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Ciência

O novo telescópio da NASA ainda nem chegou ao destino e uma surpresa pode mantê-lo no espaço por décadas

Uma manobra executada com precisão extraordinária mudou as expectativas para uma das principais missões espaciais da NASA. O resultado pode significar muitos anos extras observando o Universo.
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Tempo de leitura: 4 minutos

O Nancy Grace Roman Space Telescope partiu da Terra com uma missão ambiciosa: investigar energia escura, matéria escura, exoplanetas e bilhões de galáxias. Mas, poucas semanas depois do lançamento, a NASA descobriu que o observatório pode ter ganhado algo que nenhum instrumento científico consegue fabricar depois de deixar nosso planeta: tempo. Uma combinação de fatores deixou combustível suficiente para potencialmente transformar uma missão de dez anos em uma jornada de décadas.

Uma pequena manobra produziu uma enorme surpresa

O novo telescópio da NASA ainda nem chegou ao destino e uma surpresa pode mantê-lo no espaço por décadas
© Por NASA’s Goddard Space Flight Center Producer Scott Wiessinger – https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=132387628

O Roman foi projetado para uma missão científica principal de cinco anos, com possibilidade de extensão por mais cinco. Por isso, seu orçamento de combustível considerava aproximadamente uma década de operações.

A estimativa acaba de mudar radicalmente.

A NASA calcula agora que o observatório possui propelente suficiente para pelo menos 22 anos de potenciais operações científicas. Isso representa mais que o dobro do período inicialmente considerado no planejamento.

Uma das razões está em uma manobra realizada em 31 de agosto.

Depois de ser lançado em 30 de agosto a bordo de um foguete Falcon Heavy, da SpaceX, o Roman precisava ajustar sua trajetória durante a viagem até seu destino definitivo.

Os engenheiros haviam reservado cerca de 200 quilos de combustível para essa primeira correção. Mas aconteceu algo muito melhor que o previsto.

A manobra foi executada com mais de 99% de precisão e consumiu apenas cerca de 18 quilos de propelente, menos de 10% da quantidade reservada. Segundo os cálculos da equipe, somente essa economia poderia representar aproximadamente quatro anos adicionais de operações científicas.

O telescópio também levou uma reserva inesperada

A segunda vantagem apareceu antes mesmo de o Roman deixar a Terra.

Os engenheiros precisavam calcular o combustível levando em consideração uma massa máxima conservadora de 9.800 quilos. No lançamento, entretanto, o observatório pesava cerca de 8.056 quilos.

Essa diferença trouxe dois benefícios.

Por ser mais leve, o Roman precisa gastar menos propelente durante suas manobras. Ao mesmo tempo, a equipe conseguiu abastecer completamente seus tanques em vez de carregar somente a quantidade necessária para cumprir o planejamento original de dez anos.

Esse combustível adicional pode representar aproximadamente outros quatro anos de observações.

E a conta ainda não terminou.

A precisão da primeira correção significa que a segunda manobra deverá ser muito menor do que originalmente previsto. A inserção orbital também deverá consumir menos combustível. Juntas, essas economias podem acrescentar aproximadamente mais quatro anos à vida potencial da missão.

É assim que um telescópio planejado em torno de uma década chega à impressionante projeção de pelo menos 22 anos.

Seu destino fica a cerca de 1,6 milhão de quilômetros da Terra

O Roman está viajando em direção ao segundo ponto de Lagrange do sistema Sol-Terra, conhecido como L2, localizado a aproximadamente 1 milhão de milhas, ou 1,6 milhão de quilômetros, do nosso planeta.

A previsão é que chegue à região no início de dezembro, cerca de 100 dias depois do lançamento.

Uma vez instalado, o observatório precisará realizar pequenas manobras de manutenção de posição aproximadamente a cada 28 dias.

Quanto mais combustível permanecer disponível para essas correções, mais tempo a missão poderá continuar funcionando.

E prolongar sua vida pode ter consequências científicas enormes.

O Roman foi construído para combinar uma visão infravermelha extremamente nítida com um campo de visão muito maior que o do Hubble. A NASA afirma que ele poderá pesquisar o Universo cerca de mil vezes mais rapidamente que o Hubble, permitindo analisar regiões gigantescas do céu.

Cada ano extra significa muito mais dados sobre o Universo

Entre seus principais objetivos estão investigar a natureza da matéria escura e da energia escura, descobrir e estudar exoplanetas e mapear bilhões de galáxias.

Seu Wide Field Instrument é uma câmera infravermelha de 300 megapixels capaz de registrar uma área do céu maior que o tamanho aparente da Lua cheia mantendo uma nitidez comparável à de observatórios como o Hubble. O instrumento já foi ativado no espaço durante os testes iniciais.

Quando entrar plenamente em operação, o Roman deverá transmitir cerca de 1,4 terabyte de informações diariamente, a maior taxa de dados já alcançada por uma missão astrofísica da NASA. Inteligência artificial, aprendizado de máquina e até cientistas cidadãos ajudarão a vasculhar essa avalanche de observações.

As primeiras imagens científicas são esperadas para o início de 2027.

E é justamente por isso que a economia de combustível ganha outra dimensão. Quatro, oito ou doze anos extras não representam apenas uma nave funcionando por mais tempo. Significam milhares de dias adicionais examinando estrelas, galáxias e planetas que ainda nem sabemos que existem.

O Roman ainda está a caminho de seu endereço definitivo no espaço. Antes mesmo de começar sua principal missão científica, porém, já conseguiu algo raro: transformar combustível que não precisou gastar em uma possível segunda vida inteira para explorar o Universo.

[Fonte: Science Daily]

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