Nos últimos anos, os smartwatches conquistaram espaço como aliados da saúde, oferecendo recursos para monitorar desde batimentos cardíacos até níveis de estresse. Porém, uma nova pesquisa levanta dúvidas sobre a capacidade real desses aparelhos em interpretar corretamente nosso estado emocional. Confira o que foi descoberto.
Estudo com estudantes revela pouca precisão nas medições de estresse
O estudo, publicado no Journal of Psychopathology and Clinical Science, analisou quase 800 estudantes que usaram o smartwatch Garmin Vivosmart 4. Os pesquisadores compararam os níveis de estresse relatados pelos próprios participantes com as medições feitas pelo dispositivo. O resultado? Praticamente nenhuma correlação entre o que os usuários sentiam e o que o relógio indicava.
Segundo os autores, não havia relação consistente entre os dados fisiológicos coletados pelo sensor e os relatos pessoais sobre estresse. Isso levanta questões importantes sobre o quanto podemos confiar nos dados automatizados e os possíveis erros nas medições dos smartwatches.
Como os smartwatches medem o estresse?
Os relógios Garmin utilizam o sensor de análise Firstbeat, que combina dados do ritmo cardíaco e sua variabilidade para estimar o nível de estresse, variando de 0 a 100. Porém, a empresa admite que situações como falar em público ou subir escadas podem elevar o ritmo cardíaco sem que isso necessariamente indique estresse emocional. Eles recomendam o uso contínuo do aparelho, especialmente durante o sono, para melhorar a qualidade das leituras.
Especialista alerta para o uso consciente dos dados
Em entrevista ao The Guardian, Eiko Fried, um dos autores do estudo, explicou que a correlação entre o estresse sentido e o medido pelo smartwatch era praticamente zero. “O relógio mede o ritmo cardíaco, que não está diretamente ligado às emoções, podendo aumentar tanto em situações de estresse quanto em momentos de alegria ou excitação”, afirmou.
Fried alerta que os dispositivos devem ser usados com cautela: “Eles são de consumo, não médicos. Não devemos viver segundo as informações que eles fornecem sobre nosso estado mental.”
Limitações e pontos positivos dos smartwatches
Embora o estudo tenha mostrado que a medição de estresse é limitada, os pesquisadores reconheceram que os dispositivos têm boa precisão na avaliação do sono. Já a medição do cansaço apresentou resultados menos confiáveis, indicando que ainda há muito a ser aprimorado.
Conclusão
Se você usa um smartwatch para monitorar seu estresse, vale a pena lembrar que esses aparelhos fornecem apenas uma estimativa aproximada, baseada principalmente em sinais fisiológicos indiretos. Para uma avaliação mais completa do seu estado emocional, é importante não depender exclusivamente dessas ferramentas e sempre considerar outras formas de autoconhecimento e acompanhamento profissional quando necessário.
Fonte: Gizmodo ES