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Tecnologia

Samsung e Google preparam um dispositivo que pode tornar a tela do celular muito menos importante

Uma nova geração de dispositivos inteligentes quer colocar a IA diante dos nossos olhos durante todo o dia. A proposta promete mudar radicalmente nossa relação com o smartphone.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Durante quase duas décadas, a tela do smartphone se tornou a principal porta de entrada para o mundo digital. Mensagens, mapas, pesquisas, fotos e assistentes virtuais passam por aquele retângulo que consultamos dezenas de vezes ao dia. Agora, algumas das maiores empresas de tecnologia estão preparando uma alternativa bem mais discreta. E ela pode fazer com que a inteligência artificial deixe de morar dentro do celular para acompanhar literalmente tudo aquilo que vemos.

A próxima grande aposta da Samsung não cabe exatamente no bolso

Samsung, Google e Qualcomm trabalham em uma nova geração de óculos inteligentes projetada para integrar inteligência artificial à rotina sem exigir que o usuário consulte constantemente uma tela.

A ideia foi antecipada pela Samsung durante um evento Galaxy Unpacked realizado em Londres e representa uma estratégia diferente daquela adotada pelos grandes headsets de realidade virtual e realidade mista.

Em vez de colocar um equipamento volumoso sobre a cabeça, a proposta é aproximar a tecnologia da aparência de óculos convencionais.

Esse detalhe pode ser fundamental.

Uma das grandes dificuldades enfrentadas pelos dispositivos de realidade aumentada sempre foi convencer as pessoas a utilizá-los fora de casa. Peso, autonomia, aparência e preço transformaram muitos desses produtos em equipamentos de nicho.

Samsung e Google querem seguir outro caminho.

O projeto envolve também empresas conhecidas no mercado de óculos, como Gentle Monster e Warby Parker. A intenção é combinar tecnologia avançada com formatos suficientemente discretos para serem utilizados durante horas.

Mas o elemento realmente importante estará praticamente invisível.

Gemini pode transformar os óculos em um assistente que enxerga o mundo

Samsung e Google preparam um dispositivo que pode tornar a tela do celular muito menos importante
© Pexels

A inteligência artificial Gemini, do Google, deverá ocupar uma posição central na experiência.

Por ser multimodal, o sistema consegue trabalhar com diferentes tipos de informação. Isso significa que os óculos poderiam combinar aquilo que suas câmeras observam com comandos de voz, sons captados pelos microfones e informações disponíveis nos serviços digitais do usuário.

Na prática, a interação com a tecnologia deixaria de depender exclusivamente de tocar em ícones.

Imagine caminhar por uma cidade desconhecida e receber orientações de navegação por áudio sem precisar olhar constantemente para um mapa. Ou observar um cardápio escrito em outro idioma e pedir à inteligência artificial que interprete seu conteúdo.

A mesma lógica poderia ser aplicada a placas, objetos e diferentes elementos presentes no campo de visão.

As possibilidades mencionadas incluem tradução de conversas em tempo real, envio de mensagens, criação de compromissos no calendário e obtenção de informações contextuais sem precisar retirar o smartphone do bolso.

O celular não desapareceria imediatamente. Inicialmente, os óculos provavelmente funcionariam como uma extensão dele.

Mas essa relação pode mudar com o tempo.

A inteligência artificial quer deixar de ser um aplicativo

Existe uma transformação maior escondida por trás desse projeto.

Hoje, interagir com uma inteligência artificial normalmente exige uma ação consciente. É preciso abrir um aplicativo, entrar em um site, tocar em um botão ou iniciar uma conversa.

Os óculos inteligentes apontam para outro modelo: a chamada inteligência ambiental.

Nesse cenário, a tecnologia permanece disponível continuamente e interpreta o contexto ao redor do usuário. Em vez de perguntarmos tudo manualmente, o sistema pode compreender melhor onde estamos, o que estamos observando e qual informação pode ser útil naquele momento.

É justamente por isso que os óculos podem funcionar como uma espécie de porta de entrada para uma nova fase da IA.

A mudança ocorre em um momento em que ferramentas de inteligência artificial generativa já avançam rapidamente entre os consumidores.

Na Colômbia, por exemplo, dados apresentados no artigo original indicam que 24,5% da população ativa em idade laboral utiliza regularmente ferramentas de IA generativa. O percentual supera a média mundial mencionada, de 17,8%.

Colocar essa tecnologia em um objeto utilizado durante horas poderia acelerar ainda mais essa adoção.

Porém, existe um obstáculo difícil de ignorar.

Óculos que enxergam e escutam também levantam uma enorme questão

Para entender o ambiente, um dispositivo desse tipo depende justamente de componentes capazes de observar e ouvir aquilo que acontece ao redor.

Câmeras e microfones são essenciais para muitas das funções prometidas, mas também colocam a privacidade no centro da discussão.

O problema não envolve apenas quem está utilizando os óculos. Pessoas próximas também podem ser captadas pelas câmeras ou microfones, muitas vezes sem saber exatamente quando o equipamento está registrando ou analisando informações.

Fabricantes terão de deixar claro quais dados são processados, onde esse processamento acontece, durante quanto tempo as informações permanecem armazenadas e quais controles estarão disponíveis.

Além disso, autonomia da bateria, conforto, preço e design serão decisivos para determinar se os consumidores realmente aceitarão utilizar esses equipamentos durante boa parte do dia.

Ainda é cedo para saber se os óculos inteligentes conseguirão fazer aquilo que tantas outras tecnologias prometeram: reduzir nossa dependência das telas.

Mas Samsung e Google parecem apostar que a próxima revolução digital não acontecerá necessariamente dentro de um aparelho que carregamos no bolso.

Ela pode estar acontecendo diante dos nossos olhos.

[Fonte: Red mas]

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