Entre as centenas de avenidas que compõem a imensidão da capital paulista, uma se destaca não apenas pela sua extensão, mas também por seu valor histórico e sua importância para a região leste da cidade. A avenida Sapopemba, com impressionantes 42 quilômetros, conecta São Paulo a municípios vizinhos e foi oficialmente reconhecida como a maior do Brasil. Descubra o que torna essa via tão especial.
Uma via que cruza cidades e resgata raízes indígenas

Localizada na zona leste de São Paulo, a avenida Sapopemba foi declarada a mais extensa do Brasil pelo Guinness World Records em 2024. Com cerca de 42 quilômetros, ela liga a avenida Salim Farah Maluf, no distrito da Água Rasa, até o Largo de Santa Luzia, em Ribeirão Pires, já fora dos limites da capital.
Ao longo de sua trajetória, a avenida acumula dados impressionantes: são mais de 1.700 postes de iluminação e 40 linhas de ônibus que circulam por ali, conectando São Paulo a Mauá e Ribeirão Pires. O nome Sapopemba tem origem tupi — “sapó” (raiz) e “pem” (anguloso) —, em referência às árvores de raízes curvas da Mata Atlântica que dominavam a região antes da urbanização.
Além do tráfego intenso, a via é atendida por quatro estações da Linha 15-Prata do Metrô: Jardim Planalto, Sapopemba, Fazenda da Juta e São Mateus. E futuramente, ganhará uma nova parada, a Estação Santa Clara, da Linha 2-Verde.
A partir do trecho que cruza o município de Mauá, a avenida muda de nome e passa a se chamar SPA-052/031 Ramal Sapopemba, sob responsabilidade do Departamento de Estradas de Rodagem (DER).
De estrada rural a marco urbano da metrópole
A história da avenida Sapopemba começa no século XIX, quando ainda era conhecida como “Estrada de Sapopemba”. Segundo registros da prefeitura, sua função inicial era conectar fazendas, sítios e chácaras da região leste ao núcleo urbano da capital, que naquela época era limitado a áreas muito mais centrais.
Mesmo antes da existência de bairros como Regente Feijó, a estrada já existia, sendo uma das rotas rurais que permitiam o deslocamento para fora da cidade. Assim como outras antigas estradas paulistanas, ela acabou incorporada ao tecido urbano com o passar dos anos. No entanto, diferente de muitas vias que mudaram de nome e traçado, a Sapopemba manteve grande parte de sua forma original — e até hoje carrega o mesmo nome.
Mais do que a maior avenida do país, ela é um retrato vivo da expansão urbana paulistana e da preservação de um caminho que resiste há mais de um século.
[Fonte: Gazeta SP]