Um dos observatórios espaciais mais importantes da NASA está prestes a desaparecer. Depois de quase 22 anos investigando explosões cósmicas, buracos negros e outros fenômenos extremos, o telescópio Neil Gehrels Swift encerrou suas operações e deverá reentrar na atmosfera da Terra nas próximas semanas. A agência espacial americana confirmou que o equipamento perdeu altitude devido ao aumento da resistência atmosférica, agravado pela atividade solar. Uma tentativa de resgate foi realizada, mas problemas técnicos impediram que o observatório fosse salvo.
Por que o telescópio Swift está caindo na Terra?
Lançado em 20 de novembro de 2004, o Swift foi desenvolvido para investigar explosões de raios gama, consideradas alguns dos eventos mais energéticos do Universo.
O observatório permaneceu em órbita terrestre baixa durante quase 22 anos, mas começou a perder altitude mais rapidamente nos últimos meses.
Segundo um comunicado oficial da NASA, o aumento da atividade solar aqueceu e expandiu as camadas superiores da atmosfera terrestre.
Esse fenômeno intensificou o atrito atmosférico sobre o satélite, acelerando sua perda de altitude.
Em 20 de outubro, o Swift estava a aproximadamente 275 quilômetros da superfície terrestre. Nessa altura, já não conseguia manter a estabilidade necessária para realizar observações científicas.
A equipe responsável decidiu encerrar suas operações e preparar o equipamento para a reentrada.
NASA tentou salvar o telescópio, mas missão fracassou
Antes de abandonar o observatório, a agência espacial organizou uma operação de resgate considerada arriscada.
A empresa americana Katalyst Space Technologies desenvolveu a espaçonave robótica LINK, projetada para alcançar o Swift e elevar sua órbita.
O veículo foi lançado em julho de 2026, mas apresentou problemas no sistema de controle de orientação.
Como consequência, não conseguiu executar a manobra necessária para reposicionar o telescópio.
Em agosto, a NASA anunciou que a tentativa de elevar a órbita seria abandonada.
A operação também serviria para testar tecnologias capazes de prolongar a vida útil de satélites, uma possibilidade cada vez mais importante diante do aumento de equipamentos em órbita.
Existe risco de o telescópio atingir alguma cidade?
A previsão é que o Swift reentre na atmosfera terrestre nas próximas semanas, embora ainda não exista uma data exata confirmada.
Durante a reentrada, o atrito com a atmosfera provoca aquecimento intenso, fazendo com que grande parte dos equipamentos espaciais se desintegre.
Entretanto, dependendo de sua estrutura, alguns componentes podem resistir e alcançar a superfície.
A NASA ainda não divulgou um local específico para a reentrada do Swift.
Como aproximadamente 71% da superfície terrestre é coberta por oceanos, a possibilidade de fragmentos caírem no mar é maior do que em áreas continentais.
Isso não significa que o risco seja inexistente. A trajetória e as condições da reentrada precisam ser acompanhadas para avaliar eventuais ameaças.
Swift ajudou a desvendar milhares de explosões cósmicas
Apesar do encerramento, a missão deixou um legado científico impressionante.
De acordo com a NASA, o observatório registrou mais de 2 mil explosões de raios gama e estudou aproximadamente 1.400 supernovas.
Também acompanhou estrelas destruídas por buracos negros, galáxias ativas, asteroides e cometas.
Uma de suas maiores vantagens era a capacidade de reagir rapidamente a eventos inesperados.
Quando detectava uma explosão distante, o Swift conseguia orientar seus instrumentos para observar o fenômeno em aproximadamente um minuto.
Essa velocidade permitiu estudar eventos que desaparecem rapidamente e que dificilmente poderiam ser acompanhados por telescópios convencionais.
O que acontecerá com as pesquisas após a queda?
O Swift foi projetado inicialmente para funcionar durante apenas dois anos, mas permaneceu ativo por mais de duas décadas.
Nesse período, seus dados contribuíram para aproximadamente 7 mil artigos científicos.
O observatório também deixou um arquivo de cerca de 12 terabytes de informações, incluindo mais de 1,5 milhão de imagens captadas por seu telescópio ultravioleta e óptico.
A NASA pretende utilizar outros equipamentos espaciais para continuar acompanhando eventos cósmicos rápidos.
Embora o telescópio esteja prestes a desaparecer fisicamente, suas descobertas continuarão ajudando os cientistas a compreender o Universo por muitos anos.