O inverno britânico de 2024 trouxe um cenário incomum: uma onda antecipada e intensa de gripe, atribuída à variante H3N2 subclado K, levou ao fechamento de escolas, sobrecarga hospitalar e retomada de medidas preventivas semelhantes às da pandemia. Dados de jornais como The Guardian, Mirror e BBC mostram um aumento expressivo de casos e pressão crescente sobre o sistema de saúde. Cientistas alertam que a baixa imunidade populacional é um dos principais fatores por trás da crise.
Variante H3N2 subclado K apresenta maior transmissibilidade

A nova variante, identificada por laboratórios britânicos, exibe uma deriva genética que favoreceu tanto a transmissão quanto a severidade dos casos. Especialistas citados pelo Mirror estimam um índice de reprodução (R) de 1,4, superior ao de outras cepas sazonais.
A baixa imunidade acumulada — resultado de temporadas recentes com pouca circulação do vírus influenza — amplificou o impacto. Em uma análise com 554 amostras, 420 estavam associadas à variante subclado K, reforçando sua predominância.
Os sintomas relatados incluem febre, tosse, congestão nasal, dores musculares, vômitos e diarreia. Em muitos pacientes, especialmente crianças, a duração e intensidade têm sido maiores do que nas temporadas anteriores.
Hospitais registram números recordes de internações
O sistema de saúde britânico enfrenta uma pressão crescente. Segundo The Guardian, a Inglaterra registra em média 1.717 internações por gripe por dia, com 69 pacientes em terapia intensiva — números inéditos para esta época do ano.
Apesar de o risco individual de casos graves não ter aumentado significativamente, o volume total de doentes tem levado hospitais ao limite.
Daniel Elkeles, diretor executivo da NHS Providers, afirmou que a combinação entre temporada antecipada e alta circulação viral agravou a situação em diversos centros de atendimento, exigindo remanejamento de equipes e protocolos de contingência.
Escolas fecham e adotam protocolos reforçados

O impacto também atinge o ambiente escolar. A BBC relata que instituições de ensino em regiões como Gales do Sul, Cheshire e Leeds tiveram de suspender aulas ou adotar medidas especiais, incluindo ventilação reforçada, limpeza intensificada e redução de atividades coletivas.
A escola St Martin’s, em Gales do Sul, interrompeu as atividades após a ausência simultânea de mais de 250 estudantes e funcionários. Em Leeds, a gestora Elaine Bown declarou não haver registros recentes de um índice tão alto de faltas por doença.
Autoridades educativas reforçaram que o fechamento de escolas deve ocorrer apenas em situações excepcionais, embora reconheçam o impacto significativo do surto na rotina de alunos e professores.
Reforço nas recomendações sanitárias e na vacinação
Com a escalada de casos, o governo britânico ampliou a orientação para o uso voluntário de máscaras em ambientes públicos para quem apresentar sintomas respiratórios. Downing Street destacou que essa recomendação faz parte de diretrizes tradicionais de prevenção no inverno.
O NHS e a Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido (UKHSA) enfatizam que a máscara permanece eficaz em determinados cenários, especialmente em locais fechados e de grande circulação.
A campanha de vacinação também avança: já foram aplicadas quase 17 milhões de doses, cerca de 350 mil a mais do que no mesmo período do ano passado. A UKHSA afirma que, apesar da evolução genética da cepa predominante, a vacina atual segue oferecendo proteção adequada para as formas graves da doença.
Crianças apresentam maior taxa de contágio
O avanço da gripe atinge proporcionalmente mais jovens. Segundo dados da BBC, 36,25% dos menores de 5 a 14 anos testados via PCR tiveram resultado positivo. Na faixa de 0 a 4 anos, a taxa foi de 11,8%.
Entre pessoas com mais de 65 anos, a incidência é bem menor, reflexo da maior cobertura vacinal — 74,9% nesse grupo, contra 18,4% entre as demais faixas etárias.
A pediatra Julie-Ann Maney afirmou que a atual temporada é a mais intensa desde 2010, com muitas crianças apresentando febre alta e sintomas prolongados.
Autoridades mantêm monitoramento e reforçam medidas de prevenção
Com o vírus em rápida circulação e impacto significativo em hospitais e escolas, autoridades britânicas alertam para a necessidade de reforçar práticas de higiene, ventilar ambientes fechados e ampliar a vacinação.
O governo e especialistas continuam monitorando a evolução da variante H3N2 subclado K, buscando conter a propagação e reduzir a pressão sobre o sistema de saúde nas próximas semanas.
[ Fonte: Infobae ]