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Tecnologia

Tesla precisa que funcionários ensinem Optimus a trabalhar — e nem todos querem fazer isso

Empresa recorreu a trabalhadores de suas fábricas para registrar movimentos usados no treinamento do robô humanoide, enquanto tenta acelerar a produção do Optimus.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A expansão da inteligência artificial está tornando uma velha preocupação cada vez mais concreta: o que acontece quando trabalhadores precisam ensinar uma tecnologia que, no futuro, poderá realizar parte de seus próprios empregos?

Na Tesla, essa discussão já saiu das telas e chegou às fábricas. Funcionários foram convidados a usar equipamentos de captura de movimento para ensinar tarefas ao Optimus, o robô humanoide da empresa. Alguns, porém, não ficaram confortáveis com a ideia.

Funcionários ajudaram a ensinar o Optimus a trabalhar

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© Tesla

Segundo informações publicadas pelo The Information, a Tesla informou em janeiro a trabalhadores de fábricas no Texas e na Califórnia que pretendia utilizar alguns deles para coletar movimentos humanos.

Esses registros serviriam como exemplos para ensinar o Optimus a executar tarefas realizadas dentro das unidades de produção.

O problema é que alguns funcionários teriam reclamado. Eles sabiam que um dos objetivos dos robôs humanoides é justamente automatizar trabalhos atualmente realizados por pessoas.

Na prática, isso significava ajudar a treinar uma máquina que eventualmente poderia assumir algumas de suas funções.

A Tesla precisa desses dados porque ensinar um robô humanoide envolve muito mais do que simplesmente mostrar vídeos de pessoas trabalhando.

Uma das técnicas utilizadas é o aprendizado por imitação. O sistema observa exemplos de movimentos humanos e utiliza essas informações como referência para aprender sequências de ações.

A própria Tesla mantém vagas específicas para operadores de coleta de dados do Optimus. Entre as atividades estão manipular objetos, percorrer trajetos determinados e utilizar equipamentos de captura de movimento enquanto diferentes tarefas são executadas.

Tesla criou equipes específicas para coletar dados

As reclamações não eliminaram a necessidade de continuar reunindo informações.

De acordo com o The Information, a Tesla passou a contratar profissionais dedicados especificamente à coleta de dados. A empresa também instalou câmeras em fábricas para registrar determinadas atividades.

Durante o verão nos Estados Unidos, a companhia começou ainda a estabelecer centros de treinamento em estados como Colorado, Arizona e Flórida.

A estratégia indica uma mudança importante: em vez de depender principalmente dos funcionários que trabalham nas linhas de produção, a Tesla está criando estruturas próprias para fornecer os exemplos necessários ao treinamento do Optimus.

Essa coleta de dados representa um dos grandes desafios enfrentados pelos robôs humanoides. Movimentos aparentemente simples para uma pessoa podem exigir enormes quantidades de treinamento para serem reproduzidos de maneira confiável por uma máquina.

Optimus ainda enfrenta problemas básicos de produção

O treinamento não é o único obstáculo.

As mãos e os antebraços do Optimus possuem mais de uma centena de pequenos componentes, incluindo parafusos, e parte da montagem ainda precisa ser realizada manualmente, segundo o The Information.

Algumas unidades também precisam de ajustes logo depois de saírem da linha de produção.

Os sensores táteis das mãos apresentaram problemas de confiabilidade. Como alternativa, a Tesla desenvolveu uma camada semelhante a uma luva que pode ser substituída sem trocar toda a mão do robô.

Além disso, o Optimus ainda depende de programação para executar tarefas específicas em ambientes cuidadosamente controlados.

Humanos treinando tecnologias que podem automatizar empregos

Ações Da Tesla Despencam Após Elon Musk Admitir Dificuldades Para Desenvolver O Robô Optimus
© Photo by PATRICK T. FALLON/AFP via Getty Images

O dilema enfrentado pelos funcionários da Tesla não é exclusivo da indústria automotiva.

Profissionais de Hollywood já aceitaram trabalhos relacionados ao treinamento de sistemas de IA, enquanto atores de voz lidam com contratos envolvendo a criação de réplicas sintéticas.

Funcionários da Amazon também demonstraram preocupação com ferramentas de IA capazes de assumir parte das atividades realizadas no atendimento ao cliente.

Em todos esses casos existe um paradoxo semelhante: para automatizar determinados trabalhos, as máquinas ainda dependem do conhecimento das pessoas que já sabem executá-los.

Tesla quer acelerar a produção do Optimus

Elon Musk colocou o Optimus entre os projetos mais importantes para o futuro da Tesla. Entretanto, ainda existe uma distância considerável entre essa ambição e a capacidade atual do robô.

A empresa já teria alcançado a fabricação de centenas de unidades por semana e pretende avançar rapidamente.

Segundo o Electrek, a meta é contar, antes do fim de 2026, com uma linha automatizada contínua capaz de produzir mais de 1.000 robôs Optimus por semana.

Para chegar lá, porém, a Tesla ainda precisa resolver problemas de fabricação, confiabilidade e treinamento. E, pelo menos por enquanto, parte desse aprendizado continua dependendo justamente dos humanos que o Optimus pretende imitar.

 

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