Pular para o conteúdo
Ciência

Racismo adoece a mente: psicóloga explica impacto na saúde mental

A psicóloga Clarisse Rabelo alerta que o racismo estrutural é um dos principais fatores de adoecimento psíquico da população negra. Em entrevista ao programa CB.Saúde, ela defende políticas públicas e ações coletivas para enfrentar um problema que, segundo ela, “não é individual, mas social”.
Por

Tempo de leitura: 2 minutos

O racismo estrutural não está apenas nas relações sociais — ele também adoece. É o que afirma a psicóloga Clarisse Rabelo, que destacou, em entrevista ao programa CB.Saúde, o impacto direto da discriminação racial sobre a saúde mental da população negra.

“O racismo atravessa todos nós: precisamos pensar em saídas coletivas para problemas que não são individuais”, afirmou a especialista.

Racismo e saúde mental: dados alarmantes

Racismo adoece a mente: psicóloga explica impacto na saúde mental
© Pexels

Estudos do Ministério da Saúde revelam que pessoas negras têm 45% mais chance de morrer por suicídio do que pessoas brancas. Além disso, são mais vulneráveis a quadros de depressão, ansiedade e violência autoprovocada.

Uma pesquisa apoiada pelo Ministério da Igualdade Racial mostrou que 84 em cada 100 pessoas pretas já sofreram algum tipo de racismo. Essa exposição constante à discriminação — seja como vítima direta ou como testemunha — provoca traumas emocionais profundos e persistentes.

Clarisse lembra que é essencial diferenciar bullying de racismo, ainda que possam coexistir. “O bullying pode estar associado ao racismo; o racismo nem sempre vai ser configurado como bullying. Ele é estrutural e precisa ser identificado em todas as sutilezas”, explica.

Quando o racismo começa na infância

O problema começa cedo. Crianças e adolescentes negros são os que mais sofrem com evasão escolar, punições disciplinares e sofrimento psicológico. “A criança negra não sai da escola e deixa de sofrer. Ela está sujeita a isso em todos os lugares”, afirma a psicóloga.

Esse ciclo afeta também as famílias. No Distrito Federal, por exemplo, mais de 15% das famílias são chefiadas por mães-solo pretas, segundo o IBGE. Muitas enfrentam o abandono social e a falta de apoio. “É um abandono não só do genitor, mas da sociedade. Essas mães e filhos são vistos como indignos, o que reforça a exclusão”, observa Clarisse.

Políticas públicas e resistência coletiva

Para enfrentar o problema, Clarisse defende o fortalecimento de políticas públicas, especialmente nas áreas de educação e saúde mental. As cotas educacionais, segundo ela, são um exemplo concreto de transformação.

“Elas não reparam o sofrimento histórico, mas mudam realidades objetivas, permitindo acesso à universidade e a melhores condições de trabalho”, afirma. De acordo com o Inep, a presença de estudantes negros no ensino superior dobrou desde a implementação das cotas.

O racismo não é uma questão individual — é um mecanismo estrutural que fere, exclui e adoece. Como ressalta Clarisse Rabelo, falar sobre isso é o primeiro passo para quebrar o silêncio e construir uma rede de apoio real, que garanta não só tratamento, mas dignidade.

[Fonte: Correio Braziliense]

Partilhe este artigo

Artigos relacionados