Relembrar essas frases ajuda a entender por que ela foi, ao mesmo tempo, idolatrada e criticada com igual intensidade.
Fama: rejeição ao próprio mito
Apesar de ter sido um dos maiores símbolos sexuais dos anos 1950 e 1960, Bardot sempre demonstrou desprezo pela celebridade. Em 1971, resumiu sua relação com a fama de forma brutal: “A fama? Que a enfiem onde couber”.

Ela também revelou inseguranças profundas. Disse que tentava ser bonita, mas se achava feia, odiava sair de casa e tinha medo de decepcionar o público. Com o passar do tempo, afirmou ter perdido qualquer preocupação com expectativas externas. A Bardot madura parecia fazer questão de romper com o mito que ela mesma ajudou a criar.
Homens e poder: provocações diretas
Quando falava sobre homens, o tom era igualmente agressivo. Bardot reconhecia que sua carreira se apoiava na aparência — e usava isso a seu favor. Disse que deixou o cinema do mesmo jeito que deixava os homens: antes que eles a deixassem.
Em outra declaração, afirmou que sempre fez o que quis e que tinha “mais culhões do que muitos homens”, sugerindo que eles poderiam aprender com ela. Para alguns, era empoderamento cru. Para outros, apenas provocação calculada.
Maternidade: trauma sem romantização
Talvez nenhuma área de sua vida tenha sido descrita com tanta dureza quanto a maternidade. Bardot se referiu à gravidez do único filho, Nicolas, como algo comparável a um tumor que se alimentava dela. Após o nascimento, descreveu a experiência como um pesadelo e disse ter carregado para sempre a responsabilidade pela própria “desgraça”.
O filho foi criado pelo pai, e Bardot nunca tentou suavizar esse afastamento. Suas palavras chocam justamente por romperem com qualquer idealização da maternidade.
Humanidade em xeque
A misantropia de Bardot não era escondida — pelo contrário. Ela dizia não se importar com a condição da mulher e afirmava que a situação dos animais era muito mais grave. Em outra frase, declarou: “Olhem para a humanidade, é horrível”.
Essas falas ajudam a entender por que ela se afastou da vida pública e concentrou seus esforços quase exclusivamente na causa animal.
Animais acima de tudo
Na defesa dos animais, Bardot foi implacável. Atacou duramente o uso de casacos de pele, dizendo que vestir um era “levar um cemitério nas costas”. Em uma carta enviada ao Papa Francisco, criticou a atenção dada à migração humana e afirmou que nada era mais miserável do que o destino dos animais.
Esse radicalismo a transformou em referência mundial no ativismo — mas também em figura difícil de conciliar com outras causas.
Muçulmanos, política e extrema direita
As declarações mais controversas envolvem imigração e islamismo. Bardot afirmou ser contra a “islamização da França” e justificou sua posição com argumentos históricos, falando em invasões e perda de identidade nacional.
Ela também declarou apoio explícito a Marine Le Pen, elogiando sua postura e força política. Essas falas renderam condenações judiciais por incitação ao ódio racial e consolidaram sua imagem como uma figura alinhada à extrema direita.
#MeToo e o choque de gerações
Quando o movimento #MeToo ganhou força, Bardot novamente destoou. Disse que muitas atrizes flertavam com produtores para conseguir papéis e depois se diziam assediadas. Afirmou ainda que gostava de receber elogios masculinos, minimizando denúncias que mobilizaram a indústria do cinema.
Brigitte Bardot deixa frases que incomodam, provocam e dividem opiniões. Para alguns, eram expressão de liberdade radical. Para outros, sinais de intolerância. No fim, seu legado é inseparável dessa contradição: uma mulher que desafiou padrões — inclusive quando isso significava ir contra quase todo mundo.
[Fonte: UOL]