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Ciência

Rever filmes e séries pode fazer bem para a mente — e a psicologia explica por quê

Com tantas novidades chegando diariamente às plataformas de streaming, por que continuamos voltando às mesmas histórias? A resposta pode estar na forma como nosso cérebro busca conforto, previsibilidade e bem-estar.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Você provavelmente já terminou uma série e, algum tempo depois, decidiu assistir a tudo novamente. Ou escolheu aquele filme que conhece praticamente de memória, mesmo diante de um catálogo com centenas de opções inéditas. Longe de ser apenas falta de vontade de procurar algo novo, esse comportamento pode ter explicações psicológicas.

A familiaridade com personagens, diálogos e acontecimentos reduz a incerteza e o esforço necessário para acompanhar uma história. Além disso, produções conhecidas podem funcionar como uma espécie de refúgio emocional, principalmente em momentos de cansaço ou estresse.

Nostalgia, previsibilidade e regulação das emoções ajudam a explicar por que rever nossos filmes e séries favoritos pode ser uma experiência tão confortável.

Nosso cérebro gosta de saber o que vai acontecer

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© Unsplash

Começar uma série completamente nova exige trabalho. Precisamos conhecer personagens, compreender suas relações, acompanhar conflitos e prestar atenção aos detalhes necessários para entender a história.

Quando estamos mentalmente cansados, tudo isso pode parecer menos atraente.

Uma produção que já conhecemos elimina boa parte desse esforço. Sabemos quem são os personagens, quais são os conflitos e, principalmente, como tudo termina.

Isso reduz a incerteza.

Mesmo que a história tenha suspense, o espectador já sabe quando os momentos tensos aparecem e como serão resolvidos. Essa previsibilidade pode criar uma sensação de controle em contraste com uma rotina que nem sempre oferece a mesma segurança.

É justamente por isso que aquela sitcom assistida inúmeras vezes pode parecer especialmente atraente depois de um dia complicado.

Filmes e séries também ajudam a regular emoções

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© YouTube

Existe outro fator importante: sabemos exatamente o que determinadas histórias nos fazem sentir.

Se queremos rir, podemos escolher uma comédia que sabemos que funciona. Se buscamos algo emocionante, podemos voltar a um filme que sempre provoca determinada reação. E, quando queremos simplesmente relaxar, aquela série familiar pode cumprir essa função sem exigir muita atenção.

Nesse sentido, rever uma produção pode funcionar como uma estratégia de regulação emocional.

O espectador consegue antecipar não apenas os acontecimentos da trama, mas também as próprias emoções. Não existe o risco de encontrar inesperadamente uma história excessivamente pesada, frustrante ou desconfortável.

Essa combinação de familiaridade e previsibilidade ajuda a explicar a sensação de conforto associada ao hábito.

No entanto, afirmações de que rever conteúdos conhecidos reduz diretamente e de maneira significativa o cortisol devem ser interpretadas com cautela. A relação entre entretenimento, familiaridade e estresse depende de diversos fatores individuais e não pode ser resumida a uma única resposta hormonal.

A nostalgia transforma histórias em máquinas do tempo

Há ainda um elemento poderoso por trás desse comportamento: a nostalgia.

Filmes, séries, músicas e até videogames podem funcionar como verdadeiras âncoras autobiográficas. Quando voltamos a uma produção que marcou determinada época, não recuperamos apenas a história.

Também podemos recordar onde estávamos, com quem convivíamos e como nos sentíamos naquele período.

Uma série assistida durante a adolescência, por exemplo, pode despertar lembranças completamente diferentes quando é revista aos 30 ou 40 anos.

Esse tipo de nostalgia pode reforçar a sensação de continuidade da própria identidade. Afinal, revisitamos algo que fazia parte de quem éramos enquanto observamos quanto mudamos desde então.

Por isso, algumas produções acabam adquirindo um significado emocional muito maior do que simplesmente seu valor como entretenimento.

A série é a mesma, mas você mudou

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© Netflix

Existe ainda uma característica interessante na experiência de rever uma obra: embora o conteúdo permaneça praticamente idêntico, o espectador não é mais a mesma pessoa.

Com o passar dos anos, acumulamos experiências, relacionamentos e novas formas de interpretar o mundo.

Isso pode mudar completamente nossa percepção de uma história.

Um personagem que parecia irritante aos 20 anos pode se tornar compreensível aos 35. Uma frase ignorada na primeira vez pode adquirir outro significado depois de uma experiência pessoal semelhante.

Também começamos a perceber detalhes que passaram despercebidos anteriormente. Como já sabemos o que acontecerá, podemos prestar mais atenção aos diálogos, à fotografia, às atuações ou às pistas escondidas pelo roteiro.

Assim, assistir novamente não significa necessariamente repetir exatamente a mesma experiência.

Rever séries não é necessariamente perda de tempo

Escolher histórias conhecidas também pode ser uma resposta à enorme quantidade de opções disponíveis atualmente.

Netflix, Prime Video, Disney+, Max e outras plataformas oferecem catálogos tão extensos que decidir o que assistir pode se transformar em uma tarefa cansativa.

Nesse cenário, voltar para algo conhecido elimina a necessidade de escolher entre dezenas de alternativas.

Isso não significa que rever filmes e séries seja sempre um hábito saudável ou que substitua outras formas importantes de lidar com estresse e ansiedade. Como qualquer entretenimento, seu impacto depende da frequência, do contexto e de como ele interfere na rotina.

Mas retornar ocasionalmente a uma história favorita está longe de representar simplesmente falta de curiosidade.

Às vezes, não queremos descobrir o que acontece no próximo episódio. Queremos justamente o contrário: saber exatamente o que vai acontecer — e aproveitar novamente a sensação que aquela história sempre consegue provocar.

 

[ Fonte: La Nación ]

 

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