldade de concentração (23%) e alterações no sono (20%). Os dados reforçam a preocupação com o impacto do uso de telas no desenvolvimento infantil.

Tempo de tela acima do recomendado preocupa especialistas

Quase metade das crianças tem ansiedade ligada ao uso de telas, diz estudo
© https://x.com/SatlokChannel

A pesquisa revela que 60% das crianças usam telas para entretenimento entre uma e três horas por dia, um número acima do recomendado por especialistas em desenvolvimento infantil. No caso das crianças menores, o cenário é ainda mais delicado.

A Sociedade Brasileira de Pediatria orienta que crianças de até 5 anos tenham um uso bastante restrito e sempre supervisionado. Mesmo assim, 30% das crianças dessa faixa etária passam mais de duas horas diárias conectadas. Esse excesso de tempo de tela está diretamente associado ao aumento de ansiedade infantil, segundo os pesquisadores.

Retirar o celular vira motivo de conflito em casa

O impacto do uso de telas não se limita ao comportamento individual. De acordo com o levantamento, 44% das crianças reagem de forma intensa quando o acesso aos dispositivos é interrompido, com episódios de choro, frustração exagerada ou até agressividade.

Além disso, 52% das famílias relatam piora na convivência doméstica quando o tempo de tela aumenta, especialmente durante férias escolares e feriados prolongados. Para muitos pais, reduzir o uso parece simples na teoria, mas difícil na prática.

Pais querem reduzir, mas enfrentam dificuldades

Sete em cada dez responsáveis afirmam que gostariam de diminuir o tempo de tela dos filhos. O problema é encontrar como fazer isso em meio à sobrecarga de trabalho, à falta de espaços seguros de lazer e ao apelo constante das plataformas digitais.

Especialistas ouvidos pelo estudo alertam que o excesso de uso de telas pode prejudicar habilidades essenciais, como interação social, autorregulação emocional e a brincadeira livre — considerada fundamental na primeira infância. O consenso é que a mediação adulta precisa ser ativa, com regras claras, diálogo e incentivo a atividades fora do ambiente digital.

Adultos também fazem parte do problema

A pesquisa também jogou luz sobre um ponto sensível: o exemplo dentro de casa. Mais da metade dos entrevistados (56%) admite que o próprio uso de celular interfere no tempo de qualidade com os filhos. Esse comportamento acaba criando um ciclo em que adultos e crianças reproduzem os mesmos hábitos digitais.

Os dados reforçam um debate urgente sobre o equilíbrio entre tecnologia e infância. O desafio, segundo os especialistas, não é proibir o acesso, mas construir hábitos mais saudáveis, que priorizem o brincar, o descanso, a convivência familiar e a segurança emocional. Em um país cada vez mais conectado, essa pode ser uma das conversas mais importantes dentro de casa.

[Fonte: Correio Braziliense]

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