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Ciência

Temperatura dos oceanos bate novo recorde e especialistas apontam influência do retorno do El Niño

A temperatura da superfície dos oceanos voltou a atingir níveis inéditos para esta época do ano. Especialistas afirmam que o aquecimento é resultado da combinação entre o início de um novo episódio de El Niño e a tendência de aquecimento causada pelas mudanças climáticas, aumentando o risco de eventos extremos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Os oceanos do planeta estão mais quentes do que nunca para esta época do ano. Novos dados mostram que a temperatura média da superfície do mar voltou a bater recordes, reforçando a preocupação de cientistas com a combinação entre o aquecimento global e o início de um novo episódio do El Niño.

Segundo medições do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus e do Serviço Marinho Copernicus, a temperatura média da superfície dos oceanos chegou a 20,86 °C e 21,0 °C, respectivamente. Embora utilizem metodologias diferentes, ambos os sistemas registraram praticamente o mesmo resultado, superando os recordes observados em 2023 e 2024 e indicando um aquecimento sem precedentes.

Por que os oceanos estão tão quentes?

Oceanos Batem Novo Recorde De Temperatura E Cientistas Alertam Que A Terra Pode Estar Entrando Em Um Território Desconhecido
© Jordan Diow via Shutterstock

Especialistas explicam que o cenário atual é consequência da sobreposição de dois fatores. O primeiro é o retorno do fenômeno climático El Niño, que aquece naturalmente as águas do Pacífico Equatorial. O segundo é a tendência contínua de aquecimento provocada pelas emissões de gases de efeito estufa geradas pela atividade humana.

De acordo com informações divulgadas pelo jornal espanhol El Mundo, durante o mês de junho foram observadas temperaturas excepcionalmente elevadas em diversas regiões oceânicas, um padrão que vem se repetindo nos últimos anos.

Ao mesmo tempo, o Climate Prediction Center confirmou que as condições de El Niño já estão estabelecidas no Pacífico Equatorial e apresentam intensidade crescente.

Ainda assim, os pesquisadores ressaltam que o fenômeno natural não explica sozinho o aquecimento registrado em áreas como o Atlântico Norte e os oceanos do Hemisfério Sul. Isso reforça a influência das mudanças climáticas sobre o comportamento dos mares.

A combinação aumenta o risco de eventos extremos

O aumento da temperatura da superfície do mar favorece uma evaporação mais intensa da água dos oceanos. Como consequência, há mais umidade disponível na atmosfera, criando condições para tempestades mais fortes, chuvas intensas, furacões e enchentes potencialmente mais severos.

Os cientistas alertam que esses efeitos podem se tornar ainda mais frequentes à medida que o aquecimento global continua avançando.

Além disso, os oceanos desempenham um papel essencial no equilíbrio climático do planeta. Eles absorvem aproximadamente 90% do excesso de calor acumulado pela Terra. Quando essa capacidade natural se soma ao aquecimento temporário provocado pelo El Niño e ao aumento constante das temperaturas causado pela ação humana, os especialistas afirmam que entramos em um cenário pouco conhecido pela ciência moderna.

Impactos podem atingir os ecossistemas e a vida cotidiana

Fratura Sob O Oceano1
© Marcin Jucha – Shutterstock

As consequências vão muito além das mudanças no clima. O aquecimento dos oceanos também pode acelerar o derretimento de geleiras, aumentar o estresse sobre os ecossistemas marinhos e afetar diversas espécies que dependem de temperaturas mais estáveis para sobreviver.

Segundo Sergio Moreno, técnico do Instituto Espanhol de Oceanografia, a tendência observada nos últimos anos indica que esse processo está se intensificando.

Para o pesquisador, embora previsões climáticas sempre envolvam algum grau de incerteza, os dados apontam para um cenário em que novos recordes de temperatura deverão continuar sendo registrados nos próximos meses e anos.

Com isso, eventos meteorológicos extremos tendem a se tornar mais frequentes, intensos e difíceis de prever, aumentando os desafios para governos, comunidades costeiras e setores que dependem diretamente das condições climáticas.

O avanço simultâneo do El Niño e do aquecimento global reforça, portanto, a necessidade de monitoramento constante dos oceanos. Afinal, o comportamento das águas influencia diretamente o clima, a biodiversidade e a vida de bilhões de pessoas em todo o planeta.

 

[ Fonte: Xataka ]

 

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