Sam Altman, uma das vozes mais influentes da tecnologia atual, voltou a defender que a inteligência artificial definirá não apenas esta década, mas toda uma geração. Em conversas com o professor Dan Boneh, de Stanford, e em outros debates recentes, o CEO da OpenAI falou sobre o futuro da computação, o avanço da inteligência artificial geral (AGI) e a necessidade urgente de transformar como as universidades ensinam programação. Também revelou o conselho que guiou sua carreira — mesmo sem ele perceber.
“O melhor momento para dedicar-se à computação é agora”, diz Altman

Durante a entrevista com Dan Boneh, Altman descreveu o cenário atual como “um momento extraordinário e cheio de possibilidades”. Para ele, a área mais estratégica é evidente: a inteligência artificial.
O executivo argumenta que a IA não só é o campo de maior crescimento, como será a tecnologia responsável por moldar o trabalho, a inovação e até a organização social nas próximas décadas. “Pode ser a coisa mais importante por um período muito mais longo”, afirmou.
A visão é coerente com os planos ambiciosos da OpenAI. Altman já declarou publicamente que quer que a empresa seja a primeira grande organização liderada por um “CEO de IA”. E reafirmou a meta: até março de 2028, espera ter um pesquisador de IA totalmente automatizado — um marco para o desenvolvimento da AGI.
O “conselho profissional acidental” que guiou sua trajetória
Ao refletir sobre sua carreira, Altman compartilhou o que considera seu melhor conselho — não planejado, mas fundamental: rodear-se de pessoas excepcionalmente inteligentes.
“Buscar sempre o grupo mais inteligente possível foi algo que sempre me ajudou”, disse. Segundo ele, passar muito tempo com pessoas talentosas permite acelerar o crescimento pessoal e ampliar o repertório de ideias.
Seu resumo prático:
- Trabalhe em problemas realmente interessantes.
- Cerque-se de pessoas brilhantes.
- Mantenha ciclos de feedback curtos para melhorar rapidamente.
Esse princípio, afirma, é decisivo para quem quer se destacar em áreas de alta complexidade, como a computação e a IA.
A crítica às universidades: “O ensino de computação precisa mudar”
Outro ponto marcante da entrevista foi a crítica à forma como as universidades ensinam informática. Altman contou que, quando estudou em Stanford em 2003, já sentia que aprendia conteúdos “com dez anos de atraso do que seria realmente útil”.
Segundo ele, o ritmo de avanço da IA exige uma transformação profunda no ensino superior. O tipo de trabalho que programadores farão no futuro será radicalmente diferente do modelo tradicional de desenvolvimento de software, e isso exige currículos atualizados.
Altman compara a situação com sua própria trajetória: deixou Stanford após dois anos para fundar a startup Loopt, foi CEO da aceleradora Y Combinator e depois cofundou a OpenAI — experiências que, segundo ele, ensinaram mais que o conteúdo formal.
Especialistas concordam: a academia está ficando para trás
A crítica de Altman encontra eco entre outros nomes importantes da tecnologia. Andrew Ng, professor de Stanford e cofundador do Google Brain, afirmou que as universidades “não estão conseguindo acompanhar a velocidade da IA”, o que contribui para taxas maiores de desemprego entre formandos de computação.
Segundo Ng, até mesmo empresas de ponta lutam para contratar profissionais que realmente dominem IA. “Nem eu consigo contratar gente suficiente”, disse.
No entanto, isso não significa que estudar computação tenha perdido valor. Bret Taylor, presidente da OpenAI, defende que a área continua essencial para formar o chamado pensamento sistêmico, habilidade crucial para entender como grandes sistemas tecnológicos funcionam.
“Estudar computação é diferente de aprender a programar, e continua sendo extremamente valioso”, diz Taylor.
O que esse cenário significa para o futuro da tecnologia

As declarações de Altman reforçam uma tendência clara: a inteligência artificial está redefinindo não apenas carreiras, mas também o que significa ser um profissional de tecnologia. O setor exige uma mistura de criatividade, pensamento crítico, domínio de sistemas complexos e capacidade de adaptação — habilidades que vão muito além da programação tradicional.
Para Altman, quem entrar na computação agora encontrará um campo em transformação acelerada, cheio de oportunidades inéditas e desafios gigantescos. E, segundo ele, seguir perto das pessoas mais inteligentes continua sendo o melhor caminho para sobreviver e prosperar nessa nova era.
[ Fonte: Bussines Insiders ]