Segundo Musk, a tentativa pode acontecer entre os voos 13 e 15, dependendo do desempenho da nova versão do foguete, a Starship V3, prevista para ficar pronta até o fim de 2025.
O que são os “hashis” da Mechazilla
A Mechazilla é uma torre de lançamento colossal construída na base da SpaceX, em Starbase, Texas. Equipada com dois braços robóticos gigantes, ela foi projetada para agarrar o foguete durante a descida, evitando que ele toque o solo.
Essa estratégia resolve um dos maiores problemas da Starship: tamanho e peso. Diferente do Falcon 9, que pousa suavemente em plataformas ou em terra firme, a Starship é muito maior e exigiria pernas de pouso enormes e infraestrutura complexa. Ao “pegar” o foguete no ar, a SpaceX reduz peso, economiza combustível e acelera a reutilização.
Por que isso importa para o futuro da Starship
O sistema Starship é composto por dois estágios principais:
- Super Heavy → o impulsionador que leva o conjunto até a órbita;
- Starship → a nave superior, que carrega carga, astronautas e, no futuro, até passageiros rumo à Lua e a Marte.
Para que esse sistema seja 100% reutilizável, é essencial que ambos os estágios voltem inteiros. A SpaceX já conseguiu pegar o Super Heavy com a Mechazilla em três voos diferentes — os de número 5, 7 e 8 —, mas nunca tentou com a Starship.
O desafio de fazer isso em 2025
O primeiro teste de captura da Starship pode acontecer já no Voo 13, mas isso exige que os voos 11 e 12 sejam lançados nos próximos quatro meses — um cronograma apertado mesmo para os padrões da SpaceX.
Se houver atrasos, é provável que o primeiro “resgate” da Starship aconteça apenas em 2026. Ainda assim, o sucesso recente do Voo 10 trouxe otimismo para Musk e sua equipe.
No último teste, o megafoguete:
- decolou no horário previsto,
- realizou separação de estágios com sucesso,
- pousou o Super Heavy sem precisar de captura
- e, pela primeira vez, abriu as portas da baia de carga e liberou satélites no espaço.
O caminho até Marte continua longo
Apesar dos avanços, a SpaceX ainda enfrenta enormes desafios. Para que a Starship seja usada em missões tripuladas à Lua (pelo programa Artemis, da NASA) e viagens a Marte, o sistema precisa:
- provar 100% de confiabilidade nos pousos e capturas;
- aumentar a capacidade de carga e de autonomia de voo;
- e aprimorar a proteção térmica para reentradas atmosféricas mais agressivas.
A Starship V3, que Musk espera testar ainda em 2025, deve trazer mais empuxo, mais capacidade de carga e novos sistemas de segurança, aproximando a SpaceX da reutilização rápida e barata.
O próximo capítulo da corrida espacial
Se a SpaceX conseguir pegar a Starship no ar usando os braços da Mechazilla, será um dos maiores avanços da história da exploração espacial. Essa manobra pode reduzir drasticamente custos de lançamento e tempo de preparação entre missões — elementos essenciais para a colonização de Marte.
Musk já deixou claro: para chegar ao Planeta Vermelho, a Starship precisa voar, pousar, ser capturada e relançada rapidamente. E a primeira tentativa pode estar mais próxima do que nunca.