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Tecnologia

Sam Altman e Jony Ive anunciam que o “iPhone da IA” chegará em menos de dois anos — e não terá tela

No Demo Day 2025 da Emerson Collective, Sam Altman (OpenAI) e Jony Ive (criador do iPhone) revelaram o desenvolvimento de um novo dispositivo de inteligência artificial sem tela, guiado por voz, sensores e contexto. A aposta é inaugurar a era pós-smartphone e redefinir como interagimos com a tecnologia no dia a dia.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A próxima grande revolução tecnológica pode não ter tela. No palco da Emerson Collective, Sam Altman e Jony Ive confirmaram que trabalham juntos em um hardware concebido para ser o herdeiro espiritual do iPhone — mas com uma filosofia oposta. Se tudo correr como planejado, o dispositivo chegará ao mercado em menos de dois anos, inaugurando uma nova forma de computação baseada em inteligência artificial, presença contínua e interação natural com a voz humana.

O nascimento do “pós-smartphone”

iPhone Air
© Raymond Wong / Gizmodo

Altman descreveu o celular moderno como “Times Square no bolso”: notificações, estímulos e poluição cognitiva constante. A visão do novo aparelho segue o caminho inverso — simplicidade, silêncio e uso intuitivo da inteligência artificial.
Jony Ive reforçou que a base do projeto não é técnica, mas filosófica. O debate inicial entre as equipes girou em torno de perguntas quase existenciais: o que é uma ferramenta? como deve se comportar? como ela se encaixa na vida das pessoas sem dominá-la? A partir dessas reflexões surgiu um conceito ousado: um dispositivo que não exige atenção — ele a devolve.

Um dispositivo sem tela, guiado pela voz e consciente do contexto

O protótipo atual abandona o paradigma do toque e das interfaces gráficas. Em vez disso, usa voz, sensores ambientais e processamento contextual profundo. A proposta é que ele atue como um assistente que entende onde você está, o que acabou de dizer, o que leu, o que precisa — e sabe quando falar e quando ficar quieto.
A ambição é criar algo mais próximo de um companheiro do que de um aparelho. “Um amigo útil, não um intruso”, resumiram.

Ao longo do processo, protótipos foram descartados por não despertarem emoção. O modelo em desenvolvimento, segundo Altman, provoca o efeito oposto: “Dá vontade de morder”, brincou — uma referência ao impacto sensorial e emocional do design. Para Ive, parte essencial do projeto é recuperar a alegria que os produtos tecnológicos deixaram de gerar.

A equipe por trás da revolução

Altman
© X/KrossaKat

O projeto ganhou velocidade quando a OpenAI adquiriu a startup io Products, fundada por Ive. Cerca de 55 engenheiros, designers e especialistas em hardware foram integrados diretamente à companhia, consolidando o primeiro esforço real da OpenAI em criar dispositivos físicos.
Ive permanece como consultor externo, mas lidera a visão estética e funcional do produto — e possivelmente de toda a futura linha de hardware da empresa.

A junção de uma das maiores mentes em design industrial e da empresa mais avançada em IA generativa cria um cenário raro: tecnologia de ponta com intenção emocional, pensada para ser menos máquina e mais companhia.

O que esperar — e por que isso importa

Se o cronograma se mantiver, o dispositivo será lançado antes de 2027, com o objetivo explícito de tornar-se o primeiro “iPhone da IA”. Não um telefone aprimorado, mas o marco inicial de uma computação cotidiana guiada por linguagem natural, sensores e modelos de IA — sem telas, sem toques, sem notificações que nos devoram.

A promessa é ousada: substituir hábitos construídos ao longo de 15 anos de dependência de telas e inaugurar a era em que conversar com a IA será tão natural quanto falar com outra pessoa. Um salto conceitual comparável ao do iPhone em 2007 — ou maior.

 

[ Fonte: Ámbito ]

 

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