Colocar um bebê para dormir pode parecer uma batalha diária para muitos pais. Mas, segundo o psiquiatra Sérgio Nolasco, especialista em Psiquiatria da Infância e Adolescência pela Unicamp, dificuldades persistentes para dormir nos primeiros anos de vida podem ser um dos primeiros sinais de TDAH.
Durante o 17º Congresso Brasileiro de Adolescência da Sociedade Brasileira de Pediatria, realizado em Porto Alegre, Nolasco explicou que alterações de sono estão entre os sintomas mais frequentes e precoces do transtorno.
Um estudo realizado na Suécia reforça essa relação. Entre 2.518 crianças de 6 a 18 meses acompanhadas, 1 em cada 4 que apresentaram problemas severos para dormir foi posteriormente diagnosticada com TDAH. O trabalho separou dois grupos: um com dificuldades crônicas de sono e outro sem problemas relevantes. Após 5 anos e meio, sete crianças do grupo com problemas de sono preencheram os critérios para o diagnóstico — nenhuma do grupo controle recebeu o mesmo diagnóstico.
Entenda como o TDAH afeta o sono

Segundo Nolasco, pessoas com TDAH têm dificuldade em gerenciar o funcionamento cerebral por causa de um atraso no desenvolvimento cortical — a região responsável por funções como atenção e controle dos impulsos.
“É comum ouvir de pessoas com TDAH: ‘Tenho dificuldade para dormir e relaxar, porque não consigo parar de pensar’”, explica o psiquiatra. Além disso, pesquisas apontam uma possível ligação genética entre o TDAH e genes associados aos ritmos circadianos — o chamado “relógio biológico”.
Há também evidências de que indivíduos com TDAH tendem a ser mais “vespertinos”: têm desempenho cognitivo melhor à tarde e enfrentam mais dificuldade para se ativar de manhã. Alguns países chegaram até a atrasar o início das aulas de adolescentes por causa disso. No caso do TDAH, esse padrão parece persistir além da adolescência.
Alerta para os pais e importância da observação
Embora os dados ainda sejam preliminares, especialistas destacam que problemas de sono em bebês merecem atenção — especialmente se forem intensos e persistentes. Observar e relatar esses sinais aos pediatras pode ajudar no diagnóstico precoce e em intervenções mais eficazes.
[Fonte: TNH1]