Basta o verão terminar para algumas pessoas perceberem algo estranho: há muito mais fios espalhados pela casa. Eles aparecem no travesseiro, ficam presos na escova e se acumulam durante o banho. A primeira reação costuma ser imaginar que existe algum problema. Mas o cabelo também responde às mudanças do ciclo natural e às agressões acumuladas durante os meses mais quentes — e nem todo fio perdido significa a mesma coisa.
O que acontece com o cabelo quando o verão termina
O aumento da queda percebido no começo do outono pode realmente acontecer, principalmente durante algumas semanas. Uma das explicações possíveis envolve o chamado eflúvio telógeno, uma alteração temporária do ciclo capilar.
Normalmente, os folículos não estão todos na mesma etapa. Enquanto alguns produzem fios ativamente, outros entram em uma fase de repouso. Depois desse período, o cabelo antigo é liberado e outro ciclo começa.
Em determinadas situações, uma quantidade maior de folículos pode entrar simultaneamente nessa fase de repouso. O resultado aparece algum tempo depois, quando vários fios acabam sendo eliminados praticamente no mesmo período.
Ainda não existe uma explicação científica definitiva para o fenômeno conhecido como queda capilar sazonal. Uma das hipóteses estudadas envolve a exposição ao sol e à radiação ultravioleta durante os meses anteriores.
A possibilidade é que esses fatores contribuam para inflamação e estresse oxidativo no folículo. E existe um detalhe importante: os efeitos não necessariamente aparecem imediatamente.
Por isso, o que aconteceu durante o verão pode se tornar mais perceptível justamente quando a estação termina.

Nem todo fio que aparece na escova caiu pela raiz
Existe, porém, outro fenômeno que pode criar a impressão de uma queda maior.
Durante o verão, o cabelo enfrenta uma combinação particularmente agressiva: exposição solar, água do mar, cloro de piscinas, umidade e maior atrito. Essa sequência pode enfraquecer a fibra capilar e aumentar sua fragilidade.
Nesse caso, o fio encontrado no travesseiro ou na escova pode simplesmente ter se quebrado.
A diferença parece pequena, mas é importante. Na queda verdadeira, o cabelo é liberado pelo folículo como parte de seu ciclo natural. Na quebra, o problema está no próprio comprimento do fio, que se rompe por causa do desgaste da fibra.
Também é importante lembrar que perder cabelo diariamente faz parte da fisiologia humana. Em geral, a perda de aproximadamente 50 a 100 fios por dia pode ser considerada normal.
Além disso, existem períodos em que a queda pode parecer mais intensa sem necessariamente indicar uma doença.
O que realmente merece atenção é quando o padrão muda de maneira persistente.
O momento em que a queda deixa de ser apenas uma fase
A principal pista não está necessariamente na quantidade de fios que aparecem em um único dia, mas na evolução do quadro.
Segundo orientações do Hospital Capilar, uma queda intensa que permanece por mais de seis meses merece avaliação profissional. O mesmo vale quando começa a surgir uma redução visível da densidade, áreas claramente mais vazias ou uma mudança importante em relação ao padrão habitual.
Isso acontece porque diferentes condições podem provocar sintomas semelhantes. Sem avaliação, é difícil determinar se existe apenas uma alteração temporária do ciclo capilar ou alguma causa específica por trás da perda.
Enquanto isso, alguns cuidados simples podem reduzir o desgaste do cabelo.
Depois de entrar no mar ou na piscina, enxaguar os fios com água doce ajuda a remover resíduos de sal e cloro. Também é recomendável reduzir a exposição excessiva ao sol, evitar manter o cabelo molhado por períodos prolongados e utilizar condicionadores que diminuam o atrito.
Uma alimentação equilibrada, com proteínas e micronutrientes adequados, também contribui para a manutenção normal dos fios.
Assim, encontrar mais cabelos no ralo quando o verão termina não significa automaticamente que exista um problema. Para muitas pessoas, pode ser apenas uma alteração temporária ou consequência do desgaste acumulado na fibra capilar.
A diferença está no que acontece depois: se a queda diminui e a densidade permanece estável, a situação tende a ser menos preocupante. Se o padrão persiste, surgem áreas de rarefação ou a densidade continua diminuindo, é aí que vale procurar uma avaliação profissional.