A escalada militar entre Irã e Israel já deixou dezenas de mortos, cidades em alerta e uma população que precisa adaptar sua rotina a cada hora. Entre os milhões de moradores de Tel-Aviv está Marcelo Podgaetz, brasileiro que vive há mais de 20 anos na cidade. Ele compartilha como a guerra afetou sua família e transformou o modo de viver, entre idas e vindas ao bunker e supermercados vazios.
Bunkers como parte da rotina
O paulista Marcelo Podgaetz mora em Tel Aviv há 24 anos e tem 3 filhos no Exército de Israel. Ele mostra bunker em casa e dá relato sobre guerra contra o terrorismo.
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— GloboNews (@GloboNews) October 11, 2023
Marcelo mora em Tel-Aviv desde 1999, com a esposa e os quatro filhos. Natural de São Paulo, ele conta que, nas últimas 24 horas, precisou recorrer quatro vezes ao bunker particular do apartamento onde mora. “Estamos usando o bunker há mais de 600 dias, desde os ataques do Hamas, Hezbollah e dos Houthi, do Iêmen”, afirma.
A residência já foi adaptada para essa realidade: o quarto de uma das filhas, inclusive, fica dentro do bunker. O uso desses abrigos subterrâneos é comum em Israel, que possui cerca de 1,5 milhão de estruturas desse tipo espalhadas pelo país. São espaços preparados para proteger os civis durante ataques com mísseis ou drones.
Supermercados vazios e medo no ar
Logo após os primeiros bombardeios, a população correu para estocar alimentos. “No primeiro ataque, todo mundo foi ao supermercado. No segundo dia, já não tinha quase nada”, relata Marcelo. A expectativa, segundo ele, é de que o abastecimento se normalize nos próximos dias, mas ninguém sabe quanto tempo o conflito vai durar.
O brasileiro acredita que a escalada militar deve se prolongar por semanas. “Estamos vivendo as primeiras 48 horas, mas isso ainda vai longe”, lamenta. Apesar da tensão, a população tenta manter uma certa normalidade — saindo de casa quando permitido, mas sempre atentos às sirenes.
Alertas em tempo real e tecnologia de guerra
Segundo Marcelo, o governo israelense atualiza a população constantemente por meio de mensagens automáticas enviadas aos celulares — em hebraico, inglês e árabe — com orientações claras sobre o que fazer. “É uma tecnologia que nem existe em outros lugares do mundo. As instruções mudam o tempo todo, conforme os dados da inteligência militar”, explica.
No momento, há restrições para aglomerações, mas passeios em família ainda estão autorizados — desde que próximos a bunkers. Quem não possui um abrigo privado deve utilizar os coletivos, oferecidos pela prefeitura.
O conflito se intensifica
A disputa entre Israel e Irã chegou ao segundo dia neste sábado (14), com ataques de ambos os lados. Segundo a imprensa iraniana, bombardeios israelenses causaram ao menos 60 mortes em Teerã, incluindo 20 crianças. Já o Irã respondeu com mísseis, matando ao menos três pessoas e ferindo mais de 80 em território israelense.
O governo iraniano acusa Israel de iniciar a guerra com ataques a instalações nucleares e militares. Entre os mortos estão líderes da Guarda Revolucionária e cientistas ligados ao programa nuclear do país. Em retaliação, o Irã lançou cerca de 100 mísseis em direção a Israel, com explosões registradas em Jerusalém e Tel-Aviv.

Líderes prometem retaliações
O líder supremo iraniano, Ali Khamenei, declarou que Israel “cometeu um grande erro” e prometeu vingança. Ele também alertou que bases dos EUA, Reino Unido e França podem ser alvos se interferirem no conflito. Por outro lado, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que os bombardeios continuarão “o quanto for necessário” e disse que Israel não permitirá que o Irã desenvolva uma arma nuclear.
Netanyahu ainda afirmou que novas ações estão previstas e que aviões israelenses devem sobrevoar Teerã novamente em breve. Ele também prometeu destruir o arsenal de mísseis do Irã.
Um cenário de tensão e incerteza
Para os civis, como Marcelo e sua família, a guerra se traduz em incerteza, barulho de sirenes e noites mal dormidas. “Israel é muito dinâmico. O que vale agora, pode mudar em uma hora”, resume ele. Mesmo diante do medo e da instabilidade, a população tenta seguir em frente, adaptando-se a cada nova atualização — sempre com um olho na notícia e outro no bunker.
[ Fonte: G1.Globo ]