Desde o início de dezembro, países como Reino Unido, Espanha, Alemanha, França e Itália registram números recordes de casos. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o pico da gripe se adiantou entre três e seis semanas em relação a anos anteriores, algo que raramente acontece com essa intensidade.
O que é a variante K da gripe H3N2
A gripe H3N2 já é conhecida por causar temporadas mais severas de influenza. O problema agora é a variante K, um subclado do vírus influenza A que apresenta mutações extras na proteína hemaglutinina — estrutura que o vírus usa para entrar nas células humanas.
De acordo com a médica argentina Marta Cohen, patóloga pediátrica que atua no Reino Unido, essa variante tem pelo menos sete mutações adicionais. Isso torna o vírus mais contagioso e reduz parcialmente a eficiência da resposta imunológica gerada pelas vacinas atuais. Em outras palavras: ele se espalha mais rápido e encontra menos barreiras no organismo.
Por que o surto europeu preocupa tanto

O impacto nos sistemas de saúde tem sido imediato. Na Inglaterra, autoridades estimam até 8.000 hospitalizações por gripe em apenas uma semana — um número que não se via desde 2010. Na Espanha, a incidência já é quase dez vezes maior do que no mesmo período do ano passado, com mais de 112 casos por 100 mil habitantes.
Alemanha e Reino Unido reforçaram estruturas hospitalares, enquanto os Estados Unidos alertam que a variante K já se tornou dominante no país. O problema é agravado pela circulação simultânea de outros vírus respiratórios, como o vírus sincicial respiratório (VSR) e o SARS-CoV-2, o que aumenta a lotação de hospitais e dificulta o diagnóstico rápido.
O que dizem os especialistas sobre a expansão do vírus
Segundo Cohen, o primeiro registro da variante K ocorreu na Austrália, ainda em agosto. Depois, ela se espalhou pela Nova Zelândia e chegou à Europa em setembro. Atualmente, o vírus já foi identificado em cerca de 34 países.
Os dados indicam um aumento de 56% no número de infecções em comparação com o mesmo período do ano anterior. Essa explosão de casos explica por que a gripe H3N2 ganhou tanta força antes mesmo do auge do inverno europeu.
América Latina ainda não tem casos, mas o risco existe
Até agora, não há confirmação oficial de casos da variante K da gripe H3N2 na América do Sul. Ainda assim, organismos internacionais pedem atenção. A Organização Pan-Americana da Saúde orientou os países das Américas a revisarem seus planos de preparação para a temporada de vírus respiratórios.
A entidade também destacou que Canadá e Estados Unidos já observam crescimento do subtipo H3N2, incluindo a variante K, o que aumenta a probabilidade de chegada ao hemisfério sul nos próximos meses.
Vacinação segue sendo a principal defesa
Mesmo com eficácia menor contra a variante K, a vacina contra a gripe continua sendo a ferramenta mais importante de prevenção. Especialistas estimam que a proteção atual gira em torno de 65%. Pode parecer pouco, mas é suficiente para reduzir significativamente o risco de quadros graves e hospitalizações.
A infectologista Elena Obieta, da Sociedade Argentina de Infectologia, reforça que a vacinação precisa estar atualizada. Ter tomado doses antigas não basta. Grupos de risco, como idosos, gestantes, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas, devem se vacinar todos os anos.
Medidas de prevenção além da vacina
Autoridades de saúde recomendam manter práticas que já se mostraram eficazes em outros momentos. Pessoas com sintomas gripais devem evitar ir ao trabalho ou à escola. O uso de máscara é indicado para quem está doente ou pertence a grupos vulneráveis.
Ventilar ambientes fechados, reforçar a higiene das mãos e evitar aglomerações também ajudam a reduzir a transmissão. Em escolas com muitos casos, abrir janelas e retomar o uso de álcool em gel pode fazer diferença.
O papel do monitoramento e da vigilância
Uma ferramenta cada vez mais usada é a análise de águas residuais por meio de testes de PCR. Essa técnica permite identificar quais vírus estão circulando na comunidade com até duas semanas de antecedência, ajudando autoridades a se prepararem melhor. Durante a pandemia de COVID, esse método se mostrou decisivo para antecipar surtos.
Um alerta para o próximo inverno
O surto de gripe H3N2 na Europa funciona como um aviso claro para a América Latina. Antecipar a vacinação, reforçar a vigilância e manter medidas básicas de prevenção pode evitar um cenário de hospitais sobrecarregados. Entender o que está acontecendo agora é essencial para não ser pego de surpresa nos próximos meses.
[Fonte: Infobae]