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Soja, minerais e TikTok: os bastidores do novo acordo comercial entre Estados Unidos e China

O avanço nas negociações comerciais entre as duas maiores economias do planeta, durante a turnê diplomática de Donald Trump pela Ásia, abre espaço para um raro momento de distensão entre Washington e Pequim — e promete impactos sobre o agronegócio, a tecnologia e o mercado global de minerais críticos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

As conversas entre Estados Unidos e China em Kuala Lumpur, na Malásia, resultaram em um acordo preliminar que evita novas tarifas punitivas e renova a expectativa de um reencontro entre Donald Trump e Xi Jinping ainda nesta semana. O entendimento envolve temas estratégicos — de soja e terras raras ao destino do TikTok — e sinaliza uma trégua momentânea na guerra comercial que vinha se intensificando desde setembro.

Um respiro em meio à escalada

A nova rodada de negociações foi realizada na capital malaia, primeira parada da turnê asiática de Trump. Poucas horas após o pouso do presidente americano, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou “progressos substanciais” e uma “estrutura sólida” para o encontro entre Trump e Xi, previsto para quinta-feira (30), na Coreia do Sul.

Segundo Bessent, as tarifas de até 100% sobre produtos chineses, que vinham sendo cogitadas por Washington, estão “efetivamente fora da mesa”. Pequim, por sua vez, sinalizou disposição para discutir reduções nas restrições impostas sobre o comércio de minerais de terras raras — essenciais para a indústria eletrônica global.

O esperado encontro entre os dois líderes ocorrerá paralelamente à cúpula de CEOs da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico. Embora o governo chinês ainda não tenha confirmado oficialmente a reunião, analistas veem nas conversas da Malásia um sinal inequívoco de que ambos os lados buscam evitar novos choques.

Terras raras, soja e o TikTok no centro da mesa

Futuro Do Tiktok Nos Eua
© DANIEL CONSTANTE

As tensões entre EUA e China haviam atingido o auge em setembro, quando Washington ampliou sua lista de restrições a exportações de tecnologia e Pequim respondeu com novos controles sobre minerais de terras raras — materiais estratégicos usados em semicondutores, baterias e equipamentos militares.

De acordo com Bessent, o acordo preliminar prevê “adiamentos significativos” nessas restrições e prepara terreno para “uma reunião muito produtiva” entre Trump e Xi. Pequim teria concordado também em retomar compras “substanciais” de soja americana, beneficiando produtores do Meio-Oeste, especialmente em estados como Illinois, Iowa e Minnesota, que vinham enfrentando queda nas exportações.

Outro ponto sensível foi o combate ao fentanil. Ambos os países chegaram a um entendimento inicial sobre maior cooperação no rastreamento de precursores químicos da droga, cuja produção e tráfico têm sido fonte constante de atrito bilateral.

Mas talvez o tema mais simbólico do acordo seja o futuro do TikTok. Após meses de impasse, Washington e Pequim concluíram negociações que determinam a venda dos ativos americanos do aplicativo para investidores dos Estados Unidos, em cumprimento à legislação local. “Todos os detalhes foram acertados, e caberá aos dois líderes consumar essa transação”, declarou Bessent.

Pequim fala em “consenso preliminar”

China Priaci
© Unsplash / Ricardo

Em comunicado oficial, a agência estatal chinesa Xinhua confirmou que as delegações “alcançaram consenso preliminar sobre suas respectivas preocupações”. O principal negociador chinês, Li Chenggang, afirmou que as conversas foram “aprofundadas e construtivas” e abordaram desde tarifas sobre navios fabricados na China até mecanismos de cooperação contra drogas ilegais.

Li ressaltou que “os choques e flutuações” recentes nas relações sino-americanas “não foram o que a China queria ver”, embora Pequim permaneça firme em proteger seus interesses estratégicos. Ambos os países, segundo ele, concordaram em finalizar os detalhes do acordo e cumprir seus respectivos processos de aprovação interna.

Um armistício pragmático

Embora o pacto ainda dependa da validação política de Trump e Xi, o movimento é visto como um alívio temporário para mercados globais em alerta. Ao suspender tarifas, destravar o comércio de soja e abrir brechas para diálogo sobre tecnologia e drogas ilícitas, Washington e Pequim ensaiam uma trégua que, se confirmada, pode redefinir as relações econômicas entre as duas potências.

O encontro desta semana, caso se concretize, mostrará se a diplomacia comercial pode conter o avanço da rivalidade estratégica — ou se o mundo deve se preparar para novos capítulos de uma disputa que há anos molda a economia global.

 

[ Fonte: CNN Brasil ]

 

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